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Escrito por Administrator   
Qua, 09 de Dezembro de 2009 12:01

P5-R01 - Fluídos e Perispírito - Natureza e Qualidade dos Fluidos                                                        

P5-R02 - Fluídos e Perispírito - Modificação dos Fluidos e Magnetismo

P5-R03 - Fluídos e Perispírito - Criações Fluídicas e Ideoplastia

P5-R04 - Fluídos e Perispírito - Perispírito: Formação, Propriedades, Funções 1ª Parte

P5-R05 - Fluídos e Perispírito - Perispírito: Formação, Propriedades, Funções 2ª Parte

P5-R06 - Fluídos e Perispírito - Vestimenta dos Espíritos

P5-R07 - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal - Influência Oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos: Telepatia e Pressentimentos

P5-R08 - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal - Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida

P5-R09 - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal - Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas

P5-R10 - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal - Espíritos Protetores

P5-R11 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - O Fenômeno Mediúnico através dos Tempos

P5-R12 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - Os Médiuns Precursores

P5-R13 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - O mecanismo das comunicações: condições técnicas, afinidades e sintonia

P5-R14 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - A Natureza das comunicações: imperfeitas, sérias e instrutivas

P5-R15 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - Das evocações: da qualidade e da linguagem e de seua utilidade

P5-R16 - O Fenômeno de Intercuminicação Mediúnica - Da Natureza das indagações aos Espíritos comunicante

P5-R17 - Dos Médiuns - O Médium : Conceito e Classificação

P5-R18 - Dos Médiuns - A Categoria de Médiuns Especiais para Efeitos Físicos e Intelectuais

P5-R19 - Dos Médiuns - Espécies Comuns a todos os gêneros de Mediunidade

P5-R20 - Dos Médiuns - Mediunidade das Crianças

P5-R21 - Do Mandato Mediúnico - Qualidades essenciais ao médium

P5-R22 - Do Mandato Mediúnico - Identificação das fontes de comunicação

P5-R23 - Do Mandato Mediúnico - Contradições, mistificações e animismo 1ª parte

P5-R24 - Do Mandato Mediúnico - Contradições, mistificações e animismo 2ª parte

P5-R25 - Do Mandato Mediúnico - O exercício irregular: abusos, perigos e inconvenientes

P5-R26 - Do Mandato Mediúnico - Perda e suspensão da mediunidade

P5-R27 - Do Desenvolvimento Mediúnico - Necessidade de Metodizarão: Regras a Observar

P5-R28 - Do Desenvolvimento Mediúnico - Oportunidade de Educação Mediúnica

P5-R29 - Do Desenvolvimento Mediúnico - Adaptação Psíquica

P5-R30 - Do Desenvolvimento Mediúnico - Sinais Precursores da Mediunidade

P5-R31 - Do Desenvolvimento Mediúnico - A Educação Mediúnica e a Evangelização do Medium

P5-R32 - Do Desenvolvimento Mediúnico - A Influencia do Médium na Comunicação

P5-R33 - Fenômenos de Emancipação da Alma - Sono e Sonhos

P5-R34 - Fenômenos de Emancipação da Alma - Letargia, catalepsia, mortes aparentes.

P5-R35 - Fenômenos de Emancipação da Alma - Sonambulismo, Êxtase e Dupla Vista

P5-R36 - Obsessão - Conceito, causas e graus de obsessão - 1a. Parte

P5-R37 - Obsessão - Conceito, causas e graus de obsessão - 2a. Parte

P5-R38 - Obsessão - O Processo Obsessivo: O Obsessor e o Obsidiado - 1a. Parte

P5-R39 - Obsessão - O Processo Obsessivo: O Obsessor e o Obsidiado - 2a. Parte

P5-R40 - Obsessão - Obsessão e Loucura

P5-R41 - Obsessão - Profilaxia e Terapêutica

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 1

FLUÍDOS E PERISPÍRITO

O fluido cósmico universal é o elemento primitivo indispensável a intermediação entre o Espirito e a matéria propriamente dita. Para tornar possível esta intermediação, goza de propriedades comuns a ambos, pelo que não se pode dizer que seja matéria ou Espirito, já que estes são os dois elementos gerais, distintos, do Universo. '
Pelas suas inúmeras combinações com a matéria, sob a ação do Espirito, é capaz de produzir a imensa variedade dos corpos da Natureza.
Em sua condição de elemento primitivo do Universo, o fluido cósmico assume os estados de eterização e de materialização ou, em outras palavras, de imponderabilidade e ponderabilidade. O primeiro pode ser considerado o primitivo estado normal e o segundo resulta das transformações daquele ao ponto de se apresentar como matéria tangível nos seus múltiplos aspectos. O segundo estado é consecutivo ao ,primeiro e a tangibilidade da matéria assinala a passagem de um ao outro estado. "(...) Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os ,nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados,(...)" (01)
Esses dois estados são a causa de uma inumerável quantidade de fenômenos. Uns ocorrem no mundo invisível. Constituem os fenômenos 'espirituais ou psíquicos. Ligam-se ao estado de eterização. Outros, sucedem no mundo visível. São os fenômenos materiais e relacionam-se ao estado de materialização.
O fluido cósmico sofre, no estado de eterização, sem deixar de ser etéreo, inúmeras modificações que formam fluidos diferentes. Não obstante a mesma origem, possuem propriedades especiais.
Para os Espíritos, esses fluidos têm, dentro da relatividade das coisas, aspecto material. São, por assim dizer, as substancias do mundo espiritual e estão para os mesmos como a matéria está para os encarnados. Eles os trabalham e utilizam para obter os mais diferentes resultados, tal como os homens manipulam a matéria propriamente dita. Mudam apenas os processos.
Os fluidos do mundo espiritual escapam aos nossos sentidos, que es tão limitados a percepção apenas da matéria tangível. No entanto há alguns intimamente ligados a vida corporal. Não podendo ser observados diretamente, pelo menos seus efeitos são percebidos.
No estado de eterização, os fluidos se apresentam, em virtude das inúmeras modificações por que passam, em diferentes graus de pureza dentro da faixa compreendida pela pureza máxima - ponto de partida do fluído universal - e pela sua transformação em matéria tangível. Quanto mais próximos do estado de materialização os fluidos são menos puros. Estes formam a chamada atmosfera espiritual da Terra "(...) É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários a economia de suas existências (...)" (02)
Atendidas as condições físicas e de vitalidade própria de cada um, a situação é a mesma em relação aos outros mundos.
Os fluidos do mundo espiritual são também denominados fluidos espirituais. Isto decorre de sua afinidade com os Espíritos. A rigor, não é uma expressão muito correta porque verdadeiramente espiritual é a alma. Na realidade, eles são a matéria do mundo espiritual. '
Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais utilizando o pensamento e a vontade. As repercussões dessa ação assumem grande importância para os homens. Tais fluidos são o meio de propagação do pensamento, o qual tem o poder de amplificar-lhes as propriedades. Isto significa ,que são afetados pela qualidade daquele, ou seja, o pensamento impregna de bons ou más qualidades os fluidos com os quais entra em contato, alterando-os pela pureza ou impureza dos sentimentos. Os pensamentos, conforme sejam bons ou maus, purificam ou poluem os fluidos espirituais. "(...) Os fluidos que envolvem os Espíritos maus, ou que estes projetam são, portanto viciados, ao passo que os que recebem a influência dos bons Espíritos são tão puros quanto o comporta o grau de perfeição mora destes.(...)". (03)
Cada pensamento comunica determinada qualidade aos fluidos. Segue-se que devido à enorme variedade de pensamentos inumeráveis são os fluidos bons e maus, o que torna impraticável classifica-los. Não possuem denominações próprias. São identificados pelas suas propriedades, efeitos e tipos originais. A natureza de nossos sentimentos, virtudes, vícios e paixões imprime-lhes características correspondentes. Sob outro angulo, observa-se que eles produzem efeitos físicos os mais diversos, tais como excitação, calma, irritação, adstringência, narcose, toxidez. -
"(...) Os fluidos não possuem qualidades sui generis, mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstancias, suas qualidades são, como as da água e do ar' temporárias ou permanentes, o que os torna muito especialmente apropriados a produção de tais ou tais efeitos.(...)", (04)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 2

FLUIDOS E PERISPÍRITO
MODIFICAÇÃO DOS FLUIDOS E MAGNETISMO.

Um lugar qualquer pode ter seus fluidos ambientes poluídos pelos encarnados e pelos desencarnados ou, simultaneamente, por ambos.
Sabido que o pensamento do encarnado age, como o do desencarnado, sobre os fluidos espirituais, estes são afetados pelas .qualidades de seus pensamentos; se bons, temos fluidos saudáveis; se maus, fluidos viciados.
Essa capacidade de atuação dos encarnados sobre os elementos do mundo espiritual decorre do fato de que a encarnação não os priva, totalmente, da vida espiritual. "(...) O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espirito a Espirito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, .saneia ou vicia os fluidos ambientes...)" (01)
Com a encarnação o Espirito conserva seu perispírito, que permanece com todas as qualidades próprias e, alem disso, não fica encerrado no corpo físico, "(...)mas, irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica (...)" (01 )
Os fluidos corrompidos pelos maus eflúvios dos Espíritos inferiores podem ser saneados pelo afastamento destes, e isto se consegue eliminando o que se constituía para eles em focos de atração. O cultivo dos bons pensamentos e sentimentos transforma os fluidos ambientes .em, bons fluidos, os quais têm o poder de repelir os maus fluidos. Cada encarnado dispõe, em seu perispírito, de uma fonte fluídica permanente que pode mobilizar para operar essa renovação. .
Quanto à viciação fluídica produzida pelos encarnados, o ambiente se modifica, é bem evidente, observando-se o mesmo procedimento anterior sobre o cultivo dos bons pensamentos e sentimentos, no caso dos maus Espíritos.
"(...) Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um liquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde (...)" (01)
Por outro lado, o perispírito, que está intimamente ligado ao corpo físico, molécula a molécula, ao sofrer a influência desses fluidos, reage sobre aquele, transmitindo-lhe uma impressão salutar ou penosa, conforme os eflúvios sejam bons ou maus. A ação continuada e energética dos maus eflúvios pode ter repercussões serias, provocando o surgimento de doenças.
Os ambientes onde pululam maus Espíritos são grandemente impregnados de fluidos deletérios que afetam, de forma muito prejudicial, a saúde dos encarnados que os absorvem através dos poros perispiríticos.
Como já foi visto, o fluido cósmico universal sofre inúmeras transformações, formando imensa variedade de fluidos com propriedades especiais. Um desses fluidos, condensado no perispírito, e possuidor de recursos que possibilitam a recuperação do corpo físico. Isto é possível em razão da identidade existente entre ambos, cuja origem é comum. Para que esses efeitos reparadores se realizem, faz-se mister inocular tais fluidos no organismo combalido. Tanto o encarnado como o desencarnado são os agentes da infiltração dessa substancia, extraída de seu próprio perispírito .
Opera-se a cura pela remoção das células doentes, que são substituídas por células sadias, e estas, naturalmente, são produzidas por substâncias puras. Há, ainda, a considerar: a vontade do inoculador que, quanto mais enérgica, mais abundante torna a emissão fluídica e lhe dá maior poder de penetração no corpo enfermo; seu desejo de promover a cura. (03)
--~ A ação desses elementos fluídicos. também chamados elementos magnéticos, apresente efeitos muito variados sobre os enfermos: às vezes lentos, exigindo tratamento demorado, outras vezes rápidos. Há pessoas que produzem curas instantâneas pela simples imposição das mãos, ou só pelo uso da vontade.
Conforme o agente responsável pela emissão magnética, identifica-se:
A) magnetismo humano , ou magnetismo propriamente dito, cuja ação, produzida pelos fluidos do encarnado (magnetizador), depende da força e, principalmente, da qualidade do fluido;
B) magnetismo espiritual, produzido pelos Espíritos, cuja atuação se faz diretamente e sem intermediário sobre a criatura humana. Sua qualidade está ligada às qualidades dos Espíritos;
C) magnetismo misto , semi-espiritual ou humano-espiritual, associação dos recursos fluídicos do encarnado, ou magnetizador, com os dos Espíritos. Estes irradiam sobre aquele a substância fluídica que lhes e própria e o encarnado as transmita aos enfermos junta mente com seus recursos magnéticos. Há, assim, um enriquecimento fluídico. (04)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 3

FLUIDOS E PERISPÍRITO
CRIAÇÕES FLUÍDICAS E IDEOPLASTIA.

O fluido espiritual, um dos estados assumidos pelo fluido cósmico universal, fornece aos Espíritos o elemento de onde eles extraem os materiais sobre que operam. Essa atuação se faz usando o pensamento e a vontade . " (. . . ) Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma colocação determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. ~ a grande oficina ou laboratório da vida espiritual (...)."(02 )
É comum a realização dessas modificações sem que haja um pensamento consciente. É o caso dos Espíritos que são percebidos pelos videntes, logo depois de desencarnados, envergando uma vestimenta qualquer, antes mesmo de se. haverem dado conta de sua nova realidade.
A maior parte das transformações, contudo, ocorre sob o império de um desejo, a manifestação de um propósito consciente. Basta mentalizar alguma coisa e esta se forma. É por isso que um Espirito pode assumir diferentes aspectos e apresentar diversas aparências, envergar trajes especiais, portar objetos os mais variados, exibir defeitos físicos, mutilações etc. São expressões assumidas visando a uma identificação, geralmente revivendo situações de existências passadas, Porém, assim como assumiu aspecto do passado, tão logo seu pensamento o situe no presente, ou em outra existência, imediatamente se opera nova transformação.
Há, por outro lado, o caso dos Espíritos que conservam a mutilação, as deformações ou chagas do corpo físico que ocupavam, em razão de um condicionamento. Incapazes, por si mesmos, de reassumir a forma normal e sadia, são induzidos à mudança mediante um processo de esclarecimento e, pelo mesmo princípio de manejo dos fluidos espirituais, logram obte-la .
As sugestões hipnóticas provocam, também, freqüentes transformações no perispírito, no sentido de seu aviltamento. Isso pode ser observado sob dois aspectos: o primeiro, através da auto-sugestão, motivada por sentimento de culpa ou rebaixamento voluntário; o segundo, pela ação da mente de outro Espirito sobre determinada entidade espiritual, explorando-lhe os deslizes que tornaram particularmente vulnerável.
Encontramos ai a explicação para os fenômenos conhecidos como "zoantropia, onde os
espíritos assumem formas animalescas, total, ou parcialmente. A expressão "zoantropia", por seu sentido amplo, vem sendo sugerida, ultimamente, em lugar de "licantropia" que, etimologicamente, significa "estudo sobre o homem-lobo" (05)
É de referir-se, ainda, os casos de Espíritos que, quase sempre com o propósito de amedrontar para melhor alcançar seus objetivos, apresentam-se com aspectos, monstruosos e apavorantes, ate mesmo de satanás.
A todas essas transformações operadas pela mente dá-se o nome de "ideoplastia" (do grego "ideo - idéia + "plastos" = forma + "ia" = estudo, análise), ou seja, "estudo da modelagem através do pensamento".
Segundo nos ensina André Luiz, ao abordar a ideoplastia, "o pensamento pode materializar-se, criando formas que muitas vezes se revestem de longa duração, conforme a persistência da onda em que se expressam" (06)
As materializações constituem outro exemplo de plasmagem realizada pelos Espíritos, nas sessões de efeitos físicos, com a utilização de: elementos plásticos exteriorizados pelos médiuns e pelos outros participantes dessas reuniões; componentes fluído-plásticos da Natureza.
"Por análogo efeito, o pensamento do Espirito cria fluidicamente os objetos que ele esteja acostumado a usar" (03). Isto não se restringe a objetos de uso pessoal, como é o caso do cachimbo, óculos, bengala, faca, chapéu etc. mas se estende a coisas como casas, prédios, jardins, móveis, veículos, alimentos, instrumentos de toda ordem. Alguns têm existência tão fugidia quanto a duração do pensamento; mas outros persistem longamente, como já citado.
No plano dos Espíritos, suas criações fluídicas são tão reais que assumem, para eles o mesmo aspecto que as coisas materiais para os encarnados.
Outra questão a considerar é que o pensamento, ao criar imagens fluídicas, se reflete no perispírito do Espirito a que pertence, como num espelho, ai adquirindo corpo e, de alguma maneira, se fotografa. (01)
Para melhor entendimento de como isso se passa, explica-nos Kardec."(...) Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste ultimo; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira e pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espirito (...)". (01)
Isto permite entender por que todo e qualquer pensamento se torna conhecido: por evidenciar-se, no corpo perispirítico, e poder ser percebido por outro Espírito, mas não pelos olhos da matéria. O que realmente e visto pelo observador é a intenção. Sua execução, todavia, vai depender da persistência de propósitos de circunstancias que a favoreçam. Modificadas estas, poderão os planos também sofrer mudanças, com a conseqüente alteração das imagens refletidas no envoltório fluídico.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 4

FLUIDOS E PERISPÍRITO
PERISPÍRITO: FORMAÇÃO, PROPRIEDADES, FUNÇÕES 1ª PARTE.

O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é uma condensação do fluido cósmico em torno da alma; o corpo carnal resulta de uma maior condensação do mesmo elemento, que o transforma em matéria tangível.
Embora tenham origem comum, no mesmo elemento primitivo, as transformações moleculares são diferentes nesses dois corpos, dai resultando ser o perispírito imponderável e dotado de qualidades etéreas. Ambos são matéria, mas em estados diversos. (01)
O Espírito forma seu envoltório perispirítico com os fluidos retirados do ambiente onde vive. Como a natureza: dos mundos varia com seu grau de evolução, será maior ou menor a materialidade dos corpos físicos de seus habitantes, e os perispíritos guardam relação, quanto à sua composição, com esse grau de materialidade. Admitindo-se que um Espírito emigre da Terra, aí fica seu envoltório fluídico e toma, no mundo físico onde aportar, um outro apropriado ao novo meio (02)
"A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espirito(...)" (03)
A condição moral do Espírito corresponde, por assim dizer, uma determinada densidade do perispírito. Maior elevação,. menor densidade fluídica. Maior inferioridade, maior densidade isto é, perispírito mais grosseiro, com maior condensação fluídica. É claro que mesmo os envoltórios fluídicos mais grosseiros permanecem imponderáveis. Mas, dentro da relatividade das coisas, pode-se admitir um peso específico para o envoltório perispirítico. Os de maior peso específico chumbam os Espíritos as regiões inferiores, impossibilitando-lhes o acesso a planos mais elevados e, por isso mesmo, a saída para mundos mais elevados. A acentuada densidade do perispírito de grande número de Espíritos leva-os a confundi-lo com o corpo físico.
Por isso, consideram-se ainda encarnados;, e vivem, na Terra, imaginando-se entregues a ocupações que lhes eram habituais.
Os perispíritos dos Espíritos superiores, de reduzido peso específico, lhes conferem uma leveza que lhes permite viver nos planos elevados assim como o seu deslocamento a outros mundos. É claro que tais Espíritos podem descer aos planos inferiores e, normalmente, dada a sutileza de seu envoltórios, não são percebidos pelas entidades inferiores.
Quando encarnado, o Espírito mantém seu envoltório perispirítico, constituindo-lhe o corpo carnal, por conseguinte, um segundo envoltório, mais grosseiro, apropriado ao meio físico onde vive suas experiências .
O perispírito, nessa situação, "~...) serve de intermediário ao Espirito e ao corpo. É o órgão de transmissão de todas as sensações (...)" (05) quer partam do Espirito, quer venham do exterior, através do corpo físico.
Dado ao estado grosseiro da matéria, os Espíritos não pedem agir diretamente sobre ela. Têm de faze-lo através de seu perispírito. "Por meio do perispírito é que os Espíritos atuam sobre a matéria inerte e produzem os diversos fenômenos mediúnicos.(...)" (06)
Os fluidos perispirítico se constituem, sob a ação da, vontade dos Espíritos, em verdadeiras alavancas que lhos permitem produzir pancadas, ruídos, deslocamentos de objetos, etc.
Em condições normais, o perispírito é invisível, mas, em razão de modificações que venha a experimentar, pela ação da vontade do Espirito, pode tornar-se visível. Essas modificações consistem numa espécie de condensação ou em novos arranjos das moléculas que compõem esse envoltório fluídico. O aparecimento de um Espirito resulta de seu propósito de se fazer visível. Mas não basta desejar essa visibilidade para obte-la: a modificação do perispírito requer a existência de certas circunstancias que não dependem do Espírito; este necessita de permissão, que nem sempre lhe é dada, para mostrar-se a alguém. (07)
Nas aparições, o perispírito se mostra mais ou menos consistente. Comumente se apresenta com aspecto vaporoso e diáfano. De outras vezes, fá-lo com as formas delineadas, com os traços bem nítidos. Neste último caso, pode ate apresentar a solidez de um corpo físico, sendo, por isso mesmo, tangível, o que não lhe impede de retomar instantaneamente o estado normal de invisibilidade e etéreo.
A matéria não constitui obstáculo ao perispírito. A sua condição etérea confere-lhe a propriedade de penetrabilidade. Ele atravessa a matéria como a luz aos corpos transparentes. ~ por isso que portas e janelas fechadas de uma sala qualquer não impede a penetração, ali, de um Espirito. (07)
Como já foi dito, das camadas dos fluidos espirituais que envolvem. a Terra, tiram os Espíritos, que ali vivem, os seus envoltórios perispirítico. Esses fluidos não são homogêneos: uma mistura de moléculas de várias qualidades, umas mais puras outras menos paras. Os efeitos que produzem. guardam relação com a quantidade das partes puras que eles contem. "(...)
Conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluído peculiar ao mundo onde ele se encarna (...) " O Espírito atrai as moléculas que se afinam com seu padrão vibratório.
Como conseqüência, "a constituição intima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda " (04), o que não ocorre com o corpo carnal, que é formado pelos mesmos elementos, independentemente da maior ou menor elevação dos Espíritos que o revestem. Outra decorrência da forma de composição do perispírito: "(...) o envoltório perispirítico de um espírito s modifica com o progresso moral que este realiza em cada encarnação, embora ele encarne no mesmo meio; (...) os Espíritos superiores, encarnando, excepcionalmente, em missão, num mundo inferior, têm perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas desse mundo "(04)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 5

FLUIDOS E PERISPÍRITO.
PERISPÍRITO: FORMAÇÃO, PROPRIEDADES, FUNÇÕES 2ª PARTE.

O perispírito, encerrando um organismo fluídico-modelo, é a força diretriz responsável pela edificação do plano escultural e do tipo funcional de todos os seres. "(...) Contém o desenho prévio, a lei onipotente que servirá de regra inflexível ao novo organismo e lhe assinará o lugar na escala morfo + lógica, segundo o grau de sua evolução. E no embrião que se executa essa ação diretiva (...)". (02) Mas esse modelo fluídico, verdadeira matriz, mantém a mesma forma do ser até o fim de sua vida, até mesmo promovendo a regeneração dos tecidos orgânicos destruídos .
No perispírito, dormitam, por assim dizer, propriedades organogênicas, que se ativam sob a ação da força vital.
Como ensina o Espírito André Luiz, esse corpo espiritual possui "(...) todo o equipamento de recursos automáticos que governam os bilhões de entidades microscópicas a serviço da Inteligência, nos círculos de ação em que nos demoramos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser. em milênios e milênios de esforço e recapitulação, nos múltiplos setores da evolução anímica (...)," (10)
Refere-nos ainda André Luiz que, no corpo espiritual ou psicossoma, estão situados os centros vitais que presidem à atividade funcional dos vários órgãos que integram o corpo físico. Esses centros são "(...) fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, pela qual o homem possui no corpo denso, e detemos todos no corpo espiritual em recursos equivalentes, as células que produzem fosfato e carbonato de cálcio para a construção dos ossos, as que se distendem para a recobertura do intestino, as que desempenham complexas funções químicas no fígado, as que se transformam em filtros do sangue na intimidade dos rins e outras tantas que se ocupam do fabrico de substâncias indispensáveis à conservação e defesa da vida nas glândulas, nos tecidos e nos órgãos que nos constituem cosmo vivo de manifestação (...) " (11)
"No momento de encarnar, o perispírito une-se, molécula a molécula, à matéria do gérmen. Possui este uma força vital, cuja energia mais ou menos vigorosa, transformando-se em energia atual durante a existência, determina a longevidade do indivíduo (...)." (06) Esse gérmen está sujeito às leis da genética, isto e, a força vital sofre as ações modificadoras da herança dos pais, que lhe transmitem suas disposições orgânicas. Como já foi visto, a ação da força vital e que leva o perispírito a desenvolver suas propriedades funcionais.
O gérmen recapitula, de modo rápido, no seu desenvolvimento, as várias fases da evolução pelas quais a raça passou.
Da mesma forma que o psicossoma traz o registro de todos os estados do Espírito desde sua origem, assim também o gérmen material encerra as impressões de todas as etapas percorridas pelo psicossoma.
"(...) A idéia diretriz que determina a forma está, por conseguinte, contida no fluido vital, e o perispírito dele se impregnando, nele se transfundindo, a ele unindo-se intimamente, materializa-se o bastante para tornar-se o diretor, o regulador, o suporte da energia vi tal modificada pela hereditariedade. É graças a ele que o tipo individual se forma, desenvolve-se, conserva-se e se destroi (...)." (07)
O perispírito retém todos os estados de consciência, de sensibilidade e de vontade; guarda todos os conhecimentos adquiridos pelo ser. É a sede da memória."(...) É ele que armazena, registra, conserva todas as percepções, todas as volições e idéias da alma . E não somente incrusta na substância todos os estados anímicos determinados pelo mundo exterior, como se constitui a testemunha imutável, o detentor indefectível dos; mais fugidios pensamentos, dos sonhos entrevistos e formulados (...)." (03)
Todo o nosso passado nela fica armazenada. As varias etapas de nosso desenvolvimento estão ai registradas. É o conservador de nossa personalidade, dos elementos de nossa identificação.
Ao longo de sua imensa trajetória, desde quando a alma iniciou suas peregrinações terrestres, sob as formas mais inferiores, vem o perispírito registrando todas as experiências vividas pelo ser inteligente, incorporando uma bagagem crescente. "(...) Nada se destrói, tudo se acumula nesse perispírito tão imperecível e incorruptível como a força ou a matéria de que saiu. Os espetáculos maravilhosos que nossa alma contempla, as harmonias sublimes que se dilatam nos espaços infinitos, os esplendores da arte, tudo se fixou em nós, e nós para sempre possuímos o que pudemos adquirir. 0 mínimo esforço é levado mecanicamente ao nosso ativo, nada se perde, e assim é que lenta, mas seguramente, galgamos a escada do progresso (...)." (04)
É compreensível que os desregramentos, abusos, os atentados contra o corpo físico, as lesões aos direitos de outrem, também, tenham seu registro no corpo espiritual e venham a repercutir já na existência em que ocorrem ou em outra encarnação.
A esse respeito, ensina-nos Kardec que o duplo fluídico, como um dos elementos componentes do ser humano, alem do importante papel nos fenômenos psicológicos, tem a sua participação nas ocorrências fisiológicas a patológicas. (01)
Diz-nos André Luiz que "(...) a etiologia das moléculas perduráveis; que afligem o corpo físico e o dilaceram, guardam no corpo espiritual as suas causas profundas ", e acrescenta: "o remorso provoca distonias diversas em nossas forças recônditas, desarticulando as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições mórbidas para ;essa ou aquela enfermidade ( ..)." (09) -
Quando encarnado, há uma ligação estreita do Espirito ao corpo físico, através do perispírito, razão por que, qualquer modificação doentia, nas células nervosas do cérebro, importa numa alteração das faculdades espirituais .
Em condições normais, as sensações modificam a natureza das vibrações da força psíquica. Se essas modificações forem, pela sua intensidade e duração, de molde a ultrapassar um limite mínimo, as sensações serão registradas no perispírito de maneira consciente, isto é, haverá percepção, o Espírito toma conhecimento do que está ocorrendo. É a memória de fixação. Se esse limite mínimo não for atingido, haverá registro da sensação, mas no inconsciente.
Nem todas as sensações e recordações podem existir simultaneamente; há um enfraquecimento de seu ritmo que as leva a descer, gradativamente, abaixo do limite mínimo de percepção, pelo que entram na faixa do subconsciente .
'" Todos os atos da vida vegetativa e orgânica hão sido conservados no perispírito, por essa maneira, durante a evolução da alma através da série de formas inferiores." (05)
A repetição continuada de certos atos cria hábitos. No inicio, esses atos eram conscientes mas, com a repetição constante, exigindo menos tempo e esforço, foram-se tornando mecânicos até se fazerem automáticos e inconscientes.
A memória evocativa permite-nos lembrar os conhecimentos, através de ponto de referencia, de localização no passado bem conhecida por nós.
Por associação de idéias, esses pontos de referência nos ligam aos acontecimentos que se agrupam em seu redor, transportando-nos à época das ocorrências.
Para essa rememoração há que haver uma associação da vontade à atenção, donde resulta trazer-se à consciência as imagens recolhidas no arquivo perispiritual.


 

PROGRAMA V

ROTEIRO 6
 

FLUIDOS E PERISPÍRITO
VESTIMENTA DOS ESPÍRITOS

Os depoimentos dos médiuns videntes são coincidentes em descrever os Espíritos envergando, normalmente, uma vestimenta qualquer. Há sensitivos que registram os trajes dos Espíritos com grande riqueza de detalhes. Falam de variedades de feitios e de coloridos surpreendentes. Referem roupas de períodos históricos, típicas, com adornos característicos. São percebidos tecidos leves, esvoaçantes, rendados; pesados ou grosseiros; túnicas de cores as mais variadas; calcas, camisas, paletós, coletes, gravatas; saias compridas ou curtas; blusas ou casacos, vestidos, uniformes, indumentárias ricas, antigas ou modernas; roupas modestas, muito pobres e ate andrajosas ou esfarrapadas. Algumas vestimentas descritas primam pelo estampado de cores vivas, como é o caso de Espíritos que se apresentam sob a aparência de ciganos, exibindo, ainda, colares, brincos bem grandes, pulseiras. Alguns Espíritos se mostram envergando fardas militares bem antigas ou de épocas mais recentes; outros ostentam armaduras e capacetes e empunham armas. Há, também, aqueles que escondem total mente a cabeça com capuz.
Entre os trajes observados, a túnica e o mais comum.
Como bem refere a médium Yvonne A Pereira, os Espíritos, freqüentemente, se mostram trajados como o faziam quando no corpo físico: os homens com o terno que costumavam usar; as mulheres com os vestidos de uso habitual. Alguns poucos exibem a roupa com que foram sepultados. (05
E oportuno mencionar que alguns Espíritos podem ser observados totalmente despidos. A médium antes citada, em sua obra "Devassando o Invisível", falando de suas ricas observações através da vidência em estado normal ou em processo de desdobramento, afirma que "(...) há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens e mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo, em cenas degradantes, que lhes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem (...)." (06)
Mas, voltando às vestimentas, uma questão que, naturalmente, se impõe e saber onde os Espíritos conseguem suas roupas e complementos.
Em "A Gênese" e em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, encontra-se a resposta a essa indagação. Diz o Codificador da Doutrina dos Espíritos que estes manipulam os fluidos espirituais através do pensamento e da vontade. (...)Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluídos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas (...)." (01)
Os fluidos espirituais são, por conseguinte, o elemento do mundo espiritual donde os Espíritos extraem as substâncias para fins os mais diversos. "(...) ~ com o auxílio deste principio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espirito usava quando vivo (...)." (02)
Há Espíritos que já se percebem vestidos e não têm idéia de como isto se faz. Por outras palavras, nem sempre têm o conhecimento de como suas vestes são formadas. Eles concorrem para sua formação agindo instintivamente. (03) -
"(...) Os Espíritos se trajam e modificam a aparência das vestes que usam conforme lhes apraz, exclusão feita de alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui vibrações a altura de efetuar a admirável "operação plástica " requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade, ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, como que empapados de lama, ou embuçados em longos sudários negros, com mantos ou capas que lhes envolvem os ombros e a cabeça (...).(04)
Ensina Léon Denis, em Depois da Morte, que a veste fluídica denuncia a superioridade do Espírito; e como um invólucro formado pelos méritos e qualidades adquiridas na sucessão de suas existências. Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados e torna-se cada vez mais pura. Brilhante no Espírito elevado, ofusca nas almas superiores (...)." (07~;'

TEXTO E EXERCÍCIO
Muitas dessas entidades, porem, se debruçam sobre o nosso ombro e lêem conosco, interessadas, naquilo que estudamos, o que testemunha ser a vida espiritual simples como a nossa própria vida, a continuação desta, tão somente. Temos observado que algumas de tais entidades colocam os óculos a que estavam habituadas, quando encarnadas, para lerem melhor, conosco... Geralmente são, como ficou dito, leituras escolhidas as que fazemos, ou do Evangelho, que projetem com vigor a personalidade e os feitos do Cristo, ou de obras espíritas que melhor toquem o coração. Assim sendo, esses pequeninos e sofredores se afeiçoam ao médium que os ajudou nos dias difíceis e se tornam amigos fervorosos para todo o sempre, estabelecendo-se, então, indissolúveis elos de fraternidade
Há cerca de um ano, pela madrugada, estando nós ainda desperta, apresentou-se à nossa visão um Espirito cujo decesso carnal se teria dado entre os seus trinta e oito ou quarenta anos de idade. Trajava-se pobremente, com terno azul - marinho, já usado, camisa branca também bastante usada, gravata preta, atada com certo desleixo. Esquálido e abatido, infinitamente triste. Mas já resignado à própria condição, colocou a mão sobre a nossa, num gesto fraterno, e disse:
—Venho agradecer-lhe os votos feitos, em minha intenção, à bondade de Deus,.. buas preces me auxiliaram tanto que até minha família, que deixei na Terra, foi beneficiada... Chamo-me Joaquim.., e meu nome está no registro do meu caderno de apontamentos...
Constatávamos, então, que esse visitante fora suicida.. e, materializado, pudemos observar que havia tem em sua indumentária, isto é, impressões da porção de terra em que fora sepultado, assim como sua mente permanecia afeita ao vestuário que habitualmente usava quando vivo, e com o qual fora também para a sepultura. Como, efetivamente, possuímos um caderno onde registramos nomes de suicidas e pessoas falecidas em geral, conhecidos ou colhidos dos noticiários dos jornais, procuramos verificar se realmente existia nos ditos apontamentos aquele singelo nome. E encontramos, de fato, entre os suicidas, um Joaquim Pires; tratava-se, portanto, de um dos destacados dos noticiários dos jornais, recomendado para as preces e as leituras diárias. E estamos certa de que será um bom amigo, cuja afeição nos acompanhará pelo futuro afora...
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Ate o momento presente, os Espíritos mais bem "trajados", e mais belos que tivemos ocasião de observar através de materializações, durante a vigília e também no mundo invisível, por ocasião do desdobramento do corpo astral, foram os que passamos a citar. A entidade que se denominava Charles, martirizado por amor ao Evangelho no século XVI, na França, durante a célebre matança de S. Bartolomeu, comumente se deixa ver em trajes de iniciado hindu, tendo-se mostrado, uma única vez, em trajes de príncipe indiano, visto que no século XVII foi soberano na Índia. Frederico Chopin, que já variou a indumentária quatro vezes em suas aparições, deixando-se perceber, em duas delas, apuradamente trajado à moda da sua época (reinado de Luiz Filipe, na França), mas todo envolto como num luar azul translúcido, como neblina. Vítor Hugo, a quem só podemos distinguir o busto, também envolto em neblinas lucilantes, argênteas, com reflexos azuis pronunciados, sem que pudéssemos destacar o "feitio". dos trajes. A falange de iniciados hindus, de que somos pupila espiritual, com todos os seus Integrantes esforçando-se por serem contemplados em seu "uniforme " característico, as gemas do anel e do turbante inclusive, envoltos em neblinas lucilantes, com reflexos azuis. Lázaro Zamenhof, o criador do Esperanto, vaporoso mas muito humanizado em seu terno do século XX, circundado de um halo como que formado de ondas concêntricas, que indicaria o elevado trabalho intelectual (detalhe também observado em Vítor Hugo), e esbatida a sua configuração perispiritual por um jacto de luz radiosa, verde-claro, igualmente de forma concêntrica. E, finalmente, um vulto muito nobre, observado no ano de 1930, cuja identidade ignoramos, mas a quem denominamos Anjo Guerreiro, pelas particularidades do quadro em que se deixou contemplar. Acreditamos, porem, tratar-se de algum integrante da legião protetora do Brasil, ou do movimento espírita do Brasil. O certo era que trajava uma túnica grega, curta, atada por um cinto dourado; um diadema discreto, um simples friso de ouro, à cabeça, e guiando uma biga romana como que construída de alabastro. Com a destra, empunhava as rédeas, sem que, todavia, aparecessem os cavalos, e, com a sinistra, uma flâmula de grandes dimensões, alvinitente, onde se lia "Salve, Brasil imortal! ‘"
Estampava-se visivelmente, nessa entidade, assim materializada, o tipo oriental, o árabe, evocando também o tipo brasileiro muito conhecido no Estado de Goiás. Era jovem, belo e sorridente, e um luzeiro cor-de-rosa envolvia-o, espraiando-se em torno e se estendendo longamente sobre uma multidão que cantava hosanas e empunhava pequenas flâmulas, multidão que seguia em cortejo atrais da biga. Não nos estenderemos em particularidades quanto a essa visão, por não Julga-la interessante para estas páginas. No entanto, Jamais fomos informada da identidade de tão formoso Espírito, Acrescentaremos, apenas, que sua aparição assinalou etapa definitiva em nossa vida e em nossos labores espiritas.
 

Comumente, os Espíritos se nos apresentam trajados conforme o fizeram durante a existência carnal: os homens, com terno que habitualmente usavam, acentuando este ou aquele detalhe que melhor os identifique; as mulheres, com vestidos que, igualmente, de preferencia usavam. Mais raramente, alguns se deixam ver com a indumentária com que foram sepultados, e ainda outros com os trajes que desejariam possuir, mas que não chegaram a usar. Dois meses após o falecimento de nossa mãe, nós e mais três pessoas da família vimo-la, assistindo a uma reunião de preces em sua intenção, trajando um costume de gabardine azul-marinho, com um "cachecol" de seda quadriculada branca e preta, vestes por ela preferidas para as viagens que fazia em visita aos filhos, nos últimos meses que viveu. Uma tia nossa, a Sra. C. A. S., falecida no interior do Estado de São Paulo, em 1950, cerca de vinte dias após o trespasse apresenta-se à nossa visão , no Rio de Janeiro, dizendo ter vindo visitar-nos, pois se sentia saudosa. Vestia um costume preto, e um véu de rendas negras cobria-lhe inteiramente o corpo, partindo da cabeça e atingindo os pés. Sua configuração perispiritual, como vemos, era chocante. O véu incomodava-a horrivelmente e ela se debatia, aflita e Irritada, tentando em vão retira-lo de si. Agradecemos-lhe a visita e o interesse pela solidão em que vivíamos, pois, na ocasião, asseverou-nos encontrar-se penalizada ante as provações com que nos debatíamos, e convidamo-la a orar, a fim de se poder libertar daquele incomodativo manto , sem que , no entanto, nos fosse possível compreender o que poderia causar semelhante fenômeno. Cerca de um mês mais tarde, porém, soubemos, por pessoa da família presente ao seu funeral, que nossa tia fora sepultada com um costume azul-marinho escuro e um véu de rendas negras cobrindo-lhe o rosto e o corpo, exatamente a mantilha, tipo espanhol, que usava ao assistir a missas e tomar a comunhão, como católica que fora.
Uma filha do espiritista Sr. Antônio Augusto dos Santos, residente em Belo Horizonte, três dias após a morte de sua irmã Elizabete, :menina de catorze anos de idade, viu-a, pela madrugada, no seu próprio quarto de dormir, pairando no ar e trajando um suntuoso vestido de baile, tipo "Imperatriz Eugenia ". Tão feérica a luz que a circundava que, clareando todo o aposento, permitiu à vidente observar detalhes, tais como o desenho das rendas que ornavam o vestido, babados, fitas, flores, etc. Assevera a jovem vidente que o vestido era salpicado de pequenas pérolas, como gotas de orvalho, detalhe por nos também observado em duas das quatro indumentárias perispirituais apresentadas pela entidade Frederico Chopin. Porque seja inspirada e futurosa pintora, a filha do Sr. Antônio dos Santos, no dia seguinte, desenhou, com minúcias, a visão que tivera pela madrugada, dando a ver os detalhes do vestido que a menina morta absolutamente não possuíra quando viva.
Semelhante materialização, espontânea e inesperada, teve o dom de reanimar e consolar os desolados pais da jovem falecida, que se mantinham sucumbidos ante a acerba provação. Referir-nos-emos ainda ao mesmo fato, em capítulo posterior.
De outro modo, Espíritos plenamente espiritualizados, como Adolfo Bezerra de .Menezes e Bittencourt Sampaio, foram por nos distinguidos envergando longa túnica vaporosa, nívea, cintilante, levemente esbatida de azul. O primeiro costuma deixar-se ver, também, trajando avental de médico, com barrete, ao passo que o segundo, isto é, Bittencourt`, a quem uma única vez vimos, em dia de grande provação, há muitos anos, talvez pela sua qualidade de "poeta do Evangelho"., trazia uma coroa de louros, ou de mirto ou carvalho, como os antigos intelectuais gregos e latinos.

Apôs a leitura do texto, responda as seguintes questões:
01. Como justificar a porção de terra existente sobre a indumentária, do Espírito. Joaquim Pires citado no texto?
02. Relatar o tipo de vestimenta dos Espíritos citados no texto.
03. Certos Espíritos apresentam-se vestidos de roupas ou acessórios que os incomodam sem que deles possam se despojar. Justifique a causa desse fenômeno.
04. Pelo que foi ouvido na exposição introdutória pelo que foi lido, responda; :Os trajes dos Espíritos são criações conscientes ou inconscientes deles?
05. Explique a resposta anterior.
(*) PEREIRA, Yvone A. Devassando o Invisível. 4 ed. Rio de Janeiro. FEB, 1978, p. 51-55 .~.

TEXTO E EXERCÍCIO PARA O GRUPO 02
Teríamos que responder, visto que o dever de um médium é revelar com sinceridade, com a consciência voltada para Deus, o realismo do mundo invisível.
— Sim, há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens ou mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo em cenas degradantes, que Ihes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem. E o vidente, cujo compromisso é exatamente esse de se tornar Intermediário entre os dois planos da Vida há de contemplar e revelar, embora estarrecido e contrafeito, o realismo que seus instrutores espirituais Ihe permitem surpreender no Além - Túmulo, para satisfazer aqueles que desejarem informações sobre o palpitante assunto. Todavia, o comum é se apresentarem os desencarnados sob as aparências que mais Ihes agradem. Os fatos mais antigos ai estão, espalhados pelos séculos, atestando que, seja de fluido cósmico universal, de éter sublimado ou de fluido espiritual, de matérias quintessenciadas, de gases ou de vaporizações, ou simplesmente como decorrência de força mental projetada sobre as fibras supersensíveis do perispírito, o certo é que a maioria dos habitantes do Além se deixa ver com roupagens que variam do belo esplendoroso ao miserável e ao horrível.
Também os médiuns espiritas supunham que os desencarnados não se vestissem. Mas, diante do que a sua própria visão constata, que deverão eles afirmar senão o que Ihes dão a ver do mundo invisível ? Isto é, que vêem os Espíritos "trajados " de vários modelos, e que isso é o comum no plano espiritual? E, por vezes, até muito artística e suntuosamente trajados ? Lembremo-nos, então, da admirável resposta de Joana d'Arc
aos seus juízes, tratando de São Miguel, compreendendo que ela, há cinco séculos, não ignorava o que hoje a Doutrina Espírita expõe:
— Pensas que Deus não tem com que vesti-lo?...
Ou seja:
— Sim! Os Espíritos podem vestir-se, servindo-se dos ricos elementos esparsos pelo Universo, aos quais acionam voluntária ou insensivelmente, valendo-se das forças do pensamento e da própria vontade!
Ora, de tudo o que acabamos de observar, e atentos ao que expõem Allan Kardec, Léon Denis, Ernesto Bozzano, William Crookes, e outros, bem ao que os próprios desencarnados são incansáveis em confirmar, extrairemos as seguintes deduções:
1º — Que a mente do Espirito desencarnado cria para sua configuração individual a indumentária que deseja, valendo-se da própria vontade, segundo o próprio gosto artístico, a necessidade, a singeleza dos hábitos, a humildade do caráter e o grau de elevação moral-mental-espiritual, pois o Espírito possui liberdade e aptidões naturais para assim se conduzir.
2º — Que a mente do desencarnado também poderá evocar os hábitos e usos passados, conservar as imagens dos trajes que preferiu, mesmo em existência remota, e imprimi-las na sensibilidade plástica do perispírito, e assim se apresentar aos seus iguais de Além-Túmulo, como aos médiuns, em materializações espontâneas e individuais, ou provocadas para visão coletiva.
3º — Que o Espírito do recém desencarnado poderá padecer o fenômeno de repercussão vibratória dos acontecimentos verificados no corpo carnal, durante a crise do lento desligamento das energias fluídicas que o prendiam àquele, por ocasião do desenlace, sobressaindo no dito fenômeno o detalhe assaz impressionante da natureza da indumentária com a qual o sepultaram, fenômeno este, no entanto, geralmente ocorrido com as entidades muito arraigadas à matéria.
4º — Que o perispírito, cujas essências e propriedades são impressionáveis e, portanto, amoldáveis à ação plástica do pensamento, com uma sutileza indescritível; sendo expansível e contrátil; e exercendo a energia mental, sobre as mesmas propriedades, uma ascendência irresistível, dá-lhe aquela forma que desejar ou que puder, mesmo inconscientemente, mesmo à sua revelia, pois que esse poder mental é natural no ser psíquico, um atributo do Espírito, ainda que este o ignore, tal como a inspiração e a expiração são atributos irresistíveis e quase imperceptíveis da organização físico-material.
5º — Que, possuindo propriedades plásticas tão sutis e melindrosas, e sendo o Espírito arraigado à matéria, não obstante já desencarnado, repercutirão, por isso mesmo, em sua mente, ou no seu perispírito, as impressões mais fortes, ou acontecimentos, que afetem o próprio cadáver, dado que poderosas, transcendentes atrações magnéticas ligam ao corpo carnal o ser espiritual], para a boa marcha da encarnação terrestre, e que, em muitos casos, tais afinidades se prolongam por algum tempo ainda após a morte do envoltório carnal, e até mesmo após a sua total decomposição.
6º — Finalmente, que, a par de tal fenomenologia da mente e da vontade, existem no mundo espiritual elementos, fluidos, essências, gases, energias, matérias mui transcendentais, desconhecidas dos homens e das entidades inferiores e medíocres, as quais, acionadas pela vontade do desencarnado de elevada categoria moral-intelectual, se poderão transfundir em formosas aparências de indumentárias variadas, que ao vidente pareceriam muito concretas ( como realmente o são para o mundo espiritual) , estruturadas em ralos luminosos ou em vaporizações cintilantes.
0s homens, por sua vez, não se trajam, igualmente, com os produtos da própria mente? Porventura a lavoura do linho e do algodão, como a produção da seda; a maquinaria a das fábricas que tecem os seus fios, transformando-os em vistosos brocados e rendas custosas, não foram antes criações mentais para, em seguida, se concretizarem em vestuários ricos a suntuosos ? Quando o homem deseja alindar-se, não é a sua mente a primeira a criar aquilo que ele desejou, para depois ele próprio concretizar esse desejo, na matéria de que dispõe no plano terreno?... E o Universo Infinito, concreto, estável, eterno, não é o produto da Mente Divina? E não herda a Humanidade, do seu Criador, parcelas da Sua Superioridade ?...
Trabalhemos, pois, e vigiemos, para que um dia os produtos da nossa forca mental nos possam glorificar em Vestes de luz, na realidade da vida espiritual...

02
Texto: xerocar da pagina 57 (1° parágrafo) a 60, do livro Devassando o Invisível.
Após a leitura do texto, responda as seguintes questões:
01. Como se apresentam vestidos os Espíritos de baixa condição moral
02. Em que situações os Espíritos podem apresentar-se nus?
03. De sua opinião sobre as deduções a que a autora do texto chegou acerca da vestimenta dos Espíritos?
 

(*) PEREIRA, Yvonne A. Devassando o invisível. 4 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. P. 57 - 60

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 7

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL.
INFLUENCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS EM NOSSOS PENSAMENTOS E ATOS: TELEPATIA E PRESSENTIMENTOS.

Os Espíritos exercem tamanha influencia sobre os nossos pensamentos e atos que amiúde somos por eles dirigidos. (01)
Isto se da porque os Espíritos povoam os mesmos espaços em que vivemos, acompanham-nos em nossas atividades e ocupações, vão conosco aos lugares que freqüentamos "(...) intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos (...)"~(04) Estamos cercados por Espíritos, independentemente de sermos ou não médiuns produtivos, e a sua influência oculta sobre os nossos pensamentos e atos se faz sentir pelo grau de afinidade que mantivermos com eles.
Nessa convivência entre encarnados e desencarnados, a influencia às vezes e tão sutil que não conseguimos estabelecer uma separação entre o que nos e próprio e o que e dos Espíritos. Portanto, entre as nossas idéias e imagens mentais podem estar disseminadas idéias e desejos de outros Espíritos, sem que disto nos apercebamos.
Analisando a influência dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e atos, passamos a entender melhor o fenômeno vulgarmente denominado telepatia.
"A telepatia consiste essencialmente na ocorrência de uma impressão psíquica intensa, que se manifesta em geral inopinadamente, numa pessoa normal, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono, impressão que - como se observa - está acorde com um acontecimento desenrolado a distância (...)" (06)
A telepatia e a transmissão do pensamento de um ser para outro. "(...) Há, entre os Espíritos que se encontram uma comunicação de pensamento , que dá causa a que duas pessoas se vejam e compreendam sem precisarem dos sinais ostensivos da linguagem. Poder-se-ia dizer que falam entre si a linguagem dos Espíritos." (03) No fenômeno de telepatia sempre ha alguém que é mais apto para transmitir o pensamento, como existe outro com mais predisposição para ser receptor.
"(...) O estudo da telepatia data dos anos de 1825 quando, na Franca, se fizeram as primeiras experiências magnéticas (...) Foi (;..), só muito mais tarde, que se encarou a telepatia com seriedade científica (. . . ) ." (09)
"(...) O termo Telepatia foi proposto por Frederic Myers em 1882 e adotado nos trabalhos da "Society Psichical Research ". Myers assim o definiu:
"Entendo por telepatia a transmissão do pensamento e das sensações feita pelo Espírito de um indivíduo sobre outro sem que seja pronunciada uma palavra, escrito um vocábulo ou feito um sinal. "(10)
"(...) A telepatia, ou projeção à distancia do pensamento e mesmo da imagem do manifestante, faz-nos subir mais um degrau na escala da vida psíquica. Aqui, achamo-nos na presença de um ato poderoso da vontade. (...) As manifestações telepáticas não comportam limites. O poder e a independência da alma nelas se revelam soberanamente, porque o corpo nenhum papel representa no fenômeno. ~ mais um obstáculo do que um auxilio. Produzem-se, por este motivo, ainda com maior intensidade, depois da morte (...)." (11)
"(...) A telepatia pode ser expontânea ou experimental.
a) Telepatia expontânea - subdivide-se em:
1 Relativa a um acontecimento futuro iminente - Casos de pressentimentos, premonições, visões premonitórias, e aparições de moribundos. I
2. Relativa ao presente ou a um passado recente - casos de visões nítidas ou adivinhação de acontecimentos afastados (no estado normal ) . Casos de aparições de moribundos (...). Casos de aparições de vivos (...). Com freqüência, o fenômeno diz respeito a uma pessoa unida ao percipiente por laços de afeição mais ou me nos fortes (...)." (07)

b) Telepatia experimental - Esses casos, (...) traduzem uma impressão psíquica produzida à distancia sobre uma pessoa; e isso por outra pessoa, e simplesmente pela ação e forca da vontade (...).
É, de qualquer modo, imperioso reconhecer que a telepatia experimental encontra-se longe de ser estabelecida de modo tão nítido quanto a espontânea (...)." (08)
Abordaremos agora um outro tipo de influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos: O pressentimento.
"O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhos permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, e que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados " (05)
Nota-se que neste último caso, ou seja, o pressentimento como conseqüência de uma comunicação oculta, quem geralmente se comunica é um Espirito amigo e bondoso. É, no dizer dos Espíritos Superiores, "(...) o conselho intimo e oculto de um Espirito que vos quer bem (...)." (02)
Existem inúmeros exemplos de telepatia e de pressentimento na literatura espírita. Relataremos resumidamente alguns, escolhidos ao acaso:

" ( .... ) 'Minha mãe tinha dois tios clérigos: um era missionário na China, o outro, cura na Bretanha; tinham uma irmã, já de idade avançada, residente nos Voges.
Um dia esta pessoa estava ocupada em sua cozinha a preparar o repasto da família, quando se abriu a porta, e ela viu no limiar seu irmão missionário de que estava há longos anos separada:
—E' o irmão Francisco! —gritou ela e correu pira ele a fim de abraça-lo; mas, no instante em que chegava perto dele. não o viu mais, o que lhe causou um grande medo.
No mesmo dia à mesma hora, o segundo irmão, que era cura na Bretanha, lia seu breviário, quando ouviu a voz do irmão Francisco que Ihe dizia:
—Meu irmão, vou morrer.
Depois, ao cabo de um momento:
—Meu irmão, eu morro.
E enfim, alguns minutos depois
—Meu irmão, morri.
Alguns meses mais tarde, receberam eles a noticia da morte do missionário, verificada no mesmo dia em que tinham recebido tão estranhos avisos m, (12)

Este é um exemplo de comunicação telepática espontânea dada por um moribundo. Eis um caso de telepatia experimental, em que uma moça chamada Maria é magnetizada (hipnotizada) e passa a agir conforme as ordens do seu magnetizador

"(..)Quando despertardes, ireis procurar um copo, nele derramareis algumas gotas de água de Colônia, trazendo-mo em seguida."
Ao despertar, ela se acha visivelmente preocupada, não pode estar parada e vem por fim colocar-se a minha frente e me diz:
—Ora pois ! em que pensais ? e que idéia pusestes em minha cabeça!
—Por que me falais assim?
—Porque a idéia que tenho uso pode provir senão de vós, e eu não quero obedecer!
—Não obedeçais, se assim o quiserdes; mas exijo que me digais imediatamente o que pensais !
—Muito bem! cumpre-me ir buscar um. copo, enche-lo d'água, com algumas gotas d’água de Colônia e trazer-vo-lo: é realmente ridículo!
A minha ordem havia sido, pois, perfeitamente compreendida ..." (13)
 


O pressentimento pode manifestar-se através de uma vaga lembrança, que o Espírito tem de provas ou acontecimentos a que deverá submeter-se; pode, no entanto, ser produto da comunicação de um Espirito amigo. Pressentir hora da desencarnação, por exemplo, tem sido uma ocorrência ate certo ponto comum em muitas pessoas. E alguns pressentem sua desencarnação, porque foram avisados por parentes ou amigos em sonhos; em outros, - porém, a convicção se dá sem que saibam explicar o porquê. '
Existem inúmeros outros pressentimentos ocorridos no dia-a-dia do encarnado. Relataremos apenas um exemplo extraído da obra "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, volume II, de Camille Flammarion;
 

(...) Tive, (...) um dia, certo pressentimento ...
Dirigindo-me, certa manhã, para o Hospital Lariboisière, de que eu era externo, tive por um momento a idéia do que ia encontrar, na porta do hospital, o Sr. P.?., que só uma vez tivera ocasião de ver, oito meses antes, em uma casa amiga e que, desde essa data, jamais voltara a ocupar meu pensamento (,,, ) .
Não mo enganara de todo: à porta do hospital encontrei o Sr. P., que vinha com a Intenção de visitar, não o cirurgião em apreço, mas o chefe da serviço de obstetrícia (...).
G. Mesley
Estudante de Medicina, rue de L’Entrepôt, 27" (14)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 8
 

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL.
INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS NOS ACONTECIMENTOS DA VIDA.

"(.,,) Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ações por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e multo natural o que se executa com o concurso deles.
Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; Inspirando a alguma idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre-arbítrio '' (04)
Os Espíritos exercem influência sobre os encarnados quer aconselhando-os quer agindo diretamente sobre os acontecimentos da vida, porem "(...) nunca atuam fora das leis da Natureza (...)." (04)
" Já não sendo o mesmo que no estado de encarnação o meio em que atuam os Espíritos e os modos por que atuam, diferentes são os efeitos, que parecem sobrenaturais unicamente porque se produzem com o auxilio de agentes que não são os de que nos servimos Desde, porém, que esses agentes estão na Natureza e as manifestações se dão em virtude de certas leis, nada há de sobrenatural, ou de maravilhoso. (...)(01)
"(. . .) Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira.(...) "(02)
"(...) Os fenômenos espiritas consistem nos diferentes modos. de manifestação da alma ou Espirito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; " julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. (...)" (03)
A influência, dos Espíritos nos acontecimentos da vida pode ser boa e má. Os Espíritos Superiores só fazem o bem. Os Espíritos levianos e zombeteiros se comprazem em causar aborrecimentos, os quais devem ser entendidos como provas para a nossa paciência. Os Espíritos imperfeitos, incapazes de perdoar qualquer mal que lhe tenham feito, continuam, após a desencarnação "(...) a exercer as vinganças que vinham tomando (...)' (06); esta aí a causa de muitas obsessões tão conhecidas no meio espirita.
"(...) Aprende-se em Espiritismo que, embora a nossa disposição constitua substancial fator no sentido de neutralização da influência que os adversários dos dois planos nos movem, a intercessão benfeitora e indiscutível, real e valiosíssima no trabalho de anulação das forças desequilibradas e perturbadoras que rondam e ameaçam quantos se proponham a crescer em espirito (...)." (08)
"(...) Espíritos benfazejos procuram inspirar-nos para o Bem. Espíritos inferiorizados buscam induzir-nos ao Mal (...).
Os primeiros, cumprem missão renovadora, junto à Humanidade (...).
São Missionários do Amor.
Os segundos, influenciam em sentido contrário Na indução para mal, não - cumprem missão (...),
São os instrumentos da sombra (...)".(09)
É conveniente ressaltar, porem, que a maioria dos males que nos acontecem dependem de nós mesmos evitá-los, quando menos, atenuá-los. Isto porque Deus nos deu inteligência para dela nos servirmos e através dela obter o auxilio dos Espíritos Superiores. (07)
Para que um Espirito, bom ou mau, influencie e interfira nos acontecimentos da vida, foi preciso ter havido sintonia com ele. E "as bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e encarnados, repousam na mente, não obstante as possibilidades de fenômenos naturais, no campo da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente consagradas à caridade sacrificial
( )." (10)

ANEXO

TEXTO PARA ESTUDO EM GRUPO
André Luiz nos relata em E a Vida Continua... as dores e alegrias de dois personagens da obra, Evelina Serpa e Ernesto Fantini, que retornam, como Espíritos desencarnados, ao reduto familiar deixado na Terra.
A visita desses Espíritos aos familiares, após dois anos de morte física é caracterizado por um doloroso drama humano quando Evelina revê o marido - Caio Serpa - em comunhão afetiva com Vera Celina, a mesma jovem que o afastara dos deveres conjugais, antes mesmo da sua desencarnação. O drama de Evelina é maior quando percebe que a jovem que se interpôs entre ela e o marido e a filha querida do fiel amigo Ernesto Fantini. Mais tarde, numa demonstração de renuncia e sublimação do amor pelo marido deixado na Terra, Evelina o influencia espiritualmente, a fim de que ele, Caio Serpa, ampare a jovem, casando-se com ela.
O fato a seguir, se passa num cemitério por ocasião da morte física de Elisa Fantini, a genitora de Vera Celina:

Não podia perceber que Evelina, em espírito, ali estava, rente a ele, diligenciando acordá-lo para a verdade.
- Caio, que fazes da vida ? - Ela perguntou, docemente.
O advogado não registrou a indagação com os tímpanos corpóreos, mas ouviu-a na acústica da alma e julgou monologar: " Caio, que fazes da vida ?! "Repetiu, inconscientemente, as palavras da companheira desencarnada, no ádito da própria consciência, e passou a considerar que o tempo fugia sem que se desse conta de si mesmo... Em que valores permutara o patrimônio das horas? Em que recursos convertia a saúde e o dinheiro ? que bênçãos já teria espalhado com o título acadêmico que ostentava ? Na condição de amigo, exterminara um companheiro, na posição de esposo, não tivera coragem de ser bom para a mulher, quando sitiada pela doença !
O olhar se lhe esbarrou, sem querer, no ritual do sepultamento de Elisa e inquiriu, de si mesmo, o que teria representado para a morta... Sinceramente, não se sentia bem consigo próprio, realinhando na imaginação a impaciência e a dureza com que sempre a tratara, preocupado em arrebatar-lhe a ternura da filha...
Avaliando as péssimas notas que a consciência, embora de longe . fixou Vera, a esquadrinhar-lhe o íntimo, através do semblante.
- Caio - assoprou-lhe Evelina aos ouvidos da alma - , pense nos teus compromissos... É tempo de legalizar a situação da jovem que se entregou a ti sem qualquer restrição...
Convencido de que conversara de si para consigo, Serpa reproduziu a interpelação, no campo mental. Em silêncio, sem perceber que a esposa desencarnada lhe colhia as respostas. Supondo desenvolver tão somente um processo de autocrítica, monologou sem palavras: " legalizar a situação com Vera ? casar-me? Porque ? ".
Sim, aprovava, prometera-lhe matrimônio, mas não se resignava a aceitar a medida sem maior observação. Já fora homem preso a obrigações de marido e não se propunha a retomar a afeição recheada a constrangimentos. Alem disso, matutava, dava-se por homem robustecido na experiência do mundo. Escutara em sociedade muitas referencias desprimorosas, ao redor da filha de Elisa, que não a recomendavam para esposa. De rapazes diversos, obtivera apontamentos que Ihe enodoavam a ficha de mulher. Porque entregar seu nome a uma criatura tida por inconstante ?
— Caio, quem és tu para julgar?
A interrogação de Evelina percutiu na alma dele em forma de idéia fulgurante que o enterneceu e assustou...
E qual se pensasse em voz alta, a falar espiritualmente para si próprio, recebia novas exortações, semelhando impactos da verdade a Ihe atingirem o ádito do próprio ser:
— Caio, quem és tu para Julgar ? não és igualmente de ti mesmo, alguém onerado com débitos escabrosos perante a Lei ? a que título, condenar sumariamente uma Jovem, prejudicada pelos enganos da sua condição de menina moralmente desamparada?!. . .
Na base das advertência que Ihe eram endereçadas, prosseguia indagando-se... Seria justo abusar dela agora que se via praticamente só no mundo? se a desprezasse, para onde iria ? E quem era ele, Caio Serpa, senão um homem no rumo da madureza, reclamando a dedicação de alguém para que o comboio da vida se não Ihe descarrilasse ? Conhecia ele toda a escala dos prazeres físicos e que lucrara finalmente com isso, se levava toda manifestação afetiva para o terreno da Irresponsabilidade e do abuso ? que recolhera senão cansaço e desilusão das noitadas barulhentas. cheias de vozes e vazias de sentido? até ali, que lembrasse, nunca ajudara a ninguém. Sabia ser afável até o ponto em que as circunstancias não o descontentassem. Bastava porém, um ponto, um leve ponto a contrariá-lo, em quaisquer acontecimentos, para que se internasse nessa ou naquela escapatória no claro intuito de não se incomodar. Não teria chegado o momento de auxiliar a outrem, agir a favor de alguém? De começo, empenhado à conquista , cumulara Vera de gentilezas. carinhos. Enredara-lhe as atenções. Depois, o fastio daqueles que não mais sabem amar, quando a chama do desejo se Ihes extingue na candeia da forma. Entretanto, não lhe era licito negar que a moça Ihe dera os mais altos testemunhos de confiança. Vera Celina se Ihe entregara, de todo. E, por fim, não vacilara humilhar a própria genitora, a fim de colocar-lhe nas mãos todos os bens...
Serpa registrava todos os argumentos da companheira desencarnada, à feição de urna lâmpada que se julgasse fonte da luz de que se beneficia, a ignorar que a recolhe da usina.
E opunha contraditas:
—Consorciar-me? prender-me? porquê? não tenho toda a satisfação do homem casado, sem as pelas do matrimônio 7
E a voz de Evelina a ressoar-lhe novamente no espirito:
—Sim, és o elemento - comando da união; entretanto, como não te garantires contra as tentações do futuro, como não te imunizares contra as tuas próprias inclinações para a aventura, doando a ela — o elemento obediência —a tranqüilidade de que carece para servir-te? Acaso te Julgas livre das tendências à leviandade que te assinalam o campo afetivo? Não será recomendável Ihe assegures a paz, preservando a paz de ti mesmo, pela submissão às disciplinas justas da vida? Pensa! Imagina-te à frente de tua própria mãesinha, Já que quase todo homem procura na esposa, acima de tudo, o apoio maternal que a madureza furtou da infância... Estimarias que um homem, na hipótese o teu próprio pai, Ihe espancasse os mais puros anseios do coração? Porventura não se tornaria ela mais digna do teu amparo e do teu carinho, se a visses brutalizada. desamparada, esquecida por aquele mesmo a quem se rendeu confiante ? porque alegares sofrimentos passados para menoscabar a criatura que amas, se semelhantes provações fazem dela alguém com mais acentuada necessidade de tua proteção e entendimento
Das admoestações propriamente consideradas, a ex-senhora Serpa se transferiu para reflexões de otimismo e esperança:
— Calo, medita!..., Vera não te confiou parcos recursos materiais à administração! Dispões de patrimônio apreciável para organizar uma família... Pondera quanto às bênçãos do futuro! Escuta! Creias ou não em Deus e na sobrevivência do espírito, alem da morte, carrega contigo um doloso problema, até agora inarredável da mente: o remorso pelo homicídio praticado, a lembrança de Túlio Mancini, abatido por tuas mãos! Escapas, no rumo de prazeres que não te diminuem a mágoa, e tentas, em vão, bloquear reminiscências amargas que te assediam constantemente... Ser pai, cuidar de filhos queridos, não te será na Terra a mais elevada compensação ? O matrimonio com Vera te Investirá legalmente na posse de recursos a serem valorizados e aumentados, garantindo, aos filhinhos vindouros, segurança e conforto, alegria e educação! ...
Um lar, Caio! . . . Um lar, onde possas descansar, renovar-te, esquecer! . . . Filhos em que te revejas e o convívio de Vera, cuja presença te lembrará o refúgio maternal! . . .
Diante daquelas santas evocações de paz e venturas que jamais experimentara, pela primeira vez, depois de muitos anos, Serpa chorou...
Evelina continuava:
— Sim, .- Caio, lava o coração na corrente das lágrimas! . . Chora de esperança, de júbilo! Confiemos em Deus e na vida!... o Sol que hoje se põe, voltará amanhã! Contempla estas lousas, fita os sepulcros afrente! De todos os lados, explodem verdura e flor, a dizerem que a morte é ilusão, que a vida triunfa, bela e eterna! ... De um outro mundo, os que te amam regozijar-se-ão com os: teus gestos de entendimento' Túlio te perdoará, Elisa há de abençoar-te! ... Coragem, coragem! . . .
O causídico, surpreso, incapaz de identificar-se visitado pelo espirito da companheira de outros tempos, reconhecia-se subitamente consolado e eufórico, tangido por suave renovação, nos recônditos do ser.
A maneira de um doente que encontrara o remédio providencial e a ele se agarrasse, na sede da própria cura, instintivamente decidiu-se a não perder o precioso momento de exaltação construtiva em que entrara.
—Vamos!... —insistiu Evelina — concede agora. mas claramente agora, a nossa Vera a certeza de que a protegerás num casamento digno! . . .
Sucedeu o inesperado.
Habitualmente agressivo e rebelde, Caio Serpa arrancou-se, humilde, do lugar em que se plantara, avançou sempre abraçado pelo espirito da ex-esposa, na direção do grupo em que a jovem se apoiava... Ali, de pensamento conjugado ao da mensageira espiritual, observou a moca sob novo prisma. Pareceu-lhe que começava a ama-la de maneira diversa. Viu-a mais cativante na dor que demonstrava, percebeu-lhe a solidão e a sede justa de companhia. As súbitas, reconheceu-se também só, a requisitar-lhe mais intensivamente a dedicação e o carinho para viver.
Já não sabia, naquele inolvidável instante, se a queria com a impertinência de um homem ou com a ternura de um pai...
Abordando-a, tomou-lhe o braço, de leve, e comunicou-lhe, em voz alta, no propósito de alicerçar a própria declaração com o testemunho dos amigos presentes:
—Vera, não chore mais... Você não está sozinha! Amanhã mesmo, cogitaremos de organizar a documentação precisa para casar-nos tão breve quanto possível! ...

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 09

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL
AFEIÇÃO QUE OS ESPÍRITOS VOTAM A CERTAS PESSOAS.


Os Espíritos devotam afeições aos encarnados de acordo com as leis de afinidades existentes entre eles.
"(...) Os bons Espíritos simpatizam. com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar-se tais. Daí suas afeições, como conseqüência da conformidade dos sentimentos." (01)
O ser humano tem, "(...) no Mundo Espiritual, amigos a intercederem por sua felicidade, a fim de assegurar-lhe a estabilidade de que necessita para lutar e servir, amar e vencer, apesar do assedio dos desencarnados que lhe foram comparsas ;,em dramas do passado.(...)
São esses Amigos de Mais Alto que acordam a esperança e restauram o bom ânimo nos que se vêem a braços com assédio de ordem espiritual (...)." (05)
Sabemos que os Espíritos Superiores nutrem sentimentos elevados para com os encarnados e para com outros desencarnados. As ligações afetivas de tais Espíritos nada têm que lembre afeições carnais. Entendemos, porem, que tal nem sempre ocorre com Espíritos inferiores. "(...) A verdadeira afeição nada tem de carnal; mas, quando um Espirito se apega a uma pessoa, nem sempre o faz só por afeição. A estima que essa pessoa Ihe inspira pode agregar-se uma reminiscência das paixões humanas." (02) ~
Os bons Espíritos sempre se preocupam com os nossos males, do mesmo jeito que com partilham das nossas alegrias. É conveniente, no entanto, recordar que existem dois tipos de males que podem afligir os encarnados: os físicos e os morais.
"(...) Sabendo ser transitória a vida corporal e que as tribulações que lhe são inerentes constituem meios de alcançarmos melhor estado, os Espíritos mais se afligem pelos nossos males devidos a causas de ordem moral, do que pelos nossos sortimentos físicos, todos passageiros.
Pouco se incomodam com as desgraças que apenas atingem as nossas Idéias mundanas, tal qual fazemos com as mágoas pueris das crianças.
Vendo nas amarguras da vida um meio de nos adiantarmos, os Espíritos as consideram como a crise ocasional de que resultará a salvação do doente. Compadecem-se dos nossos sofrimentos, corno .nos compadecemos dos de um amigo. Porém, enxergando as coisas de um ponto do vista mais justo, os apreciam de um modo diverso do nosso. Então, ao passo que os bons nos levantam o Animo no Interesse do nosso futuro, os outros nos impelem ao desespero, objetivando comprometer-nos." (04)
E, dentre os males morais que mais afligem os Espíritos, por nossa causa, destacam-se o egoísmo e a dureza dos nossos corações. (04)


 

PROGRAMA V

ROTEIRO 10

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL
ESPÍRITOS PROTETORES

A ninguém deixa Deus de auxiliar e amparar! Não existe orfandade em parte alguma do Universo. Onde e como estivermos existem Espíritos a nos orientar: São os Espíritos protetores.
A proteção desses Espíritos se manifesta de acordo com a hierarquia espiritual ocupadas por eles. Basicamente, e a seguinte:
a) "( ) Espirito protetor, anjo da guarda, ou bom gênio é o que tem por missão acompanhar o homem na vida e ajudá-lo a progredir. É sempre de natureza superior, com relação ao protegido (...)". (01)
A missão do Espirito protetor, ou anjo guardião, é "(...) a de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida '. (02) O Espirito protetor se dedica ao protegido "(...) desde o nascimento até a morte e muitas vezes o acompanha na vida espirita, depois da morte, e mesmo através de muitas existências corpóreas, que mais não são do que fases curtíssimas da vida do Espírito". (03)
b) "( ) Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis, com o fim de lhes serem úteis, dentro dos limites do poder, quase sempre muito restrito, de que dispõem. São bons, porém muitas vezes pouco adiantados e mesmo um tanto levianos. Ocupam-se de boamente com as particularidades da vida intima e só atuam por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores (...)" (01)
c) "( ) Os Espíritos simpáticos são os que se sentem atraídos para o nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal. De ordinário, a duração de suas relações se acha subordinada às circunstancias (...)". (01)
d) "( ) O mau gênio e um Espírito imperfeito ou perverso, que se liga ao homem para desviá-lo do bem. Obra, porem, por impulso próprio e não no desempenho de missão. A tenacidade da sua ação está era relação direta com a maior ou menor facilidade de acesso que encontre por parte do homem, que goza sempre da liberdade de escutar-lhe a ,voz ou de lhe cerrar os ouvidos." (01)
Devemos, ainda, compreender o significado espirita de anjo, que é diverso daquele dado por várias seitas religiosas, que o representam como uma figura distante da realidade da vida, geralmente envergando túnica alvíssima, aureolado de luminosidade, possuidor de duas enormes asas e que vive em beatitude no céu. Para o Espiritismo "(...) os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porem, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosos, tendo ainda nele um meio de progresso". (05)
Um Espirito protetor poderá, em determinadas circunstâncias, afastar-se do protegido: "(...) Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influência dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame (...)" (04)
A certeza da existência de protetores espirituais a velar-nos os passos, amparando-nos nas dificuldades próprias da evolução' iluminando-nos a mente e o coração na longa estrada da vida, sustentando-nos nos momentos amargos, quando a dor nos visita, animando-nos ante as provas da vida, partilhando das nossas alegrias e rejubilando-se com o nosso progresso moral, é algo grandemente consolador, que nos mostra, mais uma vez, o imenso amor do Pai Celestial para com todos os seus filhos.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 11

O FENÔMENO DE INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
O FENÔMENO MEDIÚNICOS ATRAVÉS DOS TEMPOS

O fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo. Existe desde as épocas mais remotas da vida humana planetária.
Temos noticias das comunicações mediúnicas ao longo dos tempos, entre homens cultos e ignorantes, envolvidas ora com a sombra do mistério e simbologia, ora manifestadas como fatos naturais.
De acordo com os povos , os costumes e a época, os Espíritos comunicantes e seus médiuns provocaram fenômenos mediúnicos prodigiosos que foram assinalados pela História ou pelas religiões como milagrosos ou demoníacos.
Digno de destaque, é que em todas as idades da Humanidade, somos assistidos por Espíritos superiores que nos impulsionam para o progresso moral - intelectual. "(...) Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes industrias, as cidades, os países tem seus patronos, que mais não são do que Espíritos superiores sob várias designações (...).
Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os hábitos, o caráter dominante e as leis. As leis sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete nas suas leis. (...) Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de homens, facilmente se forma idéia da população oculta que se lhes imiscui no modo de pensar e nos atos." (01)
"O profetismo em Israel, durante vinte consecutivos séculos, e um dos fenômenos transcendentais mais notáveis da História (...).
A origem do profetismo em Israel é assinalada por imponente manifestação. Um dia. Moisés escolhe 7 anciãos e os coloca ao redor do tabernáculo. Jeová revela sua presença em uma nuvem (...). Jeová é um dos Eloim, Espíritos protetores do povo judeu e de Moisés em particular (...).
Assim começa o profetismo, ou mediunidade sagrada, em Israel. Moisés, iniciado nos mistérios de Isis, (...) e sobretudo em conseqüência de suas relações familiares com seu sogro Jetro, grão - sacerdote de Heliópolis, foi a seu turno o grande iniciador psíquico de seu povo, antes de se lhe constituir em seu imortal legislador (...)". (02)
"(...) Moisés é vidente e auditivo. Ele vê Jeová, o Espirito protetor de Israel, na sarça do Horeb e no Sinai. Quando se inclina diante do propiciatório da arca da aliança escuta vozes ("Num", VII, 89). É médium escrevente quando, sob o ditado de Eloim, escreve as tábuas da lei; (...) magnetizador poderoso, quando fulmina com uma descarga fluídica os hebreus revoltados no deserto; médium inspirado, quando entoa seu maravilhoso cântico após a derrota de Faraó. Moisés apresenta ainda o gênero especial de mediunidade - a transfiguração luminosa - (...). Quando desce do Sinai, traz na fronte um aureola de luz (...)". (04)
Samuel, outro profeta judeu, "( ..) dormindo no templo, e muitas vezes despertado por vozes que o chamam, lhe falam no silêncio da noite e lhe anunciam as coisas futuras (I, "Reis", III, 1 a 18).
Esdras (liv. IV, cap. XIV) reconstitui integralmente a Bíblia que se tinha perdido (...)" (05) sob o auxílio espiritual denominado "A voz". (05)
"(...) Todo o livro de Job está repleto de iluminações e de inspirações mediúnicas. Sua própria vida, atormentada de maus Espíritos, é um assunto de estudos muitíssimo sugestivos (...)". (05)
~ A história da mediunidade dos profetas judeus encerra-se com a vinda de Jesus. A "(...) passagem do Mestre junto aos homens (...), a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte (...).
(...) No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes (...)". (11)
Assim, "(...) O Evangelho, (...) não é o livro de um povo apenas, mas o código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, (...) porque representa, (...) a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus-Cristo empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem (...)" (12)
Na velha Grécia, o grande Sócrates refere-se, na voz dos seus discípulos, "(...) ao amigo invisível que o acompanhava constantemente (. .)". (13)
"(...) Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo (...)". (13)
''(...) No silêncio do deserto, (...), Maomet (...), o fundador do Islam, redige o "Alcorão" sob o ditado de um Espirito, que adota, para se fazer escutar, o nome e a aparência do anjo Gabriel (...)". (06)
Na Idade Media, época de obscurantismo, os médiuns ou são perseguidos e maltratados como feiticeiros ou são elevados à categoria de santos.
"(...) Em sua aventurosa missão, Colombo era guiado por um gênio invisível. Tratavam-no de visionário. Nas horas das maiores dificuldades, escutava uma voz desconhecida murmurar-lhe ao ouvido: "Deus quer que teu nome ressoe gloriosamente através do mundo; ser-te-ão dadas as chaves de todos esses portos desconhecidos do oceano (...).
A vida de Joana d’Arc está na memória de todos. Sabe-se que, em todos os lugares, seres invisíveis inspiravam e dirigiam a heróica virgem de Domrémy. (...) Surgem aparições diante dela; vozes celestes ciciam-lhe ao ouvido. Nela, a inspiração flui como o borbotar de uma torrente impetuosa (...)". (07)
Ainda na Idade Media, outros médiuns importantes se revelam: Dante Alighieri, que sob influencia espiritual redige "A Divina Comédia" ; Tasso, sob inspiração do Espirito Ariosto, escreve o poema Renaud; Milton escreve o Paraíso Perdido, Shakespeare nos fala sobre aparições em Hamlet.
Há ainda Goethe."(...) O "Fausto" é uma obra mediúnica e simbólica de primeira-ordem (...)" (08)
No século dezoito destaca-se o médium Emmanuel Swedenborg. No século dezenove, reencarnam médiuns com a missão de comprovarem a realidade espiritual. Entre eles citamos: Davis, Eusapia Paladino, Amália Domingo y Soler, Stainton Morses, Wera Krijanowsky, Madame D'Esperance, Florence Cook, Slade, Catarina e Margarida Fox, Sra. Hauffe, Ana Rothe, etc.
Neste breve retrospecto podemos verificar que a mediunidade ;é algo intrínseco do próprio homem desde os tempos imemoriais. E mais: a base religiosa do homem está fundamentada nas manifestações mediúnicas, como pudemos ver no breve estudo das origens do judaísmo, cristianismo, islamismo e das seitas ditas orientais, como o bramanismo, o budismo, entre outras.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 12

O FENÔMENO DA INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
OS MÉDIUNS PRECURSORES.

No livro História do Espiritismo, Arthur Conan Doyle considera três médiuns como precursores da Doutrina Espirita: Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis.
"(...) Para compreender completamente um Swedenborg é preciso possuir-se um cérebro de Swedenborg; e isto não se encontra em cada século (...).
Nunca se viu tamanho amontoado de conhecimentos. Ele era, antes de mais nada, um grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia. Foi o engenheiro militar que mudou a sorte de uma das muitas campanhas de Carlos XII, da Suécia. Era uma grande autoridade em Física e em Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre as marés e sobre a determinação das latitudes. Era zoologista e anatomista. Financista e político (...). Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia (...). Seu desenvolvimento psíquico ocorrido aos vinte e cinco anos, não influiu sobre a sua atividade mental (...)". (02)
"(...) As faculdades mediúnicas de Emmanuel Swedenborg, o filósofo sueco, são atestados pela célebre carta de ~ Kant à Srta. de Knobich (...)."(1)
"(...) Emmanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1688 e desencarnou em Londres, em 1772. (...) Foi notável médium vidente e publicou muitos livros em Latim. Via, normalmente, cenas do mundo espiritual e os desencarnados que conhecera em vida. Foi dos primeiros a descrever o ectoplasma como o "vapor aquoso muito visível e que caia no chão, sobre o tapete". Verdadeiro pioneiro do movimento espírita. Conversava com os mortos, (...) e falava de uma nuvem psíquica grosseira (de baixa vibração) que envolvia a Terra e sua Humanidade. Publicou numerosas obras: Céu e Inferno, A Nova Jerusalém, Arcana Celeste, A Verdadeira Religião Cristã, Sabedoria Angélica, O Amor Conjugal, Apocalipse Revelado, etc. (...)" (9)
Swedenborg "(...) verificou que o outro mundo, para onde vamos apôs a morte, consiste de várias esferas (...); cada um de nós Irá para aquela a que se adapta a nossa condição espiritual. (...) Viu casas onde viviam famílias, templos onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais, palácios onde deviam morar os chefes.
A morte era suave, dada a presença de seres celestiais que ajudavam os recém-chegados na sua nova existência (...).
Havia anjos e demônios, mas não eram de ordem diversa da nossa: eram seres humanos, que tinham vivido na Terra e que ou eram almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos.
De modo algum --dizia - mudamos com a morte (...)"(03) O homem leva para o Mundo Espiritual "(...) os seus hábitos mentais adquiridos, as suas preocupações, os seus preconceitos (...).
Não havia penas eternas. Os que se achavam nos infernos podiam trabalhar para a sua saída, desde que sentissem vontade (...j.
Havia o casamento sob forma de união espiritual (...).
'Não havia detalhes insignificantes para a sua observação no mundo espiritual. Fala de arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos, dos bordados, da arte, da musica, da literatura, da ciência, das escolas, dos museus, das academias, das bibliotecas e dos esportes (...)". (03)
"(...) Edward Irving pertence àquela mais pobre classe de trabalhadores braçais escoceses (...). Irving nasceu em Annan, em 1792. Depois de uma juventude dura e aplicada ao estudo, desenvolveu-se como um homem muito singular. Fisicamente era um gigante e um Hércules em força (...). Sua' inteligência era máscula, ampla e corajosa, mas destorcida pela primeira educação na acanhada escola da Igreja Escocesa (...)". (04)
Era, Edward Irving, pela severidade do protestantismo em que fora criado, um "(...) homem estranho, excêntrico e formidável (...)". (04) Quando adulto, tornou-se pastor da Igreja Escocesa, inicialmente como ministro assistente do "(...) grande Dr. Chalmers, que era então o mais famoso clérigo da Escócia (...)". (05) Mais tarde, foi trabalhar numa pequena igreja escocesa, em Londres. Foi nessa igreja que Edward pôde exibir toda "(...) a sua eloqüência sonora e as suas luminosas explicações do Evangelho (...)" (05) atraindo em conseqüência, enorme multidão. Por este fato, "(...) foi transferido para uma igreja maior, em Regent Square, com capacidade para duas mil pessoas. (...) De lado a sua oratória, parece que Irving foi um pastor consciencioso e muito trabalhador (...), sempre pronto dia e noite, no cumprimento de seu dever (...)". (05)
Edward criou serio problema com a Igreja pelas suas opiniões teológicas - se o Cristo poderia ou não pecar sendo, por isso, condenado pelo presbitério
As coisas estavam assim quando, na igreja de Irving, começaram a surgir fenômenos mediúnicos, sobretudo os de voz direta. Inicialmente, ouviam-se gritos como de um possesso, em outros momentos, os gritos eram de homens e mulheres, numa linguagem incompreensível, "(...) sons rápidos, queixosos e ininteligíveis (...)!' (06) Ao lado das vozes ouviam-se, em intensidade cada vez maior, ruídos e outros sons. As vozes acalmavam-se, ou silenciavam os sons em muitos dos apelos de Irving (05, 06); tudo isso porém gerou uma incompreensão geral da Igreja Protestante (07) e "(...) Irving viveu muito intensamente e as sucessivas crises por que passou o esgotaram. (...) Era um galho cortado da árvore e ia secando. (...) Aquele gigante de meia-idade murchou e encolheu.
Seu arcabouço vergou. As faces tornaram-se cavadas e pálidas. () E assim, trabalhando ate o fim, tendo nos lábios palavras "Se eu morrer, morrerei com o Senhor", a sua alma passou para aquela luz mais clara e mais dourada (...)". (7)
Andrew Jackson Davis foi um notável médium, cognominado o "Pai do Espiritualismo Moderno, O Profeta da Nova Revelação ou ~ Allan Kardec americano", por ter anunciado o advento ao Espiritismo.
"(...) Filho de pais humildes e incultos, nasceu, em 1826, num distrito rural do Estado de New York (EUA), às margens do rio Hudson, entre gente simples e ignorante. Era um menino pouco atilado, falto de atividade intelectual, corpo mirrado, sem nenhum traço que denunciasse a sua excepcional mediunidade futura (...)
(...) Quando em transe, falava várias línguas, inclusive o hebraico, todas dele desconhecidas, expondo admiráveis conhecimentos de Geologia e discutindo (...), questões de Arqueologia histórica e bíblica, de Mitologia, bem como temas lingüísticos e sociais - apesar de nada conhecer de gramática ou de regras de linguagem ~ sem quaisquer estudos literários e científicos (...)." (11)
Davis sendo clarividente e audiente, foi, no inicio, usado por Livingstone para "(...) diagnósticos médicos. (...)" (08) Davis "(...) descrevia como o corpo humano se tornava transparente aos seus olhos espirituais (...) Cada órgão aparecia claramente e com uma radiação especial e peculiar, que se obscurecia em caso de doença (...)" (08)
"(...) Era inspirado e orientado pelo Espírito Swedenborg.
Deixou numerosos livros mediúnicos sob a denominação genérica de Filosofia Harmônica e Revelações Divinas da Natureza.
Em A Grande Harmonia descreve a morte de uma senhora, observando revelando os detalhes da partida do Espirito.
Previu o advento do automóvel, da máquina de escrever e predisse o aparecimento do Espiritismo no livro Princípios da Natureza (...)" (1O)
"(...) Nas viagens que, desprendido do corpo, fez ao Mundo dos Espíritos, Davis presenciou, num lugar a que chamou "Summerland", a educação harmoniosa das crianças desencarnadas, reunidas, por grupos, em, grandes e belos edifícios, nos quais se lhes administrava instrução e cuidados especiais, tudo de acordo com a idade e os conhecimentos delas (...J" (12)
Devido a essa viagem, Davis fundou o primeiro Liceu Espiritista, em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, New York. (12)
Desencarnou em Watertown, Estado de Massachusetts, em 1910, com 84 anos de idade, e a despeito de ter sofrido "(...) acusações caluniosas e críticas acerbas (...), a tudo se sobrepunha com tolerância evangélica e larga compreensão (...)" (12)
Pelo exposto, concluímos que tais médiuns serviram de instrumentos do Alto, no intuito de preparar a Humanidade terrestre para o advento do Consolador Prometido por Jesus aos homens.
 

PROGRAMA V

ROTEIRO 13

 

O FENÔMENO DA INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
O mecanismo das comunicações: condições técnicas, afinidades e sintonia


"Médiuns são pessoas aptas a sentir a influência dos Espíritos e a transmitir os pensamentos destes (...).
Essa faculdade é inerente ao homem. (...), donde segue que poucos são os que não possuem um rudimento de tal faculdade (...)." (03)
"O fluido perispirítico e o agente de todos os fenômenos espíritas, que só se podem produzir pela ação reciproca dos fluidos que emitem o médium e o Espirito. O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansiva do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o principio (...). A predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento (...)." (04)
"As relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos respectivos perispírito, dependendo a facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos (...)." (05)
No entanto, "(...) precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos (...)." (11)
"(...) Cada alma se envolve no circulo de forças vivas que lhe transpiram do hálito mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade (...).
Agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos (...)." (12)
"(...) Entre um determinado Espirito e um médium pode haver afinidade fluídica e não haver afinidade moral e pode haver afinidade moral e não haver afinidade fluídica. A afinidade fluídica depende da constituição do organismo espiritual do médium e da do Espírito. A afinidade moral é a conseqüência do adiantamento alcançado pelo médium e pelo Espirito (...)~" (09)
Na prática mediúnica existem algumas dificuldades que na medida do possível devemos buscar sanar, senão minimizar. Entre elas destacamos a falta de estudo, deficiência de iluminação moral, escassez de perseverança, ausência de assiduidade, impaciência etc. Isto pode gerar uma grande dificuldade: "(...) a de harmonizar vibrações e pensamentos diferentes. É na combinação das forças psíquicas e dos pensamentos entre os médiuns e os experimentadores, de um lado, e entre estes e os Espíritos, do outro, que reside inteiramente a lei das manifestações.
São favoráveis as condições de experimentação quando o médium e os assistentes constituem. um grupo harmônico (...)." (06)
"(...) Muitas vezes, porem, a ausência de método, a falta de continuidade e direção nas experiências tornam estéreis a boa - vontade dos médiuns e as legitimas aspirações dos investigadores (...)." (07)
As comunicações devem ser analisadas rigorosamente e "(...) todo médium (...), deve (...) aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame critico das comunicações que recebe (...)," (02)
Outra coisa que favorece o bom êxito das reuniões mediúnicas e "o silêncio e o recolhimento (...)." (01)
Em resumo, um trabalho mediúnico produtivo deve primar pelo estudo, esforço de melhoria moral, perseverança, humildade, assiduidade, disciplina, por parte dos encarnados, e exercido num ambiente de silencio, prece, recolhimento e seriedade visando ao bem estar e à melhoria espiritual do próximo.
 

PROGRAMA V

ROTEIRO 14

O FENÔMENO DA INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
A NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES: IMPERFEITAS, SERIAS E INSTRUTIVAS.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, dá-nos uma classificação a respeito da natureza das comunicações mediúnicas.
Fala-nos, o Codificador, que quanto à sua natureza as comunicações podem ser: grosseiras , frívolas, serias e instrutivas. Estas comunicações estão, por sua vez, vinculadas ao grau de adiantamento do Espirito comunicante, isto é, segundo a sua posição na escala espírita.
Os Espíritos desencarnados, tais quais os encarnados, apresentam uma variedade, ao infinito, quanto a inteligência e à moralidade. Em função disso, o ditado mediúnico refletirá o grau de moralidade ou cultura do Espírito comunicante. (1)
"(...) Comunicações grosseiras são as concebidas em termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixa estofa, ainda cobertos de todas as impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos e grosseiros; (...) Acordemente com o caráter dos Espíritos, elas serão triviais, ignóbeis, obscenas, insolentes, arrogantes, malévolas e mesmo ímpias (...)". (02)
" (. . . ) As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, antes maliciosos do que maus e que nenhuma importância ligam ao que dizem. Como nada de indecoroso encerram, essas comunicações agradam a certas pessoas, que com elas se divertem, porque encontram prazer nas confabulações fúteis, em que muito se fala para nada dizer. Tais Espíritos saem-se às vezes com tiradas espirituosas e mordazes e, (...) dizem não raro duras verdades, que quase sempre ferem com justeza. (...) A verdade é o que menos os preocupa; dai o maligno encanto que acham em mistificar (...)". (03)
"(...) As comunicações sérias são ponderosas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Toda comunicação que, isenta de frivolidade e de grosseria, objetiva um fim útil, ainda que de caráter particular, é (...) uma comunicação seria. Nem todos os Espíritos sérios são igualmente esclarecidos; há muita coisa que eles ignoram e sobre que podem enganar-se de boa - fé. Por isso é que os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam de continuo que submetamos todas as comunicações ao crivo da razão e da mais rigorosa lógica (,..)". (04)
Nem sempre uma comunicação seria e verdadeira. Há as falsas. "(...) A sombra da elevação da linguagem, é que certos Espíritos presunçosos'; ou pseudo - sábios, procuram conseguir a prevalência das mais falsas idéias e dos mais absurdos sistemas. (...) Não escrupulizam de se adornarem com os mais respeitáveis nomes e até com os mais venerados (...)" (04)
As comunicações instrutivas são as " ( . . . ) serias cujo principal objeto consiste num ensinamento qualquer, dado pelos Espíritos, sobre as ciências, a moral, a filosofia, etc. São mais ou menos profundas, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito (...)". (05)
Para se julgar o valor moral e intelectual dos Espíritos que ditam comunicações instrutivas, é necessário freqüência e regularidade das continuações (05). "(...) Se, para julgar os homens, se necessita de experiência, muito mais ainda é esta necessária, para se julgarem os Espíritos.
Qualificando de instrutivas as comunicações, supomo-las verdadeiras , pois o que não for verdadeiro não pode ser instrutivo (...)". (05)
 

PROGRAMA V

ROTEIRO 15
 

O FENÔMENO DA INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA.
DAS EVOCAÇÕES: DA QUALIDADE E DA LINGUAGEM E DE SUA UTILIDADE


"Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação. (...)" (01)
Há quem julgue não ser conveniente evocar este ou aquele Espírito, porque nem sempre se terá a certeza se o Espírito comunicante é .mesmo o que foi evocado. Quem vê as coisas assim pensa que os Espíritos devam se comunicar espontaneamente, pois agindo dessa forma melhor provam sua identidade. A este respeito, ouçamos o Codificador: "(...) Em nossa opinião, isso é um erro: primeiramente, porque há sempre em torno de nos Espíritos, as mais das vezes de condição inferior, que outra coisa não querem senão comunicar-se; em segundo lugar e mesmo por esta ultima razão, não chamar a nenhum em particular é abrir a porta a todos os que queiram entrar. (...) (02)
Esta questão das evocações espíritas deve ser analisada com critério e com bom senso: há vantagens e desvantagens nas comunicações provenientes de evocações espíritas e nas ocorridas espontaneamente.
"(...) As comunicações espontâneas inconveniente nenhum apresentam, quando se está senhor dos Espíritos e certo de não deixar que os maus tomem a dianteira. (...)" (02) Notamos tais comunicações nas. reuniões mediúnicas regulares, onde se faz atendimento a Espíritos sofredores.
"Quando se deseja comunicar com determinado Espirito, é de toda necessidade evocá-lo. (...)" (03)
"(...) Não há, para esse fim, nenhuma fórmula sacramental. Quem quer que pretenda indicar alguma pode ser tachado, sem receio, de impostor, visto que para os Espíritos a forma nada vale. Contudo, a evocação deve sempre ser feita em nome de Deus. (...)
Quando queira chamar determinados Espíritos, é essencial que o médium comece por se dirigir somente aos que ele sabe serem bons e simpáticos e que podem ter motivo para acudir ao apelo, como .parentes ou amigos. (...)" (12)
"(...) Quando dizemos que se faça a evocação em nome de Deus, queremos que a nossa recomendação seja tomada a serio e não levianamente.(...) (04)
"Freqüentemente, as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas a questões circunstanciadas. (...)" (05)
"Os médiuns são geralmente muito mais procurados para evocações de interesse particular, do que para comunicações de interesse geral (...). Julgamos dever fazer a este propósito algumas recomendações importantes aos médiuns. Primeiramente que não acedam a esse desejo, senão com muita reserva, se se trata de pessoas de cuja sinceridade não estejam completamente seguros (...). Em segundo lugar, que a tais evocações não se prestem, sob fundamento algum, se perceberem um fim de simples curiosidade, ou de interesse, e não uma intenção séria da parte do evocador (...)." (06)
"(...) O médium, em suma, deve evitar tudo o que possa transformá-lo em agente de consultas, o que, aos olhos de muitas pessoas, e sinônimo de ledor da " buena-dicha." (07)
"Todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espiritual, podem ser evocados: assim os bons, como os maus, tanto os que deixaram a vida de pouco, como os que viveram nas épocas mais remotas, os que foram homens ilustres, como os mais obscuros os nossos parentes e amigos, como os que nos são indiferentes. Isto, porem, não quer dizer que eles sempre queiram ou possam responder ao nosso chamado. Independente da própria vontade ou da permissão, que lhos pode ser recusada por uma potência superior é possível se achem impedidos de o fazer, por motivos que nem sempre nos é dato conhecer. (...)" (09)
Determinadas cousas impedem ou dificultam aos Espíritos atenderem às evocações que lhes são dirigidas. As principais são: a) quando o Espírito evocado está envolvido em missões ou ocupações e delas não podendo afastar-se (10); b) se o Espírito estiver encarnado, sobretudo em mundos inferiores; (10) c) quando o Espírito se encontra em locais de punição e não recebe autorização superior para dai se ausentar. (11) d) quando o médium, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado. (10)
Se as evocações devam ser feitas ou não é um fato -, conforme afirmamos anteriormente, que precisa ser bem analisado, tendo-se sempre em mente a finalidade a que se presta. E toda evocação assim como toda manifestação espontânea de um Espírito, devem visar a um fim útil. Para isso existem algumas condições: "(...) Quando um Espirito e evocado pela primeira vez, convém designá-lo com alguma precisão -. Nas perguntas que se lhe façam, devem evitar-se as fórmulas secas e imperativas, que constituiriam para ele um motivo de afastamento. As fórmulas devem ser afetuosas, ou respeitosas, conforme o Espírito e, em todos os casos, cumpre que o evocador lhe dê prova da sua benevolência. (03)
Nas evocações "(...) as perguntas devem ser formuladas com clareza, precisão e sem idéia preconcebida, em se querendo respostas categóricas. Cumpre, pois, se refiram todas as que tenham caráter insidioso, porquanto é sabido que os Espíritos não gostam das que tem por objetivo pô-los a prova (...). O evocador deve ferir franca e abertamente o ponto visado, sem subterfúgios e sem circunlóquios. Se receia explicar-se, melhor será que se abstenha.
Convém igualmente que só com prudência se façam evocações, na ausência das pessoas que as pediram, sendo mesmo preferível que não sejam feitas nessas condições, visto que somente. aquelas pessoas se acham aptas a analisar as respostas, a julgar a identidade, a provocar esclarecimentos, se for oportuno, e a formular questões incidentes, que as circunstancias indiquem. (...)(O8)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 16
 

O FENÔMENO DA INTERCOMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
DA NATUREZA DAS INDAGAÇÕES AOS ESPÍRITOS COMUNICANTES.

 DAS PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER AOS ESPÍRITOS

Para estabelecer-se um diálogo proveitoso com os Espíritos é importante saber fazer perguntas. "(...) Duas coisas se devem considerar nas que se dirigem aos Espíritos a forma e o fundo. Pelo que toca à forma, devem ser redigidas com clareza e precisão, evitando as questões complexas. Mas, outro ponto há não menos importante a ordem que deve presidir à disposição das perguntas. Quando um assunto reclama uma serie delas, e essencial que se encadeiem com método, de modo a decorrerem naturalmente uma das outras. Os Espíritos, nesse caso, respondem muito mais facilmente e mais claramente, do que quando elas se sucedem ao acaso, passando, sem transição, de um assunto para outro. (...)(01)
Deve-se, pois, organizá-las com antecedência e estar-se preparado para acrescentar, retirar ou modificar questões durante a conversa com o Espírito comunicante."(...) esse trabalho preparatório constitui, (...) uma espécie de evocação antecipada, a que pode o Espirito ter assistido e que o dispõe a responder. (...)
O fundo da questão exige atenção ainda mais seria, porquanto é, muitas vezes a natureza da pergunta que provoca uma resposta exata ou falsa. Algumas há a que os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que desconhecemos. Será, pois, inútil insistir. Porem, o que sobretudo se deve evitar são as perguntas feitas com o fim de lhes por à prova a perspicácia. (...)"(02)
-- "(...) Não se segue daí que dos Espíritos não se possam obter úteis esclarecimentos e, sobretudo, bons conselhos; eles, porem, respondem mais ou menos bem, conforme os conhecimentos que possuem, o interesse que nos tem, a afeição que nos dedicam e, finalmente, o fim a que nos propomos e a utilidade que vejam no que lhes pedimos.(...) (03)
Se é certo que não devemos interrogar os Espíritos a todo momento sobre problemas comuns à encarnação e que nos cabe resolver naturalmente, também é correto afirmar que determinados assuntos só são abordados pelos Espíritos se solicitarmos a sua opinião: "(...) Os Espíritos dão, não há dúvida, instruções espontâneas de alto alcance e que errôneo seria desprezar-se. Mas, explicações há que freqüentemente se teriam de esperar longo tempo, se não fossem solicitadas. (...) As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos de vidos limites. (...)" (04)
Recordemos, aqui, que se o Codificador não tivesse proposto questões aos Espíritos, O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns talvez ainda nem existissem.
Ainda existe outro beneficio ao propor questões aos Espíritos: "(...) de concorrerem para o desmascaramento dos Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica (...)(04)
Os Espíritos levianos respondem a qualquer pergunta sem o menor escrúpulo de falarem a verdade ou a mentira. Já os "(...) Espíritos sérios sempre respondem com prazer às que têm por objetivo o bem e os meios de progredirdes.(...) " (05) .
Todas as perguntas inúteis, feitas só para satisfazerem a simples curiosidade e para experimentar os Espíritos, têm o poder de afastar os bons Espíritos. (06)
Existem certas questões feitas aos Espíritos superiores que só excepcionalmente eles se prestam a responder. Citaremos as principais:
a) Perguntas sobre o futuro - geralmente, a anunciação de fatos que ocorrerão no futuro fica por conta de Espíritos imperfeitos que, na maioria das vezes, se divertem em fazer previsões. Pode ocorrer, porém, que um Espírito superior revele acontecimentos, mas, nesse caso, as previsões visam a uma utilidade geral. "(...) toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita. (...)" (07)
Importa saber que há pessoas dotadas da faculdade de se libertarem das influências da matéria , e através da visão espiritual, perceberem os acontecimentos futuros. (08)
b) Perguntas sobre a previsão da morte - Os Espíritos que prevêem a morte de alguém são "(...) Espíritos de mau gosto, (...) que outro fim não têm, senão gozar com o medo que causam. (...)" (09) No entanto, o Espirito pode desprender-se do corpo físico e prever sua desencarnação. (10)
c) Perguntas sobre existências passadas - com relação às existências passadas, "(...) Deus algumas vezes permite que elas (...) sejam reveladas, conforme o objetivo. Se for para a vossa edificação e instrução, as revelações serão verdadeiras e, nesse caso, feitas quase sempre espontaneamente e de modo inteiramente imprevisto. Ele, porem, não o permite nunca para satisfação de vã curiosidade. (...)" (11) Com relação a existências futuras nada nos é dado conhecer porque estará na dependência dos nossos atos presentes, como encarnados, e das resoluções que tomarmos, quando desencarnados. (12)
d) Perguntas sobre interesses morais e materiais - Os bons Espíritos sempre nos aconselham para o bem. Os Espíritos familiares, em geral, podem até nos aconselhar em assuntos privados ou favorecer nossos interesses materiais, de acordo com o objetivo ou as circunstancias. Deve-se levar em conta porém, que nem sempre os Espíritos familiares são superiores embora podendo, ate, dar-nos bons conselhos. O importante é sabermos que "(...) os nossos Espíritos protetores podem, em muitas circunstâncias, indicar-nos o melhor caminho, sem, entretanto, nos conduzirem pela mão (...)." (13)
Existe um numero muito grande de perguntas que são simpáticas tanto aos Espíritos adiantados, quanto aos atrasados, assim como existem aquelas que desagradam a uns e outros.
Uma coisa, no entanto, e certíssima: os Espíritos superiores sempre respondem a questões que dizem respeito à melhoria, ao bem-estar, à paz e ao progresso das criaturas. Estão sempre dispostos a nos auxiliarem è a nos ampararem. Só aconselham para o bem, e estão sempre preocupados e ocupados em trabalhos que proporcionam o progresso da Humanidade.

ANEXO 01

MÉTODO DO DIÁLOGO ( TÉCNICA DO DIÁLOGO)

CONCEITO
O método do diálogo consiste na interpelação mútua entre duas pessoas, a respeito de um tema previamente combinado. usando o sistema de perguntas e respostas, frente à classe, que, posteriormente, também participará com interpelações dirigidas a ambos os dialogadores.
Assim, o método do diálogo é, essencialmente, conversa entre duas pessoas competentes, que discorrerão diante da classe, em tom amigável, mas profunda e comunicativamente, a respeito de um tema específico de interesse de todos
As pessoas que entabularão o diálogo podem ser dois especialistas para isso convidados, ou mesmo dois educandos adequadamente orientados.
O diálogo deve ser o mais informal e espontâneo possível, mas, para que não haja dispersão, é bom que siga um esquema previsto. Evidentemente, este esquema deve ser bastante flexível; contudo constituir-se-á em roteiro quanto aos aspectos essenciais do tema a ser abordado.
OBJETIVOS
Os objetivos do método do dialogo podem ser expressos da seguinte maneira:
a) tornar bem informal a maneira do abordar um tema
b) permitir o confronto direto entre dois entendidos, a fim da que idéias. Conceitos e experiências sejam melhor e mais objetivamente apreciados;
c) aproveitar os conhecimentos de pessoas cultas, mas não oradoras, que poderão prestar a sua contribuição. em conversa informal;
d) possibilitar reflexão eficaz entre duas pessoas;
a) repartir entre duas pessoas a responsabilidade da apresentação de um tema.

DESENVOLVIMENTO
01 . Participantes:
Os participantes do método do dialogo são: coordenador, dois dialogadores e platéia.
a) Coordenador
Pode ser o professor ou mesmo um educando.
Compete ao coordenador fazer um levantamento junto a classe para saber os aspectos de maior interesse do tema a ser tratado, assim como - as duvidas que ele suscita. Com base nesses informes, o coordenador prepara uma espécie de agenda, que irá apresentando aos dialogadores, para Ihes fornecer os motivos para o dialogo.
O coordenador põe os dialogadores a par dos interesses e necessidades da classe quanto ao tema a ser !ratado, de maneira que eles se comporem o mais objetivamente possível durante o diálogo.

b) Dois dialogadores
Os dialogadores, como foi visto, devem ser pessoas versadas no lema de que vão tratar.
Deverão ter boa dicção e falar em tom adequado, a fim de que sejam ouvidos e compreendidos por todos. Devem evitar fazer discursos ou longas digressões, visando demonstrar cultura. Devem, sim, ir diretamente ao assunto das questões propostas, em linguagem simples, direta e compreensível, explicando adequadamente sempre que tenham de empregar algum termo técnico.
c) Platéia
No caso presente, e uma classe.
Esta deve manter-se em silêncio durante o desenrolar do diálogo entre os dois especialistas Poderá, durante o diálogo, ir tomando nota do pontos para os quais desejaria esclarecimento quando o diálogo for encerrado. As perguntas a serem feitas aos dialogadores podem ser formuladas individualmente ou em grupo , pelos educandos.
A classe pode continuar discutindo o assunto, principalmente com base nos informes trazidos pelos dialogadores, após o encerramento da sessão
DISPOSIÇÃO DOS PARTICIPANTES
Os gráficos abaixo ilustrarão a disposição dos participantes do método do diálogo, quando este se realiza diante de pequeno e de grande grupo.

Disposição para grupo grande.
O coordenador e dialogadores de frente para a platéia.

Disposição para pequenos grupos.
Platéia forma semicírculo à frente dos dialogadores e coordenador.

REALIZAÇÃO
O método do diálogo pode ter o seguinte desenvolvimento, através de sete fases:
a) o professor e a classe determinam um tema necessitado de maiores esclarecimentos ou aprofundamento. Os dialogadores poderão ser duas pessoas, versadas no assunto, pertencentes ou não a escola. Poderão ser, também, dois educandos, adequadamente orientados pelo professor, a fim de se prepararem em conhecimentos e atitudes para dialogadores... O coordenador será professor ou mesmo um educando. Quer seja professor ou educando o coordenador, terá de fazer uma pesquisa junto à classe para sentir os pontos mais duvidosos do toma. Só então elaborará as perguntas que servirão de roteiro pata o diálogo;
b) no dia marcado para o diálogo, o coordenador abre a sessão, expondo em linhas gerais o tema em foco e o motivo da sessão e apresenta à classe os dialogadores. A seguir, formula a primeira pergunta aos dialogadores, que passam a discuti-la entra si e para a classe;
c) terminado o roteiro das questões a serem tratadas' o coordenador faz uma súmula do que se passou e convida a classe a formular perguntas aos dialogadores, oralmente ou por escrito. Como já foi visto, as perguntas podem ser formuladas individualmente ou em grupo. Interessante é conceder-se alguns minutos para a classe formular adequadamente as suas perguntas, que serão atendidas pelos dialogadores;
d) Esgotado o tempo de participação da classe, o coordenador agradece a participação dos dialogadores, a atenção da classe, e encerra a sessão
e) será interessante que a classe organize uma discussão para que entre os educandos e com a possível assistência do professor, sejam consideradas as contribuições que os dialogadores tenham trazido;

AVALIAÇÃO

O trabalho será considerado satisfatório se os alunos aproveitarem os conhecimentos de pessoas entendidas no assunto e formularem aos dialogadores perguntas interessantes e procedentes

(*) NËRICI, Imídeo Guisepe. Metodologia do Ensino: uma introdução. 2 ed. São Paulo. Atlas, 1981. Pag. 212-215

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 17

DOS MÉDIUNS
O MÉDIUM: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO.


No Programa II, roteiro 09 conceituou-se mediunidade e citou-se a classificação dos principais tipos de médiuns. Ao rever o assunto, destacamos, como definição de mediam, o constante no item l59 de "0 LIVRO DOS MÉDIUNS`": "Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos e, por esse fato, médium. Essa faculdade e inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilegio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos potentes, e de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. ~ de notar-se, alem disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todas, Geralmente, os médiuns tem uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. (...) (08)
– Esta definição, fornecida pelo Codificador, nos parece a mais completa e abrangente.
Entendamos, porem, que a faculdade mediúnica, por si só, não libera o homem das influências das trevas. A faculdade, na realidade, é neutra, agora, o uso que o homem faz dela e outra questão. Diante disso, concluímos que no emprego da faculdade mediúnica podemos nos harmonizar com os bons quanto com os maus Espíritos. Nesse sentido, mediunidade e sintonia.
: Permitindo-nos o direito de rejeitar as influências :dos maus e acatar os conselhos dos bons Espíritos, a mediunidade passa a ser um instrumento de aperfeiçoamento espiritual:
:"(...) Espíritos benfazejos procuram inspirar-nos para o Bem.
: Espíritos inferiorizados buscam induzir-nos ao Mal (...).
Os primeiros, cumprem missão renovadora, junto à Humanidade, ( ..) instilando na alma de todos nós, através de gotas luminosas, princípios que engrandecem e elevam. São os missionários do Amor.
Os segundos, influenciam em sentido contrário. (...). São os instrumentos da sombra. (~)" (11)
Em nossa longa caminhada evolutiva, "(...) todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superior, ou as forcas perturbadoras e deprimentes, se ainda nos escravizamos às sombras da vida primitivista ou torturada.
Cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizem a vida intima emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica. (...)" (14)
"(...) precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos. (...)" (12)
"(...) cada alma se envolve no círculo de forcas vivas que lhe transfiram do ''hálito'' mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade(...)
(...) agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental que nos renovamos constantemente, criando e destruindo, paisagens e coisas na estruturação dos nossos destinos.
Finalmente, é oportuno recordar Emmanuel quando diz que "Os médiuns, em sua generalidade, são Espíritos que resgatam débitos do passado" (10), ou Cícero Pereira ao afirmar que mediunidade no presente é debito do passado".
Ainda no programa II, roteiro 09, vimos que os principais tipos de médiuns estão classificados em dois grandes grupos: médiuns de efeitos físicos e médiuns de efeitos intelectuais. Posteriormente, nos roteiros 18 e 19 deste programa V, voltaremos a falar sobre o assunto.
No capítulo 31 de O Livro Médiuns, item 10, há algumas dissertações espíritas sobre os médiuns, assinadas pelos Espíritos Channing, Pedro Jouty, Joana d'Arc, Pascal, Delfina de Girardin e Espirito de verdade. São dissertações escritas numa linguagem simples, no entanto, ricas de conteúdo, que merecem reflexão mais profunda e consulta mais freqüente por parte dos médiuns e estudiosos da Doutrina Espirita,
A título de exemplo, citaremos alguns trechos dessas dissertações:
 

C H A N N I N G

"Todos os homens são médiuns, todos tem um Espírito que os dirige para Q bem, quando sabem escutá-lo. (...)
"(...) a voz intima que fala ao coração é a dos bons Espíritos e é deste ponto de vista que todos os homens são médiuns. (...)" (01)


P E D R O J O U T Y


"O dom da mediunidade e tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. (...)
(...) O Espírito humano segue em marcha conveniente, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o Universo visível e invisível. Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a Humanidade. (...)'' (02)


J O A N A D'A R C


"(...) As faculdades de que gozam os médiuns lhes granjeiam elogios dos homens. As felicitações, as adulações , eis, para eles, o escolho. (...)
(...) Nunca me cansarei de recomendar-vos que vos confieis ao Vosso anjo guardião, para que vos ajude a estar sempre em guarda contra o vosso mais cruel inimigo, que é o orgulho. (...)" (03)


P A S C A L


"Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos prepareis para esse favor pelo recolhimento, por intenções puras e pelo desejo de fazer o bem, tendo em vista o progresso geral. (...)
(...) ponde sempre em prática a caridade, não vos canseis jamais de exercitar essa virtude sublime, assim como a tolerância. (...)
(...) Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forcas para perseverar no ensino espírita, se abstenha (.,.)I' (04)


D E L F I N A D E G I R A R D I N


"Falar-vos-ei hoje do desinteresse, que deve ser uma das qualidades essenciais dos médiuns, tanto quanto a modéstia e o devotamento. (...)
(...) Não e racional se suponha que Espíritos bons possam auxiliar quem vise satisfazer ao orgulho, ou à ambição. (...~" (05)


O E S P RI T O D E V E R D A D E


"Todos os médiuns são, incontestavelmente, chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida de suas faculdades, mas bem poucos há que não se deixem prender nas armadilhas do amor próprio. (...)
(. . . ~ As grandes missões só aos homens de escol são confiadas e Deus mesmo os coloca sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar concurso eficaz. Nunca será demais eu recomende aos médiuns inexperientes que desconfiem do que lhes podem certos Espíritos dizer, com relação ao suposto papel que eles são chamados a desempenhar (...). .`
Lembrem-se sempre destas palavras: "Aquele que exalçar será humilhado e o que se humilhar será exalçado " (06)

QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO
Após a exposição dialogada responder as seguintes questões:
01. Emitir um conceito de médium.
02. Classificar mediunidade.
03. Como pode ser empregada a mediunidade?
04. Quando s mediunidade pode ser um instrumento de aperfeiçoamento espiritual?
05. A mediunidade surgiu com o advento do Espiritismo?
06. Quais são os principais escolhos da prática mediúnica?
07. Quais os principais requisites para a boa prática mediúnica?

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 18

DOS MÉDIUNS
A CATEGORIA DE MÉDIUNS ESPECIAIS PARA EFEITOS FÍSICOS E INTELECTUAIS


De uma maneira geral, e conforme estudamos no Programa II e recentemente neste Programa V, a mediunidade pode ser classificada em dois grandes grupos: a de efeitos físicos e a de efeitos intelectuais.
Os médiuns de efeitos físicos, comuns na época da Codificação são, talvez, menos numerosos nos dias atuais. Presentemente, são mais comuns os médiuns de efeitos intelectuais, surgindo, de tempos em tempos, variedades especiais, como os de médiuns músicos, pintores , inspirados, poetas. Tudo nos leva a crer que na época de Kardec: as variedades de efeitos intelectuais predominantes eram a psicografia e a psicofonia.
"(...) A mediunidade apresenta uma variedade infinita de: matizes, que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares, ainda não definidas, abstração feita das qualidades e conhecimentos do Espírito que se manifesta.
A natureza das comunicações guarda sempre relação com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação, ou da sua inferioridade, de seu saber, ou de sua ignorância. (...) Os Espíritos batedores, por exemplo, jamais saem das manifestações físicas e, entre os que dão comunicações inteligentes, há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, moralistas, sábios, médicos, etc. Falamos dos Espíritos de mediana categoria, por isso que, chegando eles a um certo grau, as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Porem, de par com a aptidão do Espirito, há a do médium, que é, para o primeiro, instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível e no qual descobre ele qualidades particulares que não podemos apreciar. (...)" (08)
Para que ocorram os fenômenos de efeitos físicos e necessário que o médium esteja habilitado "(...) ao fornecimento do ectoplasma ou plasma exteriorizado de que se valem as Inteligências desencarnadas para a produção dos fenômenos físicos que lhes denota a sobrevivência. (..,)"(15)
Conhecemos , geralmente, fenômenos físicos de ocorrência vulgar, como as pancadas, deslocamento de móveis e objeto;, ruídos, sons, compreensíveis ou não, odores, etc. No entanto, existem fenômenos de efeitos físicos não só belíssimos, como também surpreendentes e de grandes benefícios. É o caso das materializações, incluindo as luminosas.
Citaremos e descreveremos, a seguir, com respaldo em Kardec, as principais modalidades de médiuns especiais para efeitos físicos:
. "Médiuns tiptólogos - aqueles pela influência dos quais se produzem os ruídos, as pancadas. Variedade muito comum, com ou sem intervenção da vontade.
. "Médiuns motores - os que produzem o movimento dos corpos inertes. Muito comuns.
. "Médiuns de translações e de suspensões - os que produzem a translação aérea e a suspensão dos corpos inertes no espaço, sem ponto de apoio. Entre eles há os que podem elevar-se a si mesmos (são chamados médiuns de levitação). Mais ou menos raros, conforme a amplitude do fenômeno; muito raros, no ultimo caso.
. "Médiuns de efeitos musicais - provocam a execução de composições em certos instrumentos de musica, sem contato com estes. Muito raros." (11) "(...) já se tem visto, em certas manifestações visuais, aparecerem mãos a dedilhar o teclado, a percutir as tecias e a tirar dali sons. (...)" (02)
. "Médiuns de aparições - os que podem provocar aparições fluídicas e tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito excepcionais." (11) "O espírito que quer ou pode fazer-se visível, reveste às vezes uma forma ainda mais preciosa, com todas as aparências de um corpo sólido, ao ponto de causar completa ilusão e dar a crer, aos que observam a aparição, que têm diante de si um ser corpóreo. Em alguns casos, finalmente, e sob o império de certas circunstancias a tangibilidade se pode tornar real, isto e, possível se torna ao observador tocar, apalpar, sentir, na aparição, a mesma resistência, o mesmo calor que nu corpo vivo, o que não impede que a tangibilidade se desvaneça com a rapidez do relâmpago. Nesses casos, já não e somente com o olhar que se nota a presença do Espírito, mas também pelo sentido tátil. (...)" (06)`
. "Médiuns de transporte - os que podem servir de auxiliares aos Espirito para o transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translações. Excepcionais." (11) Esta mediunidade "(...) consiste no trazimento espontâneo de objetos inexistentes no lugar onde estão os observadores. São quase sempre flores, não raro frutos, confeitos, jóias, etc. (...)" (03)
."Digamos, antes de tudo, que este fenômeno é dos que melhor se prestam imitação e que, por conseguinte, devemos estar de sobreaviso contra o embuste (...)" (04) Para que ocorra o transporte "(...) e necessário que entre o Espírito e o médium influenciado exista certa afinidade, certa analogia; em suma. certa semelhança capaz de permitir que a parte expansível do fluido perispirítico (...) do encarnado se misture, se una, se combine com o do Espirito que queira fazer um transporte. ( ..)" (05)
. "Médiuns noturnos os que só na obscuridade obtém certos efeitos físicos (...)
(...) Esse fenômeno é devido mais às condições ambientais do que à natureza do médium, ou dos Espíritos. (...)
. "Médiuns pneumatógrafos - os que obtêm a escrita direta. Fenômeno muito raro e, sobretudo, muito fácil de ser imitado pelos trapaceiros. (...)
. "Médiuns curadores. - os que têm o poder de curar ou aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.
"Esta faculdade não é essencialmente mediúnica; possuem-na todos os verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não. As mais das vezes, e apenas uma exaltação do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso de bons Espíritos.
. "Médiuns excitadores - pessoas que têm o poder de, por sua influencia, desenvolver nas outras a faculdade de escrever.
"Aí há antes um efeito magnético do que um caso de mediunidade propriamente dita, porquanto nada prova a intervenção de um Espirito. Como quer que seja, pertence a categoria dos efeitos físicos.'' (12)
Finalmente, nas manifestações físicas, os Espíritos que, geralmente, estão envolvidos na produção dos fenômenos "(...) são sempre Espíritos inferiores, que ainda se não desprenderam inteiramente de toda influência material." (01)
Ainda com respaldo em Allan Kardec, os principais médiuns para efeitos intelectuais são: .
. "Médiuns inspirados - aqueles a quem, quase sempre mau grado seu, os Espíritos sugerem idéias, quer relativas aos atos ordinários da vida, quer com relação aos grandes trabalhos da inteligência
. "Médiuns de pressentimentos - pessoas que, em dadas circunstancias, tem uma intuição vaga de coisas vulgares que ocorrerão no futuro.
. "Médiuns proféticos - variedade dos médiuns inspirados, ou de pressentimento. Recebem, permitindo-o Deus, com mais precisão do que os médiuns de pressentimentos, a revelação de futuras coisas de interesse geral e são incumbidos de dá-las a conhecer aos homens, para instrução destes. (...)
. "Médiuns sonâmbulos - os que, em estado de sonambulismo, são assistidos por Espíritos.
. "Médiuns extáticos - os que, em estado de êxtase, recebem revelações parte dos Espíritos. .
. "Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos zombeteiros que se aproveitam da exaltação deles. São raríssimos os que mereçam inteira confiança".
. "Médiuns pintores ou desenhistas - os que pintam ou desenham sob influência dos Espíritos. Falamos dos que obtém trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas toscas, que desabonariam o mais atrasado estudante. (...
. "Médiuns músicos - os que executam, compõem, ou escrevem musicas, sob a influencia dos Espíritos. Há médiuns músicos, mecânicos, semi-mecanicos, intuitivos e inspirados, como os ha para as comunicações literárias." (14)
Allan Kardec, quando relaciona as variedades de médiuns especiais para efeitos intelectuais, cita também os audientes, os falantes e os videntes. (13)
"(...) Alem das causas de aptidão, os Espíritos também se comunicam mais ou menos preferentemente por tal ou qual intermediário, de acordo com as suas simpatias ( )." (09)
"~...) Para que uma comunicação seja boa, preciso é que proceda de um Espírito bom; para que esse bom Espírito a possa transmitir indispensável lhe é um bom instrumento; para que queira transmiti-la, necessário se faz que o fim visado lhe convenha. (...) (10)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 19

DOS MÉDIUNS
ESPÉCIES COMUNS A TODOS OS GÊNEROS DE MEDIUNIDADE.

Na manifestação do fenômeno mediúnico e independente do tipo de mediunidade de que o médium é portador, observa-se que há espécies que são comuns a todos os gêneros de mediunidade. Basicamente, são as seguintes:
"Médiuns sensitivos (ou impressionáveis) - pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos, por uma impressão geral ou local, vaga ou material. A maioria dessas pessoas distingue os Espíritos bons dos maus, pela natureza da impressão.(...)" (07)
"(...) Esta variedade não apresenta caráter bem definido. Todos os médiuns são necessariamente impressionáveis, sendo assim. a impressionabilidade mais uma qualidade geral do que especial. É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras.(...)
Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que lhe está ao lado, mas ate a sua individualidade (...). Um bom Espirito produz sempre uma impressão suave e agradável; a de um mau Espírito, ao contrário, é penosa, angustiosa, desagradável. (...)" (06)
. "(...) "Médiuns naturais ou inconscientes - os que produzem espontaneamente os fenômenos, sem intervenção da própria vontade e, as mais das vezes, à sua revelia.(...)" (08) Estes médiuns, na maioria, "(...) nenhuma consciência têm do poder que possuem e, muitas vezes, o que de anormal se passa em torno deles não se lhes afigura de modo algum extraordinário. (...)" (02) Os fenômenos que involuntariamente provocam, podem ocorrer em todas as idades e, "(...) freqüentemente, em crianças ainda muito novas.(...)" (03)
Quando o médium natural é apto para efeitos físicos, a manifestação do fenômeno, às vezes, se torna inconveniente. "(...) Tal faculdade não constitui, em si mesma, indício de um estado patológico, porquanto não e incompatível com uma saúde perfeita (...)" (03) "(...) Porem, forçoso é convir, o fenômeno assume por vezes proporções fatigantes e importunas para toda gente. (...)" (05). Exemplificando, isto ocorre quando, involuntariamente, o médium provoca ruídos, estrondos, derribamento ou deslocamento de moveis e objetos, gritos, pancadas ou fatos semelhantes transtornando não só a sua vida como a das pessoas com as quais convive. É conveniente recordar que tais fenômenos são sempre provocados por Espíritos inferiores que, por uma razão ou outra, tem ascendência moral sobre o médium. (04)
"(...)Médiuns facultativos ou voluntários - os que tem o poder de provocar os fenômenos por ato da própria vontade (...)."Qualquer que seja essa vontade, eles nada podem, se os Espíritos se recusam, o que prova a intervenção' uma força estranha." (08)
Os médiuns facultativos têm consciência do seu poder ou da sua mediunidade. Permitem que os fenômenos espiritas ocorram por ato da própria vontade.(...)(01).
"(...) Conquanto inerente à espécie humana, (...), semelhante faculdade longe está de existir em todos no mesmo grau. (...)'' (01)
Numa linguagem mais corriqueira, diríamos que os médiuns facultativos são os normalmente chamados de médiuns conscientes, isto é, sabem da existência do fenômeno, quem o provoca e, de acordo com a sua vontade, sintonizam com este ou aquele Espirito, permitindo que este se manifeste, e interferindo, mais ou menos, na mensagem do Espírito de acordo com o grau de sua educação mediúnica.
Tais médiuns, quando disciplinados e estudiosos da mediunidade, são valiosos auxiliares nos trabalhos de desobsessão, permitindo que Espíritos mais imperfeitos, maus, violentos ou perseguidores se manifestem sem que haja atentado ao decoro ou agressão, por palavras ou atos, aos circunstantes. São médiuns que têm consciência do seu papel, cercando os Espíritos sofredores com amor, desprendimento, não permitindo, porem, que esses Espíritos os dominem ou os envolvam nas malhas das obsessões.

PROGRAMA V

ROTEIRO 20

DOS MÉDIUNS
MEDIUNIDADE NAS CRIANÇAS


Não É aconselhável estimular a prática da mediunidade na criança. Isto porque o organismo da criança não está completamente desenvolvido, seus órgãos, sobretudo o sistema nervoso, estão em fase de maturação. Alem do mais, a criança talvez não possua discernimento necessário para evitar as influências dos maus Espíritos.
Kardec, perguntando aos Espíritos orientadores da Codificação sobre se haveria inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças, obteve de um deles a seguinte resposta: "Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações, excessiva sobre excitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais" (01).
''No exame do assunto, há que se observar o problema do desenvolvimento sob duplo sentido: físico e mental.
Há crianças bem desenvolvidas fisicamente, mas de recursos mentais e intelectuais deficientes (...).
Existem crianças fisicamente pouco desenvolvidas, porem mental e intelectualmente bem dotadas.
Em ambos os casos a prudência aconselha seja evitado, j unto à -criança, o trabalho mediúnico.
Desenvolver a mediunidade, ou seja, educá-la, significa colocar-nos em relação e dependência magnética, mental e moral com entidades dos mais variados tipos evolutivos (...).
O frágil organismo infantil e sua inexperiência podem sofrer os e feitos de uma aproximação obsidiante.
A imaginação da criança é, sobremodo, exitável, o que pode ocasionar conseqüências perigosas sob o ponto de vista do equilíbrio, da estabilidade espiritual (...).
São negativos todos os aspectos do desenvolvimento mediúnico das crianças
O Codificador, missionário escolhido, estava certo ao desaconselhar tal proceder.
Há recursos de amparo às crianças que revelam mediunidade.
Prece em seu favor e dos Espíritos que delas tentam acercar-se.
Passes ministrados por companheiros responsáveis.
Freqüência às aulas espiritas de Evangelho a fim de que possam, a pouco e pouco, ir assimilando noções doutrinárias compatibilizadas com sua idade." (05)
Devemos considerar, porem, que há crianças cuja mediunidade ocorre naturalmente, sem causar-lhes transtornos. Estas crianças são médiuns naturais e, ''(...) quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece quando é provocada e sobreexcitada. (...) a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. (...)" (02) -
Para o início da prática mediúnica "não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porem, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo,"(03)
"A pratica do Espiritismo (.~.) demanda muito tato, para a inutilização das tramas dos Espíritos enganadores. Se estes iludem homens feitos, claro e que a infância e a juventude mais expostas se acham a ser vítimas deles. Sabe-se, alem disso, que o recolhimento é uma condição sem a qual não se pode lidar com Espíritos sérios. As evocações feitas estouvadamente e por gracejo constituem verdadeira profanação, que facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros, ou malfazejos. Ora, não se podendo esperar de uma criança a gravidade necessária a semelhante ato, muito de temer e que ela faça disso um brinquedo, se ficar entregue a si mesma. Ainda nas condições mais favoráveis, e de desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senso sob a vigilância de pessoas experientes, que lhe ensinem, pelo exemplo, 0 respeito devi do às aluas dos que viveram no mundo. Por ai se vê que a questão de idade está subordinada às circunstâncias, assim de temperamento, como de caráter. (...)" (04)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 21


DO MANDATO MEDIÚNICO
QUALIDADES ESSENCIAIS AO MÉDIUM


"Os médiuns são os interpretes dos Espíritos; suprem, nestes últimos, a falta de órgãos materiais pelos quais transmitam suas instruções. Dai vem o serem dotados de faculdades para esse efeito. (...)" (03)
Emmanuel, esclarecendo sobre as qualidades mais necessárias a um bom médium afirma que "(...) a primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão." (04)
"(...) As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria. (...)" (01)
O médium "(...) eficiente, sob o ponto de vista espiritual, será aquele trabalhador que melhor se harmonizar com a vontade do Pai Celestial.
Será aquele que se destacar pelo cultivo sincero da humildade e da fé, do devotamento e da confiança, da boa vontade e da compreensão. (...)" (09)
"Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. Pois que, para se comunicar, o Espirito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta identificação não se pode verificar, senão havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atração, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. Ora, os bons tem afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. (...)" (01)
"(...) Sob o ponto de vista do mecanismo da comunicação, a mediunidade, em si mesma, não depende do fator moral.
Sob o ponto de vista da assistência espiritual, contudo, o fator moral é indispensável. Médiuns moralizados contam com o amparo de Espíritos Superiores. (...).
O médium moralizado terá a vida de um homem de bem. Será humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso, trabalhador, desinteressado. (...)" (07)
Por isto, "(...) Paciência, perseverança, boa-vontade, humildade, sinceridade, estudo e trabalho são fatores de extrema valia na educação mediúnica. (...)" (08).
"(...) Se o médium consegue transpor, valoroso, a faixa de hesitações pueris, entendendo que importa, acima de tudo, o bem a fazer, (...), passa, então, a ser objeto da confiança dos Benfeitores desencarnados que lhe aproveitam as capacidades no amparo aos semelhantes, dentro do qual assimila amparo a si mesmo.
Quanto mais se lhe acentuam o aperfeiçoamento e a abnegação, a cultura e o desinteresse, mais se lhe sutilizam os pensamentos, e, com isso, mais se lhe aguçam as percepções mediúnicas, que se elevam a maior demonstração de serviço, de acordo com as suas disposições individuais. (...)" (06)
Fora dessa compreensão, fica claro que "Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porem, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora essa imperfeição, teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que, presas de Espíritos mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem pervertido, aniquilaram-se e mais de um se viu humilhado por amaríssimas decepções. (...)" (02)
Concluímos, portanto, que "(...) O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo. freqüentemente é o personalismo, e a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres a luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral que, não raro, o conduzem a invigilância, à leviandade e à confusão dos campos improdutivos. (...)" (05)
 

PROGRAMA V

ROTEIRO 22

MANDATO MEDIÚNICO
IDENTIFICAÇÃO DAS FONTES DE COMUNICAÇÃO

"A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas (...).
É que, com efeito, os Espíritos não nos trazem um ato de notoriedade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhos pertenceram.
Esta, por isso mesmo, é, depois da obsessão uma das maiores dificuldades do Espiritismo prático. Todavia, em muitos casos, a identidade absoluta não passa de questão secundária e sem importância real. (...)" (01)
"Não há outro critério, senão o bom - senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. (...)" (06)
"(...) Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos Superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade. (...) A dos Espíritos inferiores, (...) é inconseqüente, amiúde trivial e ate grosseira. (...)" (18)
"(...) Os Espíritos que se revelam, através das organizações mediúnicas, devem ser identificados por suas idéias e pela essência espiritual de suas palavras. (...)" (22)
No ponto de vista objetivo ou exterior, as provas fornecidas pelas aparições e materializações não podem deixar duvida alguma. Entretanto, na ordem subjetiva, no que concerne aos outros modos de manifestações, subsiste uma dificuldade: a de obter dos Espíritos, em numero suficiente para satisfazer aos cépticos exigentes, provas de identidade (...)."(14l
"(...) Quando se manifesta o Espírito de alguém que conhecemos pessoalmente, de um parente ou de um amigo, (...) sucede geralmente que sua linguagem se revela de perfeito acordo com o caráter que tinha aos nossos olhos, quando vivo. Já isso constitui indicio de identidade. (...)" (l9)
"(...) A identidade dos Espíritos das personagens antigas e a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível, pelo que ficamos adstritos a uma apreciação puramente moral. Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. (...)" (02)
"Muito mais fácil de se comprovar e a identidade, quando se trata de Espíritos contemporâneos, cujos caracteres e hábitos se conhecem. (...)." (3)
"Se a identidade absoluta dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão acessória e sem importância, o mesmo já não se dá com a distinção a ser feita entre bons e maus Espíritos. (...~" (4)
"(...) Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção que - a linguagem dos espíritos está sempre em relação com o grau de elevação a que já tenha alcançado. (...)" (5)
"Apreciam-se os Espíritos pela linguagem de que usam e pelas suas ações. Estas se traduzem pelos sentimentos que eles inspiram e pelos conselhos que dão. (...)" (07)
"As provas mais completas de identidade são muitas vezes fornecidas por Espíritos desconhecidos do médium e da assistência e achadas, depois de uma verificação, inteiramente exatas.(...)" (13)
No capítulo 24, itens 262 a 268, de O Livro dos Médiuns (10) estão relacionados os meios de se distinguirem os bons dos maus Espíritos. Em resumo, é o seguinte:
. Para aquilatar-se o valor dos Espíritos, o melhor critério e o bom-senso.
. Deve-se julgar os Espíritos pela linguagem que usam e pelas suas ações.
. Os bons Espíritos só dizem e fazem o bem.
"(...) Os Espíritos Superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado. (...)" (08)
'Os bons Espíritos só dizem o que sabem (...)". (09)
. Os Espíritos levianos gostam de predizer o futuro, enquanto os bons Espíritos "fazem com que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha."(10)
. Os Espíritos superiores não falam com prolixidade, sendo concisos, claros, inteligíveis. Os Espíritos inferiores usam de linguagem empolada.
. Os bons Espíritos aconselham sem ordenar. Os maus são imperiosos e gostam de ser obedecidos.
. Os bons Espíritos não lisonjeiam, apesar de aprovar com discrição as boas ações dos homens. Os maus prodigalizam elogios, estimulam o orgulho e a vaidade das pessoas.
. Alguns Espíritos não muito evoluídos utilizam nomes singulares e ridículos, alem de se apresentarem sob o nome de pessoas venerandas.
. Os maus Espíritos procuram exacerbar o mal, estimulando a cizânia e desconfiança por meio de insinuações pérfidas .
. "Os bons Espíritos só prescrevem o bem". (11)
. Nas comunicações mediúnicas nota-se a ação dos maus Espíritos, "ou dos simplesmente imperfeitos pelos movimentos bruscos e intermitentes" que provocam nos médiuns, traduzindo-se em "agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos".
. Os Espíritos utilizam-se ao gracejo. Sendo fino e vivo, porem nunca trivial, nos Espíritos Superiores. Nos Espíritos zombeteiros ou são grosseiros e mordazes ou despropositados.
. O bom senso é o meio que se deve dispor para estudar o caráter dos Espíritos, "reconhecendo-lhe a natureza e o grau de confiança que devem merecer".
. Para julgar qualquer Espirito e preciso saber julgar a si próprio
. Nem sempre um Espírito que revele conhecimento intelectual é moralmente elevado.
. Os "Espíritos semi-imperfeitos são mais de temer do que os maus Espíritos, porque, na sua maioria, reúnem à inteligência a astucia e o orgulho. Pelo pretenso saber de que se jactam, eles se impõem aos simples e aos ignorantes, que lhes aceitem sem exame as teorias absurdas e mentirosas (...). Esse um ponto que demanda grande estudo da parte dos espiritas esclarecidos e dos médiuns." (14)
. Nem sempre um Espirito Superior atende pessoalmente a uma evocação que lhe e feita, enviando, porem, em seu lugar um mandatário, que é alguém que merece sua confiança e lhe comunga os pensamentos.
Um Espirito que induz alguém ao erro nem sempre pode ser qualificado de mau: pode enganar por boa-fé ou por ignorância. Os Espíritos levianos, que não necessariamente maus, divertem-se em mistificar.
. "Muitos médiuns reconhecem os bons e os maus Espíritos pela impressão agradável ou penosa que experimentam à aproximação deles,'' (16)
. Finalmente, "os Espíritos só enganam os que se deixam enganar. Mas, é preciso ter olhos de mercador de diamantes, para distinguir a pedra verdadeira da falsa. Ora, aquele que não sabe distinguir a pedra fina da falsa se dirige ao lapidário. " (15)

A N E X O - PROGRAMA V - ROTEIRO Nº 22
Após responder ao questionário abaixo, você deverá conferir as suas respostas orientando-se pela chave de correção constante no final deste anexo. Fornecer ao dirigente da reunião o total de questões acertadas.
QUESTIONÁRIO
01. Por que nem sempre e fácil identificar o Espirito comunicante?
02. Qual a importância da linguagem na identificação dos Espíritos?
03. Por que é fundamental saber distinguir os bons dos maus Espíritos?
04. Como saber se uma comunicação mediúnica provém de um Espírito superior?
05. Dizer por quais indícios supõem-se que uma determinada comunicação provem de Espirito moralmente inferior.
06. Qual 0 melhor critério na identificação dos Espíritos?
07. Que e essencial para julgar um Espirito?
 

CHAVE DE CORREÇÃO:

01. Os Espíritos nem sempre trazem dados comprobatórios de sua identidade; muitos tomam nomes de outros, alguns disfarçam sentimentos ou alteram a forma de sua apresentação. Além do mais, à medida que um Espírito evolui, os caracteres distintivos de suas personalidades vão-se apagando.
02. A linguagem revela o estilo, as idéias, o grau de elevação moral e de conhecimento de um Espirito.
03. Para não se deixar enganar pelos maus e saber acatar os conselhos dos bons Espíritos.
04. A linguagem dos Espíritos superiores é isenta de trivialidade, e digna; nobre, elevada. Tudo dizem com simplicidade e modéstia. "A bondade e afabilidade são atributos essenciais dos Espíritos depurados".
05. A linguagem dos Espíritos inferiores e inconseqüente, trivial e ate grosseira. Os maus Espíritos falam com desassombro, sem se preocuparem com a verdade. Os Espíritos levianos gostam de prever o futuro; usam linguagem empolada, pretensiosa, ridícula ou obscura.
06. O bom senso.
07. Saber julgar a si próprio.
 

Total de pontos acertados:

PROGRAMA V

ROTEIRO 23

DO MANDATO MEDIÚNICO.
CONTRADIÇÕES, MISTIFICAÇÕES E ANIMISMO 1ª PARTE.

As contradições sobre os ensinos espíritas "(...) são, em regra, mais aparentes que reais; (...) elas quase sempre existem mais na superfície do que no fundo mesmo das coisas e que, por conseqüência, carecem de importância. De duas fontes provêm: dos homens e dos Espíritos. (01)
"Quando começaram a produzir-se os estranhos fenômenos do Espiritismo (...) sucedeu que cada um os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias pessoais, suas crenças ou suas prevenções. Dai muitos sistemas (...)." (4)
Os sistemas nasceram, pois, devido às contradições de origem humana.
Os adversários do Espiritismo podem ser classificados em três categorias:
t'(...) 1a _ A dos que negam sistematicamente tudo o que e novo, ou deles não venha, e que falam sem conhecimento de causa. (.~.) Para eles, o Espiritismo é uma quimera, uma loucura, uma utopia. (...) São os incrédulos de caso pensado. ( ..)
2a _ A dos que, sabendo muito bem o que pensar da realidade dos fatos, os combatem, todavia, por motivos de interesse pessoal. Para estes, o Espiritismo existe, mas lhe receiam as conseqüências.
(...)
3a. _ A dos que acham na moral espírita uma censura por de mais severa aos seus atos ou às suas tendências. (...) Os primeiros são movidos pelo orgulho e pela presunção; os segundos, pela ambição; os terceiros, pelo egoísmo. (...)" (12)
"(...) De duas espécies são os fenômenos espíritas: efeitos físicos e efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, (...) concebe-se que neguem os efeitos inteligentes. (...)" (5)
Quanto aos efeitos físicos, seus argumentos se podem resumir nos quatro sistemas seguintes:
a) - Charlatanismo - " (. ..) Todos os espiritas seriam indivíduos embaídos (*) e todos os médiuns seriam embaidores (**), de nada valendo a posição, o caráter, o saber e a honradez das pessoas. (...)" (6)
b) - Loucura - "Alguns, por condescendência, concordam em por de lado a suspeita de embuste. Pretendem então que os que não iludem são iludidos, o que eqüivale a qualificá-los de imbecis. (...) Declaram, pura e simplesmente, que os que crêem são loucos (...)." (7)
c) - Alucinação - "(...) O observador estaria de muito boa-fé; apenas julgaria ver o que não vê. (...) Viu (...) por efeito de uma espécie de miragem (...)". (8)
d) - Músculo estalante- ""(...) A causa (...) reside nas contrações voluntárias, ou involuntárias, do tendão do músculo curto-perôneo. (...)" (9)
Quanto aos adversários que admitiam a existência de uma ação inteligente nos fenômenos espíritas, uma teoria foi apresentada: o Sistema do Reflexo.
"~...) Julgou-se que (essa inteligência) bem podia ser a do médium ou a dos assistentes (...)". (10)
Cesar Lombroso comenta, a respeito: "Outras explicações se tentam para evitar a da influencia dos mortos: por exemplo, a de que o médium extrai do cérebro dos presentes as respostas aos quesitos, (...) que depois projeta no exterior (...3 "(15) Não se compreende, porem, como o médium poderia realizar tal prodígio.
Outra tentativa de explicação dos fenômenos espiritas é a do Sistema Diabólico, também chamado pessimista ou demoníaco. Consiste na crença de que só o diabo ou os demônios podem comunicar-se. (11)
"(...) Os Espíritos ensinam a fraternidade, o perdão das injurias, a mansuetude (...). Dizem-nos que o caminho único da felicidade é o do bem e que os sacrifícios agradáveis ao Senhor são os que fazemos a nós mesmos. Exortam-nos a vigiar cuidadosamente nossos atos, afim de evitar a injustiça; recomendam-nos o estudo (...) e ~ amor aos nossos semelhantes (...).
;Se são estes os processos empregados por Satã para perverter-nos, é preciso declarar que eles se assemelham estranhamente aos que Jesus empregava para reformar os homens, e o anjo das trevas conduz mal seus negócios, trazendo-nos à virtude pela austeridade que recomenda em suas comunicações. (...)" (14)
"(...) O Espiritismo tem, e verdade, muitos inimigos interessados em sua perda; de um lado, os materialistas; do outro, os sacerdotes de todas as religiões, de sorte que seus (...) partidários estão entre o martelo e a bigorna, a receber rudes golpes de todos os lados.
Os materialistas tem argumentos extraordinários; não concebem a boa fé nos seus adversários e declaram que os fenômenos espiritistas são todos devidos à mistificação ou à prestidigitação. Para esses Espíritos (...), só existem duas classes no mundo: a dos enganadores e a dos enganados. Ora, não partilhando dessa opinião, seremos, necessariamente enganadores, e os médiuns, vulgares charlatães.(...)'' (13)
"Para se compreenderem a causa e o valor das contradições de origem espírita, é preciso estar-se identificado com a natureza do mundo invisível e tê-lo estudado por todas as suas faces. A primeira vista, parecerá talvez estranho que os Espíritos não pensem todos da mesma maneira (...). Supor-lhes igual apreciação das coisas fora imaginá-los todos no mesmo nível, pensar que todos devam ver com justeza fora admitir que todos já chegaram à perfeição, o que não é exato e não o pode ser. desde que se considere que eles não são mais do que a Humanidade despida do envoltório corporal. Podendo manifestar-se Espíritos de todas as categorias, resulta que suas comunicações trazem o cunho da ignorância ou do saber que lhes seja peculiar no momento, o da inferioridade, ou da superioridade moral que alcançaram. (...)" (2)
"(...) Os Espíritos realmente superiores jamais se contradizem e a linguagem de que usam é sempre a mesma, com as mesmas pessoas. Pode, entretanto, diferir, de acordo com as pessoas e os lugares. Cumpre , porém, se atenda a que a contradição, às vezes, é apenas aparente, está mais nas palavras do que nas idéias, porquanto, quem reflita verificará que a idéia fundamental é a mesma. Acresce que mesmo Espirito pode responder diversamente sobre a mesma questão, segundo o grau de adiantamento dos que o evocam, porem sempre convém que todos recebam a mesma resposta, por não estarem todos igualmente adiantados. É exatamente como se uma criança e um sábio fizessem a mesma pergunta. De certo, responderíeis a uma e a outra de modo que te compreendessem e, ficassem satisfeitos. As respostas, nesse caso, embora diferentes seriam fundamentalmente idênticas. " (03)
(*)EMBAIR . Enganar, iludir.
(**) EMBAIDOR . Impostor, enganador, embusteiro. |

SUGESTÕES DE PERGUNTAS A SEREM FORMULADAS AOS DIALOGADORES'
01. Quais são as duas fontes de contradições sobre os ensinos espiritas? (ver "O Livro dos Médiuns" - Item 297).
02. Por que surgiram diversos sistemas interpretativos do fenômeno mediúnico com o advento do Espiritismo? (ver "O Livro dos Médiuns" - Item 36).
03. Quais, e em que se fundamentam os sistemas de negação do fenômeno espirita? (ver "O Livro dos Médiuns" ~ Item 36).
04. Dizer quais são as três categorias de adversários do Espiritismo (ver "O Livro dos Espíritos"; na Conclusão, Item VII).
05. Apontar as contradições oriundas de alguns Espíritos (ver "O Livro dos Médiuns", Itens 298 a 302).
 

A N E X O 02
EXERCÍCIO DE VERIFICAÇÃO DE CONHECIMENTOS

Escreva C para a sentença certa e E para a que julgar errada.

As contradições existentes sobre a reencarnação são conseqüências de um sistema criado, inicialmente, por encarnados interessados em negar esse princípio da Doutrina Espírita.
03. ( ) Os Espíritos superiores jamais se contradizem.
04. ( ) As respostas dos Espíritos superiores e sempre coerente, independente do fato de que estejam falando a um sábio ou a uma pessoa inculta.
05. ( ) Para discernir se uma comunicação ensina a mentira ou a verdade É preciso estudar, comparar e aprofundar o estudo da Doutrina.
06. ( ) A melhor doutrina é aquela que satisfaz apenas as indagações de ordem afetiva.
07. ( ) As contradições sobre os ensinos ditados pelos Espíritos são sempre mais reais que aparentes.
08. ( ) Os adversários do Espiritismo podem estar incluídos nestas três categorias: os que negam sistematicamente, ou incrédulos; os que combatem a Doutrina por interesse pessoal, é os que consideram a moral espírita uma censura muito severa aos seus atos e tendências.
09. ( ) Segundo os que vêem no Espiritismo um sistema de alucinação, os médiuns são loucos.
10. ( ) A explicação dos fenômenos espíritas dada pelos defensores do sistema diabólico é que somente o diabo ou os demônios podem comunicar-se.
 

GABARITO DE RESPOSTAS:
01 - C
02 - E (foram os desencarnados que iniciaram as contradições sobre a reencarnação)
03 - C
04 - C
05 - C
06 - E (a melhor doutrina é a que satisfaz ao sentimento e à razão e a que mais elementos encerra para levar os homens ao bem).
07 - E (as contradições espíritas são mais aparentes do que reais, isto é, mais na forma do que no fundo).
08 - C
09 - E (o sistema que julga os médiuns loucos é o da loucura).
10 - C

PROGRAMA V

ROTEIRO 24

DO MANDATO MEDIÚNICO
CONTRADIÇÕES, MISTIFICAÇÕES E ANIMISMO 2ª PARTE.

A palavra mistificar significa "abusar da credulidade de; enganar, iludir, burlar, lograr, embair, embaçar." (05) Quem quer que se dedique à pratica mediúnica deve estar atento a esta ocorrência.
Existe a mistificação provocada pelo encarnado e há aquela promovida pelos desencarnados. Em ambos os casos, e necessário muita cautela e firmeza para não se deixar ludibriar.
"(...) As mistificações constituem os escolhos mais desagradáveis do Espiritismo prático. (...)" (01) Para evitá-las "(...) há para isso um meio simples: o de não pedirdes ao Espiritismo senão o que ele vos possa dar. (...)" (01) Ora, sabendo que a finalidade maior do Espiritismo é o melhoramento moral da Humanidade e, não nos afastando deste objetivo ;dificilmente seremos enganados, (01) "(...) porquanto não há duas maneiras de se compreender a verdadeira moral, a que todo homem de bom - senso pode admitir. (...)" (01)
Entendendo que os Espíritos superiores procuram sempre nos instruir e nos guiar no caminho do bem, saberemos rejeitar qualquer instrução que possa nos proporcionar vantagens materiais ou favorecer nossas paixões mesquinhas. (01)
Os Espíritos levianos são os que "(...) gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de intrigas, de induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. (...)" (04)
"A astucia dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. A arte, com que dispõem as suas baterias e combinam os meios de persuadir, seria uma coisa curiosa, se eles nunca passassem dos simples gracejos; porém, as mistificações podem ter conseqüências desagradáveis para os que não se acham em guarda. (...) Entre os meios que esses Espíritos empregam, devem colocar-se na primeira linha, como sendo os mais freqüentes, os que têm por fim tentar a cobiça, como a revelação de, pretendidos tesouros ocultos, o anuncio de heranças, ou outras fontes de riquezas. Devem, alem disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como todas as indicações precisas, relativas a interesse material. Cumpre não se dêem os passos prescritos ou aconselhados pelos Espíritos, quando o fim não seja eminentemente racional; que ninguém nunca se deixe deslumbrar pelos nomes que os Espíritos tomam para dar aparência de veracidade as suas palavras; desconfiar das teorias e sistemas científicos ousados; enfim, de tudo o que se afaste do objetivo moral das manifestações. (...)" (03)
Em tese, estes são os meios de se evitar as mistificações.
O que é animismo?
Animismo é o estado em que opera o Espírito do médium e não o do desencarnado.
"(...) A cristalização da nossa mente, hoje, em determinadas situações, pode motivar, no futuro, a manifestação de fenômenos anímicos, do mesmo modo que tal cristalização ou fixação, se realizada no passado, se exterioriza no presente. (...)
Muitas vezes, portanto, aquilo que se assemelha a um transe mediúnico, com todas as aparências de que há a interferência de um Espírito, nada mais é do que o médium, naturalmente o médium desajustado, revivendo cenas e acontecimentos recolhidos do seu próprio mundo sub-consciencial, fenômeno esse motivado pelo contato magnético, pela aproximação de entidades que lhe partilham as remotas experiências. (...)" (06)
"(...) Não devemos confundir mistificação com animismo. Na primeira, temos a mentira; no segundo o desajuste psíquico." (08)
"(...) Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras "mistificação inconsciente ou subconsciente" para batizar o fenômeno. (...)" (10)
A pessoa passível de animismo é um "(...) doente mental, requisitando-nos o maior carinho para que se recupere. Para sanar-lhe a inquietação, todavia, não nos bastam diagnósticos complicados ou meras definições técnicas no campo verbalista, se não houver o calor da assistência amiga. (...)" (11)
"(...) No fenômeno anímico o médium se expressa como se ali estivesse, realmente, um Espírito a se comunicar.
O médium nessas condições deve ser tratado com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam. (...)
O médium inclinado ao animismo e um vaso defeituoso, que pode ser consertado e restituído ao serviço, pela compreensão do dirigente, ou destituído, pela sua incompreensão.
Incompreendido, pode ser vitimado pela obsessão.(...)" (07)
Para maiores estudos sobre o tema Animismo, sugerimos a leitura das seguintes obras, alem das citadas na bibliografia:
AKSAKOF, Alexandre. Animismo e Espiritismo. Trad. do Dr. C.S. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. v.2-2.
BOZZANO Ernesto. Animismo ou Espiritismo? .Trad. de Guillon Ribeiro. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982.
XAVIER , Francisco Cândido. Animismo. In: Mecanismos da Mediunidade, Pelo Espírito André Luiz. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1973. p. 163-169.

A N E X O

Emersão dó passado

Em companhia do Assistente, tornamos à segunda reunião semanal do grupo presidido pelo irmão Raul Silva, a cuja organização nosso, ,orientador não regateava simpatia e confiança.,,
O conjunto de trabalhadores não se alterara na constituição que lhe era característica.,
A pequena fila dos obsessos, todavia, apresentava modificações.
Duas senhoras, seguidas pelos respectivos esposos, e um cavalheiro de, fisionomia fatigada integravam a equipe dos que receberiam assistência. Os médiuns da casa desempenharam caridosa tarefa, emprestando as suas possibilidades para a melhoria de várias entidades transviadas na sombra e no sofrimento, com a colaboração eficiente de Dona Celina à frente do serviço.
Solucionados diversos problemas alusivos ao programa da noite, eis que uma das senhoras enfermas cai em pranto convulsivo, exclamando:
—Quem me socorre? quem me socorre?!...
E comprimindo o peito com as mãos, acrescentava em tom comovedor:
—Covarde! por que apunhalar, assim, uma indefesa mulher? serei totalmente culpada? meu sangue condenará seu nome infeliz...
Raul, com a serenidade habitual, abeirou se dela e consolou-a, com carinho:
—Minha irmã, o perdão é o remédio que no recompõe a alma doente... Não admita que o desespero, lhe subjugue as energias!... Guardar ofensas é conservar a sombra. Esqueçamos o mal para que a luz do bem nos felicite o caminho...
—Olvidar? nunca... O senhor sabe o que vem a ser uma lamina enterrada em sua carne? ,sabe o que seja a calamidade de um homem que nos suga a existência para arremessar-nos à miséria, comprazendo-se, depois disso, em derramar-nos o próprio sangue?
—Sim, sim, ninguém lhe contraria o direito à justiça, segundo as suas afirmações, entretanto, não será mais aconselhável aguardar o pronunciamento da Bondade Divina ? Quem de nós estará sem mácula?
—Esperar, esperar?! há quanto tempo não faço outra coisa! Em vão procuro reaver a alegria... Por mais me dedique ao trabalho de romper com o pretérito, vivo a carregar a sombra de minhas recordações, como quem traz no próprio peito o sepulcro dos sonhos mortos... Tudo por causa dele... Tudo pelo malvado que me arruinou o destino...
E a pobre criatura prorrompeu em soluços, enquanto um homem desencarnado, não longe, fitava-a com inexprimível desalento.
Perplexos, Hilário e eu lançamos um olhar indagador ao Assistente, que nos percebeu a estranheza, porquanto a enferma, sem a presença da mulher invisível que parecia personificar, prosseguia em aflitiva posição de sofrimento.
—Não vejo a entidade de quem a nossa irmã se faz intérprete—alegou Hilário, curioso.
—Sim—disse por minha vez—; observo em nossa vizinhança um triste companheiro desencarnado, mas se ele estivesse telepaticamente ligado à nossa amiga, decerto a mensagem definiria a palavra de um homem, sem as características femininas da lamentação que registramos... Em verdade, não notamos aqui qualquer laço magnético que nos induza a assinalar fluidos teledinâmicos sobre a mente da médium...
Aulus afagou a fronte da doente em lagrimas, como se Ihe auscultasse o pensamento, e explicou:
—Estamos diante do passado de nossa companheira. A mágoa e o azedume, tanto quanto a personalidade supostamente exótica de que dá testemunho, tudo procede dela mesma... Ante a aproximação de antigo desafeto, que ainda a persegue de nosso plano, revive a experiência dolorosa que lhe ocorreu, em cidade do Velho Mundo, no século passado, e entra em seguida a padecer insopitável melancolia.
Recomeçou a luta na carne, na presente reencarnação, possuída de novas esperanças, contudo, tão logo experimenta a visitação espiritual do antigo verdugo, que a ela se enleia, através de vigorosos laços de amor e ódio, perturba-se-lhe a vida mental, necessitada de mais ampla reeducação. É um caso no qual se faz possível a colheita de valiosos ensinamentos.
—Isso quer dizer, então...
A frase de Hilário ficou, porém, no ar, porque o instrutor Ihe. definiu o pensamento, acrescentando:
—Isso quer dizer que nossa irmã imobilizou grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo, em torno da experiência a que nos referimos, a ponto de semelhante cristalização mental haver superado o choque biológico do renascimento no corpo físico, prosseguindo quase que intacta. Fixando-se nessa lembrança, quando instada de mais perto pelo companheiro que Ihe foi irrefletido algoz, passa a comportar-se qual se estivesse ainda no passado que teima em ressuscitar. É' então que se dá a conhecer como personalidade diferente, a referir-se à vida anterior.
Sorrindo, paternal, considerou:
—Sem dúvida, em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a comunicar-se com o presente, porque ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada, centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão-somente no ponto nevrálgico em que viciou o pensamento. Para o psiquiatra comum é apenas uma candidata à insulino-terapia ou ao eletrochoque, entretanto, para nós, é uma enferma espiritual, uma consciência torturada, exigindo, amparo moral e cultural para a renovação intima, única base sólida que lhe assegurará o reajustamento definitivo.
Analisei-a, com atenção, e conclui:
—Mediunicamente falando, vemos aqui um processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe encarnar uma personalidade diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesma...
—Poderíamos, então, classificar o fato no quadro da mistificação inconsciente?— interferiu Hilário, indagador.
Aulus meditou um minuto e: ponderou:
—Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da: Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras "mistificação inconsciente ou subconsciente" para batizar o fenômeno. Na realidade, a manifestação decorre dos próprios sentimentos de nossa amiga, arrojados ao pretérito, de onde recolhe as impressões deprimentes de que se vê possuída, externando-as no meio em que se encontra. E a pobrezinha efetua isso quase na posição de perfeita sonâmbula, porquanto se concentra totalmente nas recordações que já assinalamos , como se reunisse todas as energias da memória numa simples ferida, com inteira despreocupação das responsabilidades que a reencarnação atual lhe confere. Achamo-nos, por esse motivo, perante uma doente mental, requisitando-nos o maior carinho para que se recupere. Para sanar-lhe a inquietação, todavia, não nos bastam diagnósticos complicados ou meras definições técnicas no campo verbalista, se não houver o calor da assistência amiga.
Nosso orientador fez ligeira pausa, acariciando a enferma, e, enquanto Raul Silva continuava a doutriná-la e a consolá-la, notificou-nos, bondoso:
—Deve ser tratada com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam. É' também um Espírito imortal, solicitando-nos concurso e entendimento para que se lhe restabeleça a harmonia. A idéia de mistificação talvez nos impelisse a desrespeitosa atitude, diante do seu padecimento moral. Por isso, nessas circunstâncias, é preciso armar o coração de amor, a fim de que possamos auxiliar e compreender. Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, porque, a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno ao invés de socorro providencial. Primeiro, é preciso remover o mal, para depois fortificar a vítima na sua própria defesa. Felizmente, o nosso Raul assimila as correntes espirituais que prevalecem aqui, tornando-se o enfermeiro ideal para as situações dessa ordem.
Hilário, tanto quanto eu, edificado com os ensinamentos ouvidos, perguntou respeitoso:
—E podemos considerá-la médium, mesmo assim ?
—Como não? Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituído ao serviço. Naturalmente, agora a paciência e a caridade necessitam agir para salvá-la. Nossa irmã deve ser ouvida na posição em que se revela, como sendo em tudo a desventurada mulher de outro tempo, e recebida por nós nessa base, para que use o remédio moral que Ihe estendemos, desligando-se enfim do passado.., O assunto não comporta desmentido, por. que indiscutivelmente essa mulher existe ainda nela mesma. A personalidade antiga não foi tão eclipsada pela matéria densa como seria de desejar. Ela renasceu pela carne, sem renovar-se em espirito. . . ;
O Assistente fixou o gesto de quem mergulhava na própria consciência a sonda de suas reflexões e falou, qual se o fizesse de si para consigo:
—Ela representa milhares de criaturas aos nossos olhos!...Quantos mendigos arrastam na Terra o esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram outrora! quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas! . . . quantas almas conduzidas à ligação consangüínea caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis de aversão e ódio aos próprios parentes, que Ihes foram duros adversários em existências pregressas! . . . Todos podemos cair em semelhantes estados se não aprendemos a cultivar o esquecimento do mal, em marcha incessante com o bem...
Nessa altura, Raul Silva, na condição de hábil psicólogo, convidou a doente ao benefício da prece.
Competia-lhe a ela suplicar ao Céu a graça do olvido. Cabia-lhe expungir o passado da imaginação, de maneira a pacificar-se. E, singularmente comovido, recomendou-lhe repetir em companhia dele as frases sublimes da oração dominical.
A pobre senhora acompanhou-o docilmente.
Ao termino da suplica, mostrava-se mais tranqüila.
O prestimoso amigo, traduzindo a colaboração do mentor que o acompanhava, solicito, rogou-lhe considerar, acima de tudo, o impositivo do perdão aos inimigos para a reconquista da paz e, em lágrimas, a enferma desligou-se das impressões que a imobilizavam no pretérito, tornando à posição normal .
Enquanto Silva lhe aplicava passes de reconforto, o Assistente comentou:
— Outra não pode ser. por enquanto, a intervenção assistencial em seu benefício. Pela enfermagem espiritual bem conduzida, reajustar-se-á pouco a pouco, retomando o império sobre si mesma e capacitando-se para o desempenho de valiosas tarefas mediúnicas mais tarde.
Estimaríamos a possibilidade de continuar analisando o caso sob nossa vista, contudo, a outra senhora doente passou de improviso ao transe agitado e era preciso estudar, fazendo o melhor.

XAVIER, Francisco Cândido. Emersão do passado. In: Nos domínios da Mediunidade. Ditado pelo Espírito André Luiz. 11 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p. 209-215.

PROGRAMA V

ROTEIRO 25

DO MANDATO MEDIÚNICO.
O EXERCÍCIO IRREGULAR: ABUSOS, PERIGOS E INCONVENIENTES.

Tem (...) o homem que se submeter a uma complexa preparação e observar uma regra de conduta, para em si desenvolver o precioso dom da mediunidade. É necessário para isso a cultura simultânea da inteligência, a meditação, o recolhimento, o desprendimento das humanas coisas. (...) (05).
"(...) Os Espíritos inferiores, incapazes de aspirações elevadas, comprazem-se em nossa atmosfera. Mesclam-se em nossa vida (...), participam dos prazeres e trabalhos daqueles a quem se sentem unidos por analogias de caráter ou de hábitos. Algumas vezes mesmo, dominam e subjugam as pessoas fracas que não sabem resistir às suas influências. Em certos casos, seu império torna-se tal que podem impelir suas vitimas ao crime e à loucura.(...)
Há perigo para quem se entrega sem reservas às experimentações espíritas. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, pode dai recolher consolações inefáveis e preciosos ensinos. Mas aquele que só fosse inspirado pelo interesse material ou que só visse nesses fatos um divertimento frívolo tornar-se-ia fatalmente
o objeto de uma infinidade de mistificações, joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, seduzindo-o por brilhantes promessas, captariam sua confiança, para, depois, acabrunha-lo com decepções e zombarias.
~, portanto, necessária grande prudência para se entrar em relação com o mundo invisível. O bem e o mal, a verdade e o erro nele se misturam, e, para distingui-los, cumpre passar todas as revelações, todos os ensinos pelo crivo de um julgamento severo. (...)" (06)
Falamos dos perigos que a prática mediúnica pode engendrar. Existem, porem, situações que o exercício não se caracteriza por um perigo propriamente dito, mas por abuso ou inconveniente.
Por exemplo, "(...) O exercício muito prolongado de qualquer faculdade acarreta fadiga; a mediunidade está no mesmo caso, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos, ela necessariamente ocasiona um dispêndio de fluido, que traz a fadiga, mas que se repara pelo repouso." (01)
Desenvolver mediunidade nas crianças alem de ser inconveniente, é muito perigoso; "(...) pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitarão. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais (03)
O fato de exigir-se cuidados para a prática mediúnica, não deve permitir o exagero de imaginar-se que tal prática levaria ou provocaria a loucura.
"(...) A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial." (02)
"(...) A loucura, apesar das avançadas conquistas Psiquiátricas e Psicoanalíticas, continua desafiador enigma para as mais cultivadas inteligências, Classificada na sua patologia clínica e mapeada carinhosamente, os métodos exitosos nuns pacientes redundam perniciosos noutros ou absolutamente inócuos, inexpressivos. Isto, porque a terapia aplicada, apesar de dirigida ao Espírito ( psiquê )~, não é conduzida, em verdade, às fontes geratrizes da loucura: o Espirito reencarnado e aqueles Espíritos infelizes que o martirizam, no caso das obsessões. (...)~' (07)
Por isto, "(...) Todas as grandes preocupações do Espirito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e ate a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica no cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões.- Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, podendo tanto ser a dos Espíritos, a de Deus, dos anjos, do diabo, da
que então se moda em idéia fixa, em quem com eles se ocupou, como fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso se houvera tornado um louco espirita, se o Espiritismo fora a sua preocupação dominante (...)." (04)
Quando se afirma que a loucura tem como causa primária uma pré disposição orgânica no cérebro, queremos deixar claro que o cérebro do Espírito encarnado tem esta deficiência devido a causas cármicas. A loucura, em si, tem origem nos atos perpetrados pelo Espirito no seu passado. ,'(...) Merece, porém, considerar, o a que denominamos de causas cármicas, aquelas que precedem à vida atual e que vêm impressas no psicossoma (ou perispírito ) do enfermo, vinculado pelos débitos transatos àqueles a quem usurpou, abusou, prejudicou (...)." (08)
Não há razão, pois, para julgar que a mediunidade provoque loucura. Ao contrário, o Espiritismo "(...) bem compreendido, ele é um preservativo contra a loucura. (...)
Ora, o verdadeiro espirita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado {...). O que em outro, lhe produziria violenta emoção, mediocremente o afeta. (...) Suas convicções lhe dão, assim, uma resignação que o preserva do desespero e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicídio. (...)" (04)

PROGRAMA V

ROTEIRO 26

DO MANDATO MEDIÚNICO
PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE


A faculdade mediúnica pode sofrer perdas e suspensões, na maioria, passageiras, qualquer que seja o tipo de mediunidade de que o médium seja portador. Isso acontece porque a produção mediúnica ocorre através do concurso simpático dos Espíritos: sem eles nada pode o médium; a faculdade continua a existir, em essência, mas os Espíritos não podem ou não se querem utilizar daquele instrumento mediúnico. (01)
Entendendo a mediunidade como um meio que Deus oferece aos homens, de reforma moral e conseqüente progresso espiritual, os bons Espíritos afastam-se dos médiuns por vários motivos. Relataremos alguns:
a) Quando o médium se serve da faculdade mediúnica para atender a coisas frívolas ou com propósitos ambiciosos e desvirtuados.
Como coisas frívolas entendemos. Por exemplo, a prática da "buena dicha" ou dos ledores de mão. Infelizmente, este desvirtuamento da verdadeira prática mediúnica existe em larga escala e, mais cedo ou mais tarde, tais médiuns terão que prestar contas ao Senhor da aplicação feita dos talentos recebidos.
Os chamados "profissionais da mediunidade", não se agastam em receber pagamentos, quer sob s forma de dinheiro, presentes, favores, privilégios ou ate mesmo dependência afetiva ou emocional. Recordemos aqui as palavras de Manoel Philomeno de Miranda Espirito: "(...) o médium, habituando-se aos negócios e interesses de baixo teor vibratório, embrutece-se, desarmoniza-se (...).
A mediunidade com Jesus liberta, edifica e promove moralmente o homem, enquanto que, com o mundo, aturde, escraviza e obsidia a criatura. (...)" (08)

B) Quando o médium não aproveita as instruções nem os conselhos que os protetores espirituais propiciam.
O Espirito protetor aconselha sempre para o bem, sugerindo bons pensamentos ou amparando nas aflições o seu tutelado mas, em situação alguma, desrespeita o livre-arbítrio de quem quer que seja, "(...) Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influencias dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame. (...)" (06)
.
C) Quando a interrupção demonstra uma prova de benevolência do espírito protetor para com o médium (04)
Nesta situação, há três aspectos a considerar: primeiro, quando o Espirito amigo e protetor quer provar que a comunicação mediúnica não depende dele médium e que, assim, este não se deve vangloriar ou envaidecer. Segundo, quando o médium está debilitado fisicamente e precisa de repouso. Finalmente, em terceiro lugar, a mediunidade pode ser suspensa, temporariamente, quando se fizer necessário pôr à prova a paciência e a perseverança do médium ou lhe dar tempo para meditar nas instruções recebidas dos Espíritos. (04)
Em situações destas, o médium deve buscar na resignação e na prece os recursos para retomar a prática normal da mediunidade. (03)
" (...) Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino e desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor. Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem o insulto do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos . " (11 )
 

A N E X 0 02
EXERCÍCIO DO ESTUDO DIRIGIDO

01. Assinale somente as opções corretas.

A.( ) O profissionalismo da mediunidade não implica graves conseqüências morais.
B ( ) A faculdade mediúnica está sujeita a intermitência e a suspensões temporárias.
C ( ) Somente a mediunidade de efeitos físicos pode sofrer interrupções.
D ( ) Uma das causas da suspensão da mediunidade e o cansaço físico.
E.( ) O exercício da mediunidade e responsabilidade do homem; por isto independe do concurso dos Espíritos.
F.( ) Ante a prática mediúnica devemos ter em mente o ensinamento evangélico: dar de graça o que de graça recebemos.
G.( ) Se um médium realiza uma grande obra social e recebe dinheiro ou outras formas de pagamentos no exercício da mediunidade tem a sua conduta justificada pelos fins.
H.( ) A suspensão da mediunidade pode ocorrer como resultado de uma prova que os bons Espíritos facultam ao médium.
I. ~ ) Os "ledores da sorte" são geralmente instrumentos de Espíritos levianos, zombeteiros e, não raro, de obsessores.
J. ( )Todo médium que utiliza a mediunidade para o seu sustento material está na realidade, vendendo as suas faculdades psíquicas, e disto terá que prestar contas, mais cedo ou mais tarde, a Deus.
 

2. Enumere a coluna da direita de acordo com os enunciados à esquerda
 

01. Mediunidade com Jesus ( )Suspensão da mediunidade por debilidade física do médium
02. Suspensão temporária da mediunidade ( ) Médiuns que realizam a mediunidade fieis a Jesus e a Kardec
03. Mediunidade aviltada ( ) Mediunismo dos "ledores da sorte"
04 . Médiuns interesseiros ( ) Tráfico praticado por médiuns inescrupulosos sob a capa de pseudo-seriedade.
05 . Médiuns vitoriosos ( )Pode ocorrer quando um Espírito protetor quer testar a paciência do seu protegido 
06 Afastamento do Espírito protetor ( ) É a mediunidade que liberta. Edifica e promove moralmente o homem.
07 Os atributos medianímicos ( ) É a mediunidade que humilha, que favorece aos Espíritos fúteis, indecorosos, malvados.
08 "Buena Dicha " ( ) Ocorre quando vê, em seu protegido, a decisão de submeter-se aos Espíritos inferiores.
09 Comércio entre encarnados ( ) São aqueles que esperam receber favores à custa do trabalho mediúnico
10 Prova de benevolência do Espírito protetor ( ) Como os talentos de que nos fala o Evangelho.
  ( ) Comércio que será constante nos dias futuros

   GABARITO DE RESPOSTAS DO EXERCÍCIO.

01) As opções corretas são: b, d, f, h, i, j.
02) A numeração correta é : 10, 05, 08, 09, 02, 01, 03, 06, 04, 07.

03) Responda sucintamente.
A. Quais as principais causas da perda e sus pensão da mediunidade?
B. Que atitude(s) deve o médium tomar perante pessoas que insistem em favorece-lo com presentes, favores, privilégios ou mesmo dinheiro, alegando gratidão pelos benefícios recebidos através da sua mediunidade?
C. Pode o Espirito protetor do médium abandoná-lo? por que?
 

Respostas do exercício 03.
A. Quando o médium utiliza a faculdade mediúnica para atender a frivolidades ou a propósito ambiciosos desvirtuados; quando o médium não segue as orientações ou conselhos dos Espíritos Protetores; quando ocorre por efeito da benevolência dos Espíritos Superiores.
B. Recusar delicada e firmemente. Ter sempre em mente a sentença evangélica: "dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido" (Mateus, 10:8). Recordar, também, a estas pessoas que os benefícios sempre são dados por Deus.
C. Abandoná-lo jamais. Pode afastar-se, mas não o abandona completa mente e sempre se faz ouvir.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 27

DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO
NECESSIDADE DE METODIZAÇÃO: REGRAS A OBSERVAR,

Em qualquer trabalho em que se pretenda imprimir seriedade é necessário estabelecer um método, com regras definidas a serem observadas para que se possa alcançar o objetivo que se busca.
No caso da mediunidade, e em particular do desenvolvimento mediúnico, esta realidade se mostra ainda mais marcante.
A atividade mediúnica, sendo o elo de ligação entre o plano material e o plano espiritual, envolve uma serie de fatores que estão diretamente ligados ao médium, ao seu comportamento e às suas condições físicas, mentais e espirituais, reclamando deste sensibilidade, acuidade, conhecimento e experiência, indispensáveis ao bom êxito do empreendimento. E como a atividade mediúnica à luz da Dou trina Espírita está sempre ligada a uma atitude moral elevada, sendo utilizada tão somente como instrumento de progresso do homem tanto no seu aspecto intelectual como moral, reclama-se, também, do aspirante à prática mediúnica um comportamento moral à altura do trabalho a que se propõe.
"O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder confabular com os Espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém, moderar a sua impaciência, porquanto a comunicação com determinado Espirito apresenta muitas vezes dificuldades materiais que a tornam impossível ao principiante. (...) Convém, por isso, que no começo ninguém se obstine em chamar determinado Espírito, com exclusão de qualquer outro, pois amiúde sucede não ser com esse que as relações fluídicas se estabelecem mais facilmente (...)" (02)
Tudo isto nos leva, fatalmente, à conclusão que só terão êxito no seu trabalho mediúnico as pessoas que se submeterem a uma seria e perseverante disciplina, disciplina essa que já deverá ser encontrada nos seus primeiros contatos com a mediunidade, nos métodos aplicados nas reuniões de estudo e de educação mediúnica
"(...) Todo médium, que sinceramente deseje não ser joguete da mentira, deve, portanto, procurar produzir em reuniões serias, (. . . ) aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico das comunicações que receba. (...)" (01)
Léon Denis, em seu livro "No lnvisível", cita, de uma forma geral, algumas regras básicas que deverão nortear as reuniões mediúnicas
"Os grupos pouco numerosos e de composição homogênea são os que reúnem as maiores probabilidades de êxito. (...)" (05) Como a atividade mediúnica assenta-se, basicamente, no princípio de sintonia de sentimentos e pensamentos, é importante que essa sintonia se faça presente entre os encarnados e desencarnados participantes da reunião.
E é mais fácil, principalmente em uma reunião de iniciantes, como é o caso das reuniões de desenvolvimento mediúnico, alcançar essa sintonia, naturalmente em nível elevado, com um numero menor de participantes, não devendo ultrapassar o limite de 12 a 14 pessoas.
"(...) A renovação freqüente da assistência, (...) compromete ou pelo menos demora os resultados. (...)" (05) Baseados no mesmo princípio de sintonia anteriormente referido, e fácil concluir ma reunião em que os seus freqüentadores alteram-se com muita freqüência não serão criadas as condições básicas nem para que essa sintonia se faça presente e nem para que haja a homogeneidade e o clima de confiança entre os seus participantes, inexistindo, consequentemente, o ambiente propício à segura e benéfica manifestação mediúnica.
i'(...) Convém reunir-se em dias e horas fixos e no mesmo lugar. (...)" (05) ~ uma regra básica de organização e de método. Como a atividade mediúnica é uma atividade permanente e não temporária, é importante que se fixe dia. hora e local, para que, de uma forma ordeira e constante, encarnados e desencarnados convirjam suas atenções para o momento e local adequados, propiciando a preparação necessária ao êxito da reunião.
"(...) A perseverança é uma das qualidades indispensáveis ao experimentador. (...)" (05) (Léon Denis chama de experimentador no dirigente da reunião). A perseverança é um atributo fundamental para ser utilizado em qualquer atividade que vise conquistar um conhecimento uma experiência ou uma virtude. Kardec entende que um trabalhoso é sério se é perseverante "(...) O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se Ihe dá (...) (3). E o próprio Jesus observa; "Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo "(11).
"(...) Aborrece muitas vezes passar um serão infrutífero na expectativa dos fenômenos. Sabemos contudo que uma ação insensível. Lenta e progressiva, se realiza no curso das sessões. A concentração das forças necessárias não se efetua às vezes senão depois de repetidos esforços em reuniões de tentativas e de ensaios(...)(5)
"(...) Em nosso ministério de intercâmbio com os sofredores desencarnados, (...) a nossa concentração não deve objetivar uma realização estática, inoperante, (...) sem o resultado ativo do socorro generalizado aos que respiram conosco a psicosfera ambiente (...)". (08>
"(...) A direção do grupo deve ser confiada a uma pessoa excelentemente dotada, no ponto de vista das atrações psíquicas, digna, alem disso, de simpatia e confiança.(...)" (06)
"(...) É das mais delicadas a tarefa de dirigir um grupo. Exige qualidades raras, extensos conhecimentos e sobretudo longa pratica do mundo invisível.
Nenhum grupo, sem ser submetido a uma certa disciplina, pode funcionar Esta se impõe não somente aos experimentadores, como também aos Espíritos. O diretor do grupo deve ser um homem de dupla enfibratura? assistido por um Espirito - guia que estabelecerá a ordem no meio oculto, como ele próprio a manterá no meio terrestre e humano. Essas duas direções devem mutuamente completar-se, inspirar-se num pensamento igualmente elevado, unir-se na prossecução (*) de um objetivo comum. (...)" (07)
O dirigente de qualquer reunião mediúnica deve "(...) Rejeitar sempre a condição simultânea de dirigente e mediam psicofônico, por não poder, desse modo, atender condignamente um a um e nem a outro encargo.(...)" (10)
Deve, também, "(...) observar rigorosamente o horário das sessões, com atenção e assiduidade, fugindo de realizar sessões mediúnicas inopinadamente, por simples curiosidade ou ainda para atender a solicitações sem objetivo justo.
Ordem mantida, rendimento avançado.(...)" (08)
"(...) Iniciada a reunião, não permitir a entrada de pessoa alguma.(...)" (10)
"(...) O candidato ao desenvolvimento mediúnico deve: (...) freqüentar inicialmente, por certo tempo, as reuniões de Estudo Doutrinário e as de Assistência Espiritual (reunião publica - doutrinaria ). Quando for portador de processo obsessivo, deverá freqüentar, preliminarmente, aquelas ultimas reuniões, alem de inscrever-se para serviços de desobsessão, programados pelo Centro Espirita (...)' (10)
Vemos assim, que aqueles que procuram trabalho no campo da mediunidade, devem ter o propósito de desenvolver um trabalho de interesse coletivo e não exclusivamente pessoal. Por certo o médium será também e sempre beneficiado, mas esse não deve ser o seu objetivo. Para isto deve procurar a sintonia com os Espíritos superiores, em busca da inspiração e do fortalecimento de seus bons propósitos
(*) prosseguimento.

PROGRAMA V

ROTEIRO 28

DO DESENVOLVIMENTO MEDÚNICO
OPORTUNIDADE DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA

"A organização mediúnica, como as demais edificações elevadas, não se improvisa no caminho da vida. E o médium não é uma inteligência ou uma consciência anulada nas exteriorizações fenomênicas da comunicação entre as duas esferas. Edificar a mediunidade constitui uma obra digna do esforço aliado à perseverança, no espaço e no tempo." (06)
A faculdade mediúnica e, para os que a possuem, um instrumento de alto valor na conquista de novos conhecimentos, na prestação de serviço ao próximo, no desenvolvimento de virtudes, na realização de experiências enriquecedoras e no resgate de débitos pessoais.
Trata-se, pois, para o Espírito realmente consciente desses valores, de uma rara oportunidade, muitas vezes conseguida a duras penas, que propicia uma mais rápida ascensão espiritual.
"O surgimento da faculdade mediúnica não depende de idade, condição social ou sexo.
Pode surgir na infância, adolescência ou juventude, na idade madura ou na velhice.
Pode revelar-se no Centro Espírita, em casa, em templos de quaisquer denominações religiosas, no materialista, (...)" (05)
Natural, assim, que quando de seu aparecimento, o seu desenvolvimento deva ser cercado de todo cuidado, propiciando ao candidato ao mediunato um clima sereno alimentado pelo cultivo da oração, o estudo adequado para o conhecimento da Doutrina Espírita, das características específicas da mediunidade e do embasamento evangélico - moral que deverá sustentar a sua prática e a oportunidade de trabalho nobre que lhe ensejará a experiência edificante.
Nem sempre, porem, se percebe a eclosão ostensiva da faculdade mediúnica e nasce, no principiante espírita, o desejo natural de saber se possui ou não mediunidade que mereça estudo e educação. Somente a prática, o exercício metódico e perseverante dirá se o candidato ao mediunato estará apto para exercer tarefas no campo da mediunidade.
A prática mediúnica envolve uma serie de entraves, quando não de perigos, decorrentes da maior sensibilidade do médium e provocados quer pelos que tomam a postura de adversários da atividade mediúnica ou do próprio médium, quer provocados pelas suas próprias falhas, que o deixa, muitas vezes, a mercê dos Espíritos enganadores.
Conforme destaca Kardec "(...) Sabe-se, (...), que o recolhimento é uma condição sem a qual não se pode lidar com Espíritos sérios. As evocações feitas estouvadamente e por gracejo constituem verdadeira profanação, que facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros ou malfazejos. (...)" (01)
A reunião de estudo e educação da mediunidade deve proporcionar aos seus freqüentadores as condições para que o exercício mediúnico ocorra (...) em perfeita harmonia com os princípios da Doutrina Espirita. (02)
"(...) O candidato ao desenvolvimento mediúnico deve:
(...) 1 - freqüentar inicialmente, por certo tempo, as reuniões de Estudo Doutrinário e as de Assistência Espiritual. Quando for portador de processo obsessivo, deverá freqüentar, preliminarmente, aquelas ultimas reuniões, alem de inscrever-se para os serviços de desobsessão, programados pelo Centro Espírita;
(.. ) 2 - ser orientado para que controle "as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos" (...);
(...) 3 - ser aconselhado a não participar de trabalhos mediúnicos antes de se educar satisfatoriamente
(...) 4 -"esquivar-se à suposição de que detém responsabilidades ou missões de avultada transcendência, reconhecendo-se humilde portador de tarefas comuns" (...)
(...) 5 -"silenciar qualquer prurido de evidência pessoal na produção desse ou daquele fenômeno" (...);
(...) 6 - "descentralizar a atenção das manifestações fenomênicas (...), para deter-se no sentido moral dos fatos e das lições (...)". (02)
André Luiz nos informa que "(...) os centros cerebrais representam bases de operação do pensamento e da vontade, que influem de modo compreensível em todos os fenômenos mediúnicos, desde a intuição pura à materialização objetiva. Esses recursos, que merecem a defesa e o auxilio das entidades sábias e benevolentes, em suas tarefas de amor e sacrifício junto dos homens, quando os medianeiros se sustentam no ideal superior da bondade e do serviço ao próximo, em muitas ocasiões podem ser ocupados por entidades inferiores ou animalizadas, em lastimáveis processos de obsessão. (...)" (07)
Nunca é demais, pois, recomendar que "o conhecimento evangélico - doutrinário é de real utilidade no exercício mediúnico(...)(04)
(...) O aprendiz da mediunidade deve ser dócil a voz e ao comando dos Espíritos Superiores, através de cuja ductibilidade consegue vencer-se, corrigindo os desvios da vontade viciada, adaptando os seus desejos e aspirações aos interesses relevantes que promovem a criatura humana, domiciliada ou não no plano físico, meta precípua do compromisso socorrista a que candidata a mediunidade. (...)" (03)

A N E X O - DECÁLOGO PARA MÉDIUNS
1 — Rende culto ao dever.
Não ha fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias obrigações.
2 — Trabalha espontaneamente.
A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e destrói.
3 — Não te creias maior ou menor.
Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão.
4 — Não espere recompensas no mundo.
As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e a caricia da fonte, o lume da prece e a bênção da coragem, não têm preço na Terra.
5 — Não centralizes a ação.
Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais altas.
6 — Não te encarceres na dúvida.
Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.
7 — Estuda sempre.
A luz do conhecimento:, armar-te-á o espirito contra as armadilhas da ignorância.
8 — Não te irrites.
Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurança através de um coração conservado em vinagre.
9 — Desculpa incessantemente.
O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o modo justo de ser. e, ainda mesmo que te categorizem à conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto, de vista em que se coloca.
10 — Não tema, perseguidores.
Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema eterna ressurreição.
ANDRÉ LUIZ
XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA, Waldo, O Espírito da Verdade, por vários Espíritos, 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977, p. 22-24

PROGRAMA V

ROTEIRO 29

DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO.
ADAPTAÇÃO PSÍQUICA


"(...) Precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos. (...)" (05)
Esta afirmação, simples e objetiva, define com clareza o papel da mente nas atividades mediúnicas. É através da mente que se manifestam os valores adquiridos pelo Espírito, as experiências acumuladas, as virtudes, os conhecimentos, os defeitos, os dramas vividos, as afeições, o rancor, a bondade, o ressentimento, a compreensão, a vingança, a alegria, a tristeza, o amor e o ódio. Todas estas características intrínsecas do Espirito, exteriorizam-se através da mente, definido o grau de evolução em que se encontra, a faixa vibratória em que se vive.
"(...) Naturalmente circunscritos nas dimensões conceptuais em que nos encontramos, (...), podemos arrojar de nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos e particular. (...).
Somos, pois, vastíssimo conjunto de Inteligências, sintonizadas no mesmo padrão vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam por assim dizer a Humanidade Terrestre (.. )
Dependendo dos nossos semelhantes, (...) agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente (...)." (07)
O papel que a mente desempenha e muito importante para a necessária adaptação psíquica do médium iniciante nas atividades mediúnicas, mesmo porque nestas atividades ela não estará só; estará, juntamente com outras mentes encarnadas e desencarnadas, desenvolvendo um esforço no sentido de encontrar um ponto elevado de sintonia de pensamentos e de sentimentos, para transformar essa atividade mediúnica em atividade útil tanto para o seu aprimoramento espiritual como também para o beneficio geral, na forma de esclarecimento, consolação e apoio.
"(...) Segundo é fácil concluir, todos os seres vivos respiram na onda de psiquismo dinâmico que lhes é peculiar (...). Esse psiquismo independe dos centros nervosos, de vez que, fluindo da mente, e ele que condiciona todos os fenômenos da vida orgânica em si mesma.
Examinando, pois, os valores anímicos como faculdades de comunicação entre os Espíritos, qualquer que seja o plano em que se encontram, não podemos perder de vista o mundo mental do agente e do recipiente (receptor), porquanto, em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita às possibilidades e à coloração dos pensamentos em que vive, e a inteligência emissora jaz submetida aos limites e as interpretações dos pensamentos que e capaz de produzir. (. .~" (08)
''(...) Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam os caraterísticos em que se expressem, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitam fixar a luz que jorra para nos, das Esferas Mais Altas (...)." (09)
"(...) ,Mediunidade não basta só por si.
É imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção. (...)" (10)
Por certo não se vai esperar do iniciante, do médium aprendiz, como nos lembra Kardec, (01) uma fé vigorosa, uma alta capacidade de consolar, de esclarecer, de amar e de servir. Seria insensato, uma vez que lhe falta a necessária experiência. Mas é indispensável que apresente o sincero propósito de aprender, o desejo honesto de se aprimorar e a boa vontade em servir e atender aos seus semelhantes. Estes pressupostos são básicos para que, nessa atividade de intercâmbio, os Espíritos superiores encontrem seriedade de propósito nos participantes e tenham, assim, meios e razão para participar com utilidade desses trabalhos.
"O escolho com que topa a maioria dos médiuns principiantes é o de terem de haver-se com Espíritos inferiores e devem dar-se por felizes quando não são Espíritos levianos. Toda atenção precisam pôr em que tais Espíritos não assumam predomínio, porquanto, em acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçar-se deles. (...)
A primeira condição é colocar-se o médium, com fé sincera, sob a proteção de Deus e solicitar a assistência do seu anjo de guarda (...).
A segunda condição e aplicar-se, com meticuloso cuidado, s reconhecer, por todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros Espíritos que se comunicam (...).
A este respeito, instruções muito desenvolvidas se encontram nos capítulos Da Obsessão e Da Identidade dos Espíritos(...)" (02), de O Livro dos Médiuns.
`'(...) Ajudemos os médiuns iniciantes a perceber que na mediunidade, como em qualquer outra atividade terrestre, não há conhecimento real onde o tempo não consagrou a aprendizagem, e que todos os encargos são nobres onde a luz da caridade preside as realizações.
Para esse fim, conduzamo-los a se esclarecerem nos princípios salutares e libertadores da Doutrina Espírita. (...)" (12)
Não só o médium iniciante, mas todos os freqüentadores do Centro Espírita devem estar informados que "(...) As vibrações disseminadas pelos ambientes de um Centro Espírita, pelos cuidados dos seus tutelares invisíveis; os fluidos úteis, necessários aos variados quão delicados trabalhos que ali se devem processar, desde a cura de enfermos até a conversão de entidades desencarnadas sofredoras e ate mesmo a oratória inspirada pelos instrutores espirituais, são elementos essenciais (...). Essas vibrações, esses fluidos especializa dos, muito sutis e sensíveis, hão de conservar-se imaculados (...). Daí porque a Espiritualidade esclarecida recomenda aos adeptos da grande Doutrina o máximo respeito nas assembléias espíritas, onde jamais deverão penetrar a frivolidade e a inconseqüência, a maledicência e a intriga, o mercantilismo e o mundanismo, (...) visto que estas são manifestações inferiores do caráter e da inconseqüência humana, cujo magnetismo, para tais assembléias,(...), atrairá bandos de entidades hostis e malfeitoras do invisível, que virão a influir nos trabalhos posteriores (...)." (03)
Cabe-nos observar, finalmente, que, se nas atividades terrenas não conseguimos bons resultados nos empreendimentos a não ser através do trabalho, da disciplina e da perseverança; nas atividades espirituais e mediúnicas, que transcendem os limites de uma existência física, teremos, com muito maior razão, que nos empenhar no trabalho com disciplina e perseverança, associadas à humildade e a um claro conhecimento dos princípios doutrinários, para alcançar um relativo conhecimento real da prática mediúnica. E. tudo isto sem ceder aos impulsos de inovação que, muitas vezes, tendem a adaptar os princípios doutrinários às nossas próprias limitações, acomodando-os às imperfeições que nos caracterizam.

A N E X O
QUESTÕES PARA SEREM UTILIZAS DURANTE A DISCUSSÃO CIRCULAR, E APÓS A LEITURA DA SÍNTESE DO ASSUNTO
01. O que se deve entender por adaptação mental ou psíquica na prática mediúnica?
02. Esclarecer por que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos.
03. De que maneira agimos e reagimos uns em relação aos outros?
04. Exemplifique valores do Espírito que a mente manifesta.
05. Por que devemos vigiar cuidadosamente nossos pensamentos, palavras e atos, sobretudo quando estivermos no Centro Espírita?
0ó. Qual a principal dificuldade que o médium principiante enfrenta?
07. O que deve fazer este médium para superar a dificuldade citada na resposta anterior?
08. Por que a mediunidade não basta só por si?
09. Relacione os principais tipos de auxílios que deveremos proporcionar ao médium principiante.
10. Compare a resposta anterior com as anotadas no quadro de giz no inicio da reunião, corrigindo-as, se necessário.
 

PROGRAMA V

ROTEIRO 30

DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO
SINAIS PRECURSORES DA MEDIUNIDADE: - MEDIUNIDADE COMO PROVA,

A mediunidade, na maioria das vezes, é um dom que o Espirito pede diante da sua necessidade de, quando encarnado, se conscientizar, de forma indelével, de sua condição de Espírito eterno, e como instrumento de agilização de seu progresso espiritual.
E, independentemente de suas próprias convicções, muitas vezes contrárias a essa realidade espiritual, a faculdade mediúnica surge, ampliando a sensibilidade do homem para a percepção do ambiente espiritual que o circunda. E fiel à lei de afinidade que lhe rege o funcionamento, a mediunidade coloca o homem, basicamente, em sintonia com a realidade espiritual afim com o padrão mental e emocional que alimenta.
Em função disso, a mediunidade "(...) se manifesta nas crianças e nos velhos, em homens e mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e moral (...)" (01;
Insciente, muitas vezes, dos recursos mediúnicos que carrega, o homem começa a se sentir envolto em problemas o mais das vezes de causas indefinidas como: mal-estar generalizado, desequilíbrio emocional fácil, doenças que surgem e desaparecem sem explicações medicas claras, desentendimento no lar, problemas profissionais os mais diversos e muitas outras formas de desarmonia pessoal, familiar, social e profissional.
~ quando, pressionado pelas circunstancias e sem encontrar solução em outra parte, o homem bate à porta do Centro Espírita, onde deve ser recebido com os mais nobres sentimentos de solidariedade, compreensão, esclarecimento e ajuda.
Geralmente, o principiante espírita deseja saber que tipo de mediunidade possui e um dos recursos que utiliza é informar-se com os Espíritos, através de outros médiuns. Isto nem sempre e uma boa medida: '(...) deve, (...) notar-se que, quando alguém inquire dos Espíritos se é médium ou não, eles quase sempre respondem afirmativamente (...). Isso se explica naturalmente. Desde que se faça ao Espirito uma pergunta de ordem geral, ele responde de modo geral. (...) A esta pergunta vaga: sou médium,? O Espirito pode responder - Sim. A esta outra mais precisa: sou médium escrevente? Pode responder -Não.
Deve também levar-se em conta a natureza do Espírito a quem e feita a pergunta. Há os tão levianos e ignorantes que respondem a torto e a direito, como verdadeiros estúrdios. (...)" (02)
"(...) Os sintomas que anunciam a mediunidade variam ao infinito.
Reações emocionais insólitas.
Sensação de enfermidade, só aparente.
Calafrios e mal-estar.
Irritações estranhas.
Algumas vezes, aparece sem qualquer sintoma. Espontânea. Exuberante. (...)
Paciência, perseverança, boa vontade, humildade, estudo e trabalho são fatores de extrema valia na educação mediúnica.
Ninguém sabe quanto tempo demorará o desenvolvimento.
A paciência ajuda a esperar. (...)" (04)
A tônica, todavia, é a mediunidade vinculada à dor, principal mente no seu início. E isso não é difícil de se compreender uma vez que estamos em um mundo de expiações e provas, habitado por seres encarnados e desencarnados com os quais nos afinizamos e em quem predomina uma forte carga de imperfeições morais tais como a inveja, o ciúme, a malícia, o despeito, a :deslealdade, o ódio, a vingança e tantos outros filhos do orgulho, do egoísmo e da ignorância. São as vibrações decorrentes dessas imperfeições que o médium iniciante, com a sua sensibilidade ampliada, passa a sentir, sem ter, ainda, condições de oferecer a adequada resistência. Somente o trabalho nobre, a perseverança no bem, o estudo sério, a oração e a vigilância Ihes darão os recursos para o gradativo equilíbrio.
"(...) Na atualidade, porem, temos de reconhecer que no campo imenso das potencialidades psíquicas do homem existem os médiuns com tarefa definida, precursores das novas aquisições humanas. É certo que essas tarefas reclamam sacrifícios e se constituem, muitas vezes, de provações ásperas (...).'' (05)
"(...) Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. (...) são almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia. (...)" (06)
"(...) As existências dos médiuns, em gera têm constituído romances dolorosos, vidas de amargurosas dificuldades, em razão da necessidade do sofrimento reparador; suas estradas, no mundo, estão repletas de provações, de continências e desventuras. (...)" (07)
Nesses casos a mediunidade não é conquista do Espírito para a eternidade, mas concessão temporária. E os Espíritos superiores a concedem pois sabem tratar-se de um instrumento extremamente valioso, embora difícil e complexo na sua aplicação, que, se bem aproveitado ensejará ao homem a sua mais rápida ascensão espiritual, libertando-se dos débitos acumulados no passado, da ignorância e da maldade, que o tem retido no círculo vicioso da dor durante séculos.
A mediunidade, assim é, para o homem, uma prova muitas vezes dolorosa, mas sempre necessária ao seu enriquecimento espiritual. É o "talento" de que nos fala o Evangelho, cedido como empréstimo para testar no homem a sua capacidade de administração. E, dependendo dessa administração, outros "talentos" maiores e mais nobres poderão lhe ser. também, concedidos, ou, se mal utilizado, mesmo este lhe poderá ser retirado.
Todos somos médiuns, mas nem sempre possuímos uma faculdade o perante, capaz de ser transformada ou caracterizada como mediunidade - tarefa; apesar dos esforço. que envidamos, a nossa faculdade mediúnica pode mostrar-se incipiente. ~ o que Kardec denomina de médiuns improdutivos : (03) quando experimentam a psicografia, mesmo após meses e mais meses de exercícios, obtém-se apenas sinais ou uma ou outra palavra. e experimentam a psicofonia, o Máximo que conseguem são sons ou ruídos abafados. gemidos ou suspiros, não conseguindo nada mais.
Se a pessoa se revela como um médium improdutivo, não deve, por isto mesmo, deixar-se envolver por desânimos; deve abraçar com alegria outras tarefas na seara espírita. Pode continuar freqüentando as reuniões mediúnicas na categoria de médium passista, de doutrinação ou de sustentação.
Devemos compreender que, independente de possuirmos ou não mediunidade produtiva, "(...) O objetivo fundamental de nossa presença, em qualquer estancia do Universo, é o serviço que possamos prestar. (...)" (08)

A N E X O 01 - MÉDIUNS EM TORMENTO.
Guarda a mediunidade, essa gema de inestimável preço, ,nos cofres fortes da conduta reta.
Acompanhando os portadores da abençoada concessão, identificarás tormentos em torno deles, ameaçando-lhes a paz, inquietando-os. Tormentos íntimos que os seguem desde o passado culposo e tormentos de fora com mil faces da sedução.
A mediunidade que enfloresce em tua alma é concessão da Vida ,para regularização dos velhos débitos .para com a vida.
Compulsando o Evangelho de Jesus Cristo, nele encontrarás os médiuns vencidos pelos tormentos, buscando o Mestre. No entanto, a grande maioria por Ele beneficiada, recuperou a paz íntima, calçando as sandálias do serviço edificante, permanecendo, porém, em vigília até o termo da jornada.
Faze o mesmo. Aplica a palavra de carinho sobre a ferida aberta no cerne do companheiro aflito, mesmo que ele se guarde sob as sedas da vaidade; estende os braços. ao passante atribulado, oferecendo-lhe entendimento a todo instante; doa o pensamento superior ao amigo amesquinhado no vendaval das paixões que necessita de amparo e de agasalho; oferece expressões de solidariedade ao homem de mente desalinhada que se deixou abraçar pelos tentáculos poderosos do polvo do crime.
Pelo bem que faças, lentamente sairás do pantanal do desequilíbrio onde o passado te precipitou.
Os tormentos de ontem te seguem hoje os passos pela senda da renovação. Tormentos de agora que surgem examinando a robustez da tua fé, são convites sóbrios para que te libertes e encontres paz. Para resistires, elege a oração do trabalho :como companheiro inseparável da tua instrumentalidade mediúnica, para que os tormentos naturais não encontrem acesso à tua mente, nem guarida no teu coração.
Mediunidade é filtro espiritual de registros especiais.
Opera no bem infatigável em nome do Infatigável Bem e procura, médium que és, caminhando pelas mesmas vicissitudes por onde os outros jornadeiam, compreender todos, mesmo aqueles que parecem felizes e distantes dos teus recursos de auxílio.
Herodíades, a infeliz concubina do Tetrarca, dominada por obsessão cruel, fascinou-se pelo Batista e, repudiada, voltou-se contra ele, tornando-se peça principal no seu infamante assassínio. . . ~
Enquanto 0 Senhor pregava na Sinagoga, um espirito infeliz tomou a boca de um médium atormentado e insultou o Mestre, interrogando:... -"que temos nós contigo"?...
Antes do memorável encontro com o Rabi Afável, a jovem de Magdala portava obsessores lastimáveis que a vinculavam a compromissos cruéis com o sexo.
Angustiado pai busca o Celeste Mensageiro para atender o filho perseguido por um "espírito que o toma, e de repente clama, e o despedaça até espumar"...
Judas, embora a convivência constante com Jesus, guardando investidura medianímica, deixa-se enredar pelas seduções de mentes perturbadas do :Além. . .
Considera a mediunidade como meio de sublimação. -Raros, somente raros médiuns trazem o superior mandato consigo. A quase totalidade, no entanto ... -
O médium falante, cuja boca se enriquece de expressões sublimes, muitas vezes é um coração sensível ligado a compromissos e erros dos quais não se pode libertar; o médium escrevente, por cujas mãos escorrem os pensamentos divinos, compondo páginas .consoladoras, quase sempre caminha sob sombras de angústias interiores, sem forças para colocar a luz; viva do Mestre na mente. turbilhonada; o médium curador, que distende os recursos magnéticos da paz e da saúde e que parece feliz na sua posição socorrista, é, invariavelmente, alma em perigo, entre as injunções de adversários impiedosos do mundo espiritual, que lhe sitiam a casa íntima, apedrejando-o com sofrimentos de todo jaez: o médium que enxerga, através de percepção especial e que surge como abençoado, donatário da mediunidade superior, na maioria das vezes tem os olhos perturbados por visões: cruéis, que retratam os seus dramas íntimos, fugindo de si mesmo, sem forças para continuar: o médium que reflete o pensamento social, em acórdãos, nos tribunais da justiça terrena, ignorando a sua posição de medianeiro entre as forças do bem e o mundo dos homens, pode ser um pobre obsediado pelas mentes vigorosas e vingadoras da Erraticidade inferior....
Apiada-te de quantos passam, oferece o coração, doa a tua prece e agradece a Jesus, o Médium Excelso, a preciosa lição que hoje te clareia os passos, ajudando-te a vencer os tormentos que te impedem o avanço, recordando que "o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas".
Após a leitura do texto, responder às seguintes questões:
01. Por que os médiuns geralmente carreiam, tormentos em torno de si?
02. Em que sentido a mediunidade é oportunidade de evolução
03. Com base no texto lido, diga o que é ser médium.
04. 0 que e mediunidade como prova?
05. De as principais características de mediunidade como prova.
06. Como você classificaria a mediunidade dos personagens citados no texto: produtiva, improdutiva de prova ou sob influência obsessiva ? Justifique sua resposta.
(*) FRANCO, Divaldo Pereira. Dimensões da Verdade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, 2 ed. Salvador, Livraria Espírita "Alvorada" 1977, p. 19-21.

ANEXO 02

ECLOSÃO MEDIÚNICA.
" Isso, entretanto, exige, antes de tudo, paciência e trabalho, responsabilidade e entendimento, atenção e suor " EMMANUEL
O surgimento de faculdade mediúnica não depende de lugar, idade, condição social ou sexo.
Pode surgir na infância, adolescência ou juventude, na idade madura ou na velhice.
Pode revelar-se no Centro Espirita, em casa, em templos de quaisquer denominações religiosas, no materialista.
0s sintomas que anunciam a mediunidade variam ao infinito.
Reações emocionais insólitas.
Sensação de enfermidade, só aparente.
Calafrios e mal-estar.
Irritações estranhas.
Algumas vezes aparece sem qualquer sintoma. Espontânea. Exuberante.
Um botão de rosa (a figura é de Emmanuel) que desabrocha para, no encanto e no perfume de uma rosa, embelezar a vida.
*
Desabrochando, naturalmente, a mediunidade é esse botão tendo por jardineiro o Espiritismo, que cuidará de seu crescimento
*
Paciência, perseverança, boa-vontade, humildade, sinceridade, estudo e trabalho são fatores de extrema valia na educação mediúnica.
Ninguém sabe quanto tempo demorara o desenvolvimento.
A paciência ajuda a esperar. "Sede vos também pacientes, e, fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima." Epístola de Paulo a Tiago.
Tudo no mundo, para crescer bem, pede perseverança. O conselho é de Jesus: "É: na vossa perseverança que ganhareis as vossas almas"
Aquele que persevera é, ao mesmo tempo, pontual e assíduo, dotado de compreensão e responsabilidade.
E os Espíritos Bons são sensíveis a isto.
.Sem boa-vontade nada progride. Fica tudo na estaca zero.
Paulo de Tarso, escrevendo aos Romanos, realça a boa-vontade: "Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus é a favor deles e para que sejam salvos."
A boa-vontade deve acompanhar o irmão que iniciou o esforço de sua educação mediúnica.
Sem a humildade, o orgulho se apossa de nós.
Expande-se, e com a sua expansão sobrevêm o fracasso, com o cortejo de suas conseqüências.
O Apóstolo dos Gentios, incentivando e orientando os cristãos de Efeso, aconselha-os: " Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros."
A sinceridade, na educação mediúnica, é fator imprescindível.
Tem a palavra mais uma vez, o Apóstolo Paulo: " Porque nós não estamos mercadejando a palavra de Deus, como tantos outros, antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus." (II Corintios. )
Os Espíritos não podem levar em boa conta o servidor insincero .
*
Estudo e trabalho formam a base para o desenvolvimento mediúnico, estruturando com segurança, o processo educativo na alma e no coração do companheiro.
O médium que não estuda e não trabalha assemelha-se a uma embarcação;; à deriva, no turbilhão Oceânico.
"Espiritas' Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruívos, este o segundo " ( O Espírito de Verdade)

Após a leitura do texto, responda às seguintes questões:
01. A eclosão da faculdade mediúnica está presa a algum fator? por que?
02 Cite alguns sintomas que podem estar relacionados com o surgimento da mediunidade.
03. Pode a mediunidade aparecer sem nenhum sintoma? exemplifique.
04. Por que determinados sintomas, tais como irritação, tristeza, mal estar geral, medo, pesadelos, angustia, entre outros, podem estar associados ao desabrochar da mediunidade?
05. Os sintomas apontados na pergunta anterior estão sempre relacionados com a mediunidade? Justifique a sua resposta. ~
06. Por que o estudo e o trabalho formam a base para o desenvolvimento mediúnico?
(*) MARTINS PERALVA. "A. Mediunidade e Evolução. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p.19-21.

PROGRAMA V

ROTEIRO 31

DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO
A EDUCAÇÃO MEDIÚNICA E A EVANGELIZAÇÃO DO MÉDIUM.


A prática mediúnica envolve em si mesma uma serie de fatores intrínsecos da personalidade do médium, do Espírito comunicante e dos demais participantes da reunião e a manifestação das leis que regem o relacionamento e o comportamento dos que habitam quer o mundo material, quer o mundo espiritual. Assim, tudo que diga respeito ao mundo material, tudo o que diga respeito ao mundo espiritual e tudo que diga respeito ao mundo íntimo dos participantes da reunião, exerce influência na atividade mediúnica. Em outras palavras, tudo o que está em nós e fora de nós influencia a prática mediúnica.
Desta forma, é necessário, não só compreender o fenômeno mediúnico como promover a educação do aprendiz da mediunidade. "(...) Admitido a construções de ordem superior, o médium é convidado ao discernimento e a disciplina, para que se lhe aclarem e aprimorem as faculdades (...).
.Para esse fim, conduzamo-los (os médiuns) a se esclarecerem nos princípios salutares e libertadores da Doutrina Espírita.
Médiuns para fenômenos surgem de toda parte e de todas as posições. Médiuns para a edificação do aprimoramento e da felicidade, entre as criaturas, são apenas aqueles que se fazem autênticos servidores da Humanidade. (...)" (08).
"Nada verdadeiramente importante se adquire sem trabalho. Uma lenta e laboriosa iniciação se impõe aos que buscam os bens superiores. Como todas as coisas, formação e o exercício da mediunidade encontram dificuldades (...)
Uma multidão de Espíritos nos cerca, sempre ávidos de se comunicarem com os homens. Essa multidão e sobretudo composta de almas pouco adiantadas, de Espíritos levianos, algumas vezes maus, que a densidade de seus próprios fluidos conserva presos a Terra. (...) Donde resulta que os principiantes quase nunca obtém senão comunicações sem valor, respostas chocarreiras, triviais, às vezes inconvenientes, que os impacientam e desanimam. (...)" (03)
"(...) Muitas decepções e dissabores seriam evitados se se compreendesse que a mediunidade percorre fases sucessivas, e que no período inicial de desenvolvimento, o médium e sobretudo assistido por Espíritos de ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados de matéria, se adaptam melhor aos seus e são apropriados a esse trabalho de bosquejo, mais ou menos prolongado, a que toda faculdade está sujeita.
Só mais tarde, quando a faculdade mediúnica, suficientemente desenvolvida, (...) é que os Espíritos elevados podem intervir e utilizá-la para um fim moral e intelectual. (...)" (04)
Com estas afirmativas de Léon Denis não se deve concluir que todos os médiuns, no início do seu trabalho, transmitam obrigatoriamente mensagens de Espíritos inferiores. Se considerarmos tais afirmativas como regra geral, dentro dela, todavia, existem exceções.
Paralelamente ao estudo do Espiritismo, deve o mediam empenhar-se para que ocorra a sua "(...) reforma moral (...) e o esforço pela vivência dos ensinamentos evangélicos numa edificante atividade de socorro fraternal (...)." (05)
Neste sentido é o que nos informa André Luiz em "Os Missionários da Luz ", através das palavras esclarecedoras do venerável Espirito Alexandre: "(...) Mediunidade não é disposição da carne transitória e sim expressão do Espírito imortal. (...) Se aspirais só desenvolvimento superior, abandonai os planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios, crescei no conhecimento (...). Se aguardais a companhia sublime dos santos, santificai-vos na luta de cada dia (...). Se desejais a presença dos bons, tornai-vos bondosos por vossa vez. Sem afabilidade e doçura, sem compreensão fraternal e sem atitudes edificantes, não podereis entender os Espíritos afáveis e amigos, elevados e construtivos. (...)" (09)
"(...) A perseverança no compromisso e o recolhimento íntimo, com desapego natural das paixões inferiores e dos artifícios secundários da vida social com suas questiúnculas e condicionamentos, produzem uma liberação das matrizes dos registros psíquicos aos quais se adaptam as tomadas mentais dos Benfeitores desencarnados, estabelecendo-se um seguro intercâmbio (...).(05)
Sendo a mediunidade, em si, neutra refletindo o nível moral de quem a pratica, é justo concluir que a atividade mediúnica espirita deve refletir a moral espirita e sendo a moral espírita a expressão do Evangelho, a prática mediúnica espírita deve ser vivência plena e consciente dos ensinamentos cristãos. É de fundamental importância, assim que todo candidato ao mediunato espirita tenha, entre os primeiros estudos, o estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espirita.
É o que observa Emmanuel na questão 387 de seu livro "0 Consolador"(...) A primeira necessidade do médium e evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão." (10)
"(...) A mediunidade colocada a serviço de Jesus, deve ser adaptada ao programa que se origina no mundo espiritual, tornando o medianeiro dócil e submisso ao trabalho superior, evitando impor-se, exigir condições especiais e resultados rápidos que parecem levar à promoção pessoal, ao sucesso, ao relevo e ao aplauso.
Tenha-se em mente que o trabalho, na mediunidade espirita consciente, ainda é sacrificial, de renuncia e evolução (...)." (06)
"(...) Quem, pois, deseje comunicações serias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se granjear a benevolência dos bons Espíritos e a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material " (01)
O médium deve evangelizar-se para tornar-se um instrumento de melhoria espiritual, que beneficiará não somente a si próprio mas também os que se encontram a sua volta. "A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. (...)" (0Z)
"(...) As tarefas mediúnicas pedem assiduidade, pontualidade, fidelidade a Jesus e Kardec (...).
Mediunismo sem Evangelho é fenômeno sem Amor (...).
Mediunismo sem Doutrina Espírita é fenômeno sem esclarecimento.
Mediunismo com Espiritismo, mas sem Evangelho, e realização incompleta.
Mediunismo com Evangelho e sem Espiritismo e, também, realização incompleta.
Mediunismo com Evangelho e Espiritismo é penhor de vitória espiritual, de valorização dos talentos divinos.
Imprescindível, pois, a trilogia Evangelho - Espiritismo - Mediunidade " (07)

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 32

DO DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO
 
A INFLUÊNCIA DO MÉDIUM NA COMUNICAÇÃO


Sendo a mediunidade, basicamente, um processo de comunicação que tem no médium o seu instrumento intermediário, e de se prever que a mensagem comunicada sofrerá sempre uma maior ou menor influência desse médium. É o que esclarecem os Espíritos a Kardec e o que a prática vem demonstrando: O Espirito do médium exerce influência nas comunicações mediúnicas podendo, inclusive "(...) alterar lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e a seus pendores (...)." (01)
Este é um dos aspectos mais complexos da mediunidade e que pode levar alguns iniciantes mais afoitos à incredulidade. Todavia, pela sua própria caraterística, essa influência faz parte de seu funcionamento, uma vez que, por mais passivo que seja o médium, ele deverá ter sempre uma postura de vigilância durante o processo de comunicação, para o adequado uso de sua faculdade e essa Vigilância implica acompanhar toda s manifestação mediúnica de uma forma mais ou menos acentuada.
Antes de prosseguirmos em nosso estudo, faz-se necessário que se conceitue passividade mediúnica.
Segundo Kardec, o mediam "(...) é passivo, quando não mistura suas próprias idéias com as do Espirito que se comunica, mas nunca é inteiramente nulo. Seu concurso e sempre indispensável como o de um intermediário, embora se trate dos (...) médiuns mecânicos. (...)"(3)
Em conseqüência, concluímos que o médium exerce o papel de interprete e que não existe, de fato, uma passividade absoluta, mas relativa. (02)
Naturalmente, nos processos de comunicação mediúnica inconsciente, em que o Espirito comunicante utiliza-se dos recursos do médium sem fazer a mensagem passar totalmente pelo seu pensamento, o grau de influência. do médium é bem mais reduzido, diferentemente do que ocorre quando se trata de uma comunicação consciente, em que a mensagem é transmitida via pensamento do médium.
É o que acontece no caso dos médiuns escreventes ou psicógrafos, que se apresentam sob três variedades bem distintas: os médiuns mecânicos, os intuitivos e os semi mecânicos.
No caso dos médiuns mecânicos, o Espírito comunicante age diretamente sobre a mão do médium, impulsionando-a. Neste gênero de mediunidade, o médium tem absoluto desconhecimento do que a sua mão escreve, uma vez que o movimento desta independe da sua vontade e pára quando o Espírito deseja. Mas, mesmo neste caso, a influencia do médium nunca e nula. (03 e 04)
No caso dos médiuns intuitivos (*), o Espírito comunicante utiliza-se do Espírito do médium para transmitir a sua mensagem, identificando-se com ele e imprimindo sua vontade e suas idéias. Este gênero de mediunidade permite ao Espírito do médium tomar conhecimento pleno e prévio do que vai escrever. Embora perceba a presença e o pensamento do Espírito comunicante, sente, muitas vezes, dificuldade em distinguir o seu próprio pensamento do que lhe e sugerido; e quando a duvida se instala de forma mais acentuada, a mensagem, praticamente, fica prejudicada. Neste tipo de mediunidade a influência do médium e muito mais acentuada. (04)
"(...) Há grande analogia entre a mediunidade intuitiva e a inspiração; a diferença consiste em que a primeira se restringe quase sempre a questões de atualidade e pode aplicar-se ao que esteja fora das capacidades intelectuais do médium; por intuição pode este último tratar de um assunto que lhe seja completamente estranho. A inspiração se estende por um campo mais vasto e geralmente vem em auxílio das capacidades e das preocupações do Espirito encarnado. Os traços da mediunidade são de regra, menos evidentes. (...)" (04)
NOTA: (Na atualidade, entendem-se os termos intuitivo e inspirado como representando, o primeiro, uma aptidão do indivíduo (médium ou não), e o segundo, uma faculdade do médium, o que não significa que o indivíduo intuitivo não possa ser médium inspirado, sendo, aliás, normal a mediunidade inspirada entre os indivíduos intuitivos.
No caso do médium semimecanico, também chamado de semi-intuitivo (*), há uma situação intermediária. O Espírito comunicante age diretamente sobre a mão do médium mas ao mesmo tempo lhe permite conhecer o que está escrevendo à medida em que as palavras se formam. Neste gênero de mediunidade a influência do médium também e intermediária, ou seja, não é tão acentuada como nos casos dos médiuns intuitivos (*) e nem tão reduzidas como nos casos dos médiuns mecânicos. (05)
Alem desse tipo de influência relacionada com a execução da prática mediúnica, exerce o médium uma influencia maior no que diz respeito ao aspecto moral. Tomando-se por base que toda atividade mediúnica assenta-se no princípio da afinidade, é fácil compreender essa influência.
(*) De acordo com o pensamento expresso na Nota seria preferível dizer-se médium inspirado em lugar de intuitivo

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 33

FENÔMENOS DE EMANCIPAÇÃO DA ALMA.
SONO E SONHOS.


Chama-se emancipação da alma o desprendimento do Espírito encarnado, possibilitando-lhe afastar-se momentaneamente do corpo físico que anima.
Cabe desde logo uma pergunta: "(...) como pode o corpo viver, enquanto está ausente o Espírito? (...)" (09) Allan Kardec considerou esta pergunta e ele mesmo a respondeu' de acordo com os ensinos dos Espíritos, no seguinte trecho do item 118 de "O Livro dos Médiuns " (...) Poderíamos dizer que o corpo vive a vida orgânica, que independe do Espírito (...). Mas, precisamos acrescentar que, durante a vida, nunca o Espírito se acha completamente separado do corpo. Do mesmo modo que alguns médiuns videntes, os Espíritos reconhecem o Espírito de uma pessoa viva, por um rastro luminoso, que termina no corpo, fenômeno que absolutamente não se dá quando está morto, porque, então, a separação é completa. Por meio dessa comunicação, entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distancia a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago. (...)" (09)
A emancipação da alma é fenômeno que pode ocorrer em várias circunstâncias da vida humana, entre elas o sono.
Que é o sono? - Para a grande maioria dos homens é o estado em que o corpo repousa, para refazimento das suas energias físicas. Nada mais do que isso, sem mais outras conseqüências. No estado de encarnação, de fato, o Espírito que constitui a alma do homem só pode habitualmente manifestar-se por meio do corpo a que se acha ligado, através do qual recebe todas as impressões do ambiente em que encontra e exerce todas as atividades de ordem física ou mental. A atividade do Espírito, entretanto, se fosse incessante, não dando tréguas ao corpo, levaria este à exaustão, e da exaustão, à morte. Por isso Deus, em sua Divina Providência, estabeleceu na existência humana a fase noturna do sono, em que o corpo repousa, com cessação de todas as atividades motoras e sensoriais, o que permite, realmente, a reparação de suas energias. Mas o sono - sabem-no hoje os espíritas - tem uma significação muito mais profunda e conseqüências muito mais amplas no conjunto integral da vida humana. Enquanto o corpo jaz adormecido, não precisando da presença do Espírito para comunicar-lhe atividades físicas ou mentais, este se liberta, afasta-se do corpo reintegra-se em suas faculdades preceptivas e ativas diretas, passando a agir à distancia do instrumento físico.
"(...) O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto de seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem.
(...) Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeiçoes, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entro vós.(...)
Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de entrar em contato com o vicio, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhos abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio de pois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio. (...)" (05)
Ocorre, pois, durante o sono uma coisa maravilhosa que, entretanto, e até que os Espíritos a viessem revelar, por muito tempo permaneceu ignorada completamente pelos homens! O homem em sua realidade essencial, o ser pensante, aquele que realmente age, percebe e sente, em suma, o Espírito encarnado, a alma enclausurada do homem liberta-se momentaneamente, embora não de modo completo, mas o suficiente para viver algumas horas no mundo de onde ele é originário, o mundo invisível, pondo-se em relação com os seres desse mundo. E, então, se é já um Espírito aprimorado - que alimenta aspirações elevadas, leva no mundo uma vida de costumes puros, devotado ao trabalho, ao bem da família e da sociedade - entra ele em relação com Espíritos bons, mesmo com Espíritos Superiores, comunica-se com amigos e familiares desencarnados ou ainda encarnados, no mesmo estado momentâneo de emancipação; de uns colhe ensinamentos e de todos recebe doações de amor, preparando-se para a volta definitiva a esse mundo, que é o mundo normal primitivo de todos os Espíritos. Mas se é um Espírito ainda recalcitrante, amante apenas dos gozos da materialidade, vicioso e cheio de paixões inferiores, pode passar algumas horas em contato com seres que lhe são também afins, em ambientes espirituais de baixas e asfixiantes vibrações.
A alma humana, pois, momentânea e periodicamente se liberta pelo sono, emancipa-se e, por algumas horas, afrouxa-se-lhe o laço que a une ao corpo, pelo qual, entretanto, permanece presa a ele, por mais que se afaste, pronta sempre a voltar, ao menor sinal de que se faz necessária a sua presença. Esse laço, todavia, e extremamente distensível, possibilitando ao Espírito ou alma emancipada ir muito longe e pairar muito alto, em outros mundos, quando permitido, para refazer-se e instruir-se.
Quando o corpo entra em delíquio ou se entorpece, seja qual for a causa - o sono natural ou artificialmente provocado pelo magnetismo, sonambulismo, hipnose, narcose, drogas, mesmo que não leve ao sono profundo, mas somente a ligeiro torpor - , a alma se emancipa, desprende-se parcialmente e pode entrar em relação com o plano invisível, com outros mundos e com os seres que os habitam.
Allan Kardec formulou aos Espíritos, dentro do assunto que nos ocupa, perguntas muito interessantes, obtendo respostas, por sua vez, sumamente instrutivas. Vejamos uma delas:
"Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos." (01)
Cabe, de fato, ainda indagar: existe, alem da simples revelação dos Espíritos, algo que prove o que acabamos de asseverar? Sim, existe: é o fenômeno do sonho, que pode ocorrer conosco quando dormimos. Se o corpo dorme e por ele não pode o Espírito manifestar atividade alguma, como podemos, entretanto, sentir-nos vivos, movimentando-nos, percebendo ambientes, entretanto em relação com pessoas, enfim, vivenciando cenas e fatos, como soe acontecer quando sonhamos? Que são os sonhos senão o resultado de nossa atividade espiritual durante o sono?
Allan Kardec vem, mais uma vez, em apoio do que afirmamos:
"(...) Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono ?
Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode por-se em comunicação com os outros Espíritos, quer deste mundo quer do outro . (...)(03) " (...) O sonho e a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porem, que nem sempre sonhais. Que quer isso dizer? Que nem sempre vos lembrais do que viste, ou de tu do que haveis visto, enquanto dormíeis. É que não tendes então a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. (...)" (06)
"Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?
Em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que compõe o corpo, dificilmente este conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais." (08)
É perfeitamente compreensível a explicação dada pelo Espírito.
No estado de vigília as percepções se fazem com o concurso da organização corporal; os estímulos são selecionados pelos órgãos dos sentidos, transmitidas através das vias nervosas sensitivas ao cérebro, onde se gravam as impressões, para ser reproduzidas a cada evocação no fenômeno da memória biológica. No estado de sono, porém, nada mais chega ao Espírito pelas vias corporais; tudo e por ele percebido diretamente, tem passar pelo cérebro. Dada, porem a permanência da ligação entre o Espírito e o corpo, nada impede que, excepcionalmente, e por via retrógrada, as percepções da alma emancipada repercutam no cérebro e, então, ocasionalmente, o homem se lembra do que presenciou, viu ou escutou durante o sono. Neste caso dizemos que sonhamos.
Provam também a emancipação da alma durante o sono as visitas espíritas entre pessoas vivas

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 34

 

FENÔMENOS DE EMANCIPAÇÃO DA ALMA
LETARGIA, CATALEPSIA, MORTES APARENTES,

Os termos letargia e catalepsia têm sido empregados, conforme os autores, para designar estados diversos, espontâneos ou provocados pelo magnetismo e hipnotismo, mas todos tem a característica comum de apresentar mais ou menos alteradas e diminuídas a motilidade voluntária e a sensibilidade nervosa, podendo ir ate a uma aparente suspensão de todas as funções vitais.
A letargia é a apresentação mais profunda desse estado. O letárgico nada ouve, nada sente, não vê o mundo exterior, a própria consciência se lhe apaga; fica num estado que se assemelha à morte. Poder-se-ia chamar a letargia de catalepsia completa, como se encontra em alguns livros espíritas.
A catalepsia é a suspensão parcial ou total da sensibilidade e dos movimentos voluntários, conforme a intensidade maior ou menor do estado cataléptico. É um estado patológico que constitui uma síndrome, isto é, que pode manifestar-se em diversas enfermidades. Pode ocorrer tanto na histeria como na epilepsia e em algumas formas de esquizofrenia, sempre de modo intermitente, por acessos. Caracteriza-o, como já dissemos, a perda mais ou menos completa da sensibilidade externa e dos movimentos voluntários, acompanhada de extrema rigidez dos músculos, acarretando a conservação passiva das atitudes dadas aos membros, ao tronco, à face (e a chamada rigidez cérea ou de cera) e a impossibilidade completa de movimentação espontânea .
"(...) A catalepsia - diz Michaelus, em sus obra Magnetismo Espiritual se caracteriza pela imobilidade dos músculos e pela fixidez das atitudes em que o paciente e colocado pelo experimentador. Assim, se lhe for erguido um braço, nesta posição ficará indefinida mente. Nesse estado, os olhos permanecem grandemente abertos, fixos, com o semblante imobilizado, apresentando o paciente uma fisionomia impassível, sem emoção e sem fadiga. (...)" (06)
A catalepsia pode ocorrer naturalmente, sem uma causa aparente, ou pode ser provocada.
Neste ultimo estado, embora o paciente não possa ter atividade alguma voluntária, age, no entanto, sob a sugestão do operador. ''(...) O cataléptico é verdadeiramente um autômato nas mãos do magnetizador, perdendo toda a liberdade de ação e de movimentos. Não anda, não fala, não ouve, não pensa, senão por determinação do experimentador, que poderá fazê-lo rir, chorar, cantar, gritar, sentir calor ou frio, etc. (...)" (06)
Diferente é o que se passa com o letárgico. O paciente jaz imóvel, os membros pendentes, moles e flácidos, sem rigidez alguma e, se erguidos, quando novamente soltos recaem pesadamente; sua respira são e o pulso são praticamente imperceptíveis, as pupilas mais ou menos dilatadas, não reagem mais ã luz; o sensório está totalmente adormecido e a inércia da mente parece absoluta. Há, entretanto, uma modalidade de letargia em que a atividade psíquica interna se desenvolve como de ordinário, como bem descreve José Lapponi, em sua obra Hipnotismo e Espiritismo "(...) o paciente tudo percebe e compreende, mas se encontra na impossibilidade absoluta de significar aos outros o que sente no seu imo. Por motivo da atividade psíquica, conservada durante as condições indicadas, a esta variedade de letargo se dá o nome de letargia lúcida. (...)" (07)
É exatamente dentro da letargia, em qualquer das suas modalidades, comum ou lúcida, que se incluem os casos de mortes aparentes, que a historia registra e de que também a Bíblia nos fala, quer no Antigo, quer no Novo Testamento.
Entre os casos que constituem exemplos clássicos de letargia lúcida cita-se o do Cardeal Donnet, que quase foi enterrado vivo, em virtude de estado letárgico que nele se manifestou espontaneamente e por ele levado ao conhecimento do Senado francês, em fevereiro de 1866, enquanto ali se discutia a lei sobre sepultamentos, conforme relata ainda José Lapponi, na obra antes citada: "(...) Em 1826 (...) um jovem padre, quando pregava no púlpito de uma igreja, cheia de devotos, foi imprevistamente acometido de síncope. Um medico o declarou morto e deu licença para as honras fúnebres no dia imediato. O bispo da Catedral, onde se verificara o caso, já tinha recitado as últimas orações ao pé do morto, já haviam sido tomadas as medidas do ataúde e se aproximava a noite, no começo da qual se devia consumar o enterramento. São fáceis de imaginar as angustias do jovem padre que, estando vivo, recebia nos ouvidos os rumores de todos esse preparativos. Afinal, ouviu a voz comovida de um seu amigo de infância, e essa voz, provocando nele uma crise sobre-humana, produziu maravilhoso resultado. No dia seguinte, o jovem padre voltava ao seu púlpito. (...)" (08)
Vejamos agora o que disseram os Espíritos, respondendo às perguntas formuladas por Allan Kardec sobre esse interessante assunto:
"Os letárgicos e os catalépticos, em geral, vêem e ouvem o que em derredor se diz e faz, sem que possam exprimir o que estão vendo ou ouvindo. É pelos olhos e pelos ouvidos que têm essas percepções?
Não; pelo Espírito. O Espírito tem consciência de si, mas não pode comunicar-se.
a) - Por quê?
Porque a isso se opõe o estado do corpo. E esse estado especial dos órgãos vos prova que no homem há alguma coisa mais do que o corpo, pois que, então, o corpo já não funciona e, no entanto, o Espírito se mostra ativo. (...)" (02)
"(...) Na letargia pode o Espírito separar-se inteiramente do corpo, de modo a imprimir-lhe todas as aparências da morte e voltar a habitá-lo?
Na letargia, o corpo não está morto, porquanto há funções que continuam a executar-se. Sua vitalidade se encontra em estado latente' como na crisálida, porém, não aniquilada. Ora, enquanto o corpo vive, o Espírito se lhe acha ligado. Em se rompendo, por efeito da morte real e pela desagregação dos órgãos, os laços que prendem um ao outro, integral se torna a separação e o Espírito não volta mais ao seu envoltório. Desde que um homem, aparentemente morto, volve à vida, é que não era completa a morte." (03) ~
"Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?
Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, por que restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos. (...)" (01)
Ao reproduzir essas três perguntas e respectivas respostas de "O Livro dos Espíritos", somos naturalmente levados a pensar em três momentos tocantes da missão de Jesus, narrados por Lucas, Marcos, Mateus e João. ~
O primeiro, (Lucas, 7:11-17), trata-se da passagem evangélica denominada: o filho da viúva de Naim.
Quando Jesus chegou na cidade chamada Naim presenciou o enterro do filho único de uma viúva. O Senhor enchendo-se de compaixão ordenou ao morto que retornasse à vida, dizendo: "~(...) Mancebo, levanta-te, eu o ordeno (...)" (09). E o que estava morto acordou, sentou-se e começou a falar.
Esse fato, tido como um milagre, em que um morto teria sido ressuscitado para a vida, é hoje explicado pelo Espiritismo, com base nos fenômenos de emancipação da alma e na poderosa ação do magnetismo. Nos estados de sono e de enfraquecimento orgânico, mas também nos de letargia e de catalepsia, o Espírito se desprende do corpo e adquire momentânea e restrita liberdade, mas permanece ligado ao corpo, de que apenas se afastou, pelo sutil cordão fluídico do perispírito, através do qual pode ele ser advertido da necessidade de sua presença e reconduzido ao corpo material. Essa advertência e essa volta são altamente favorecidas pela ação magnética exercida por uma poderosa vontade. O estado real em que se encontrava o mancebo, no caso do filho da viúva de Naim, era o de catalepsia completa ou letargia, único estado sincopal que pode apresentar por longo tempo as aparências da morte, de modo a poder confundir-se com esta, quando real. Se estivesse realmente morto, como todos pensavam, não teria sido possível fazê-lo voltar à vida, porque com a morte real, rompe-se aquele laço fluídico e o Espírito só poderá ligar-se a um novo corpo em formação, pela reencarnação. Nem mesmo Jesus o poderia, com todo o seu imenso poder magnético e a sua incisiva ordem: Mancebo, levanta-te, eu o ordeno. Mas Jesus, aparentemente, o "ressuscitou" porque, se todos o julgavam morto, para ele, que via alem do corpo, o mancebo apenas dormia.
O segundo caso se encontra relatado em Mateus, 9:18-26, Marcos, 5:21-43 e Lucas, 8:41-56. ~ a passagem sobre a Filha de Jairo.
Conta-nos o Evangelho que Jairo, um dos principais da sinagoga, suplicou a Jesus impor as mãos sobre a filha moribunda para curá-la. Neste ínterim, porém, a filha de Jairo morreu, tornando vã a sua suplica. Jesus, ouvindo esta informação, não se perturbou, pediu ao pai aflito que tivesse fé e, dirigindo-se para a casa onde estava a morta, ordenou-lhe: "(...) Menina, levante-te. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto (...)" (10)
Jesus, neste caso não só produziu o fato tido, então, como milagroso, pois todos também estavam convencidos de que a menina havia morrido, como declarou peremptoriamente que ela não estava morta, apenas dormia. Deixou, portanto, o seu próprio testemunho de que não produzia milagres, contrariando as leis de Deus, mas usava o seu poder de vontade para fazer retornar ao corpo, enfraquecido pela enfermidade grave, o Espírito que, de outro modo, pela própria gravidade do mal, poderia ser levado à libertação definitiva, ao mesmo tempo que, atuando magneticamente sobre o corpo, curou-a da mesma enfermidade.
O terceiro caso, e a passagem que nos fala da Ressurreição de Lázaro, relatado por João, capítulo 11, versículos 1-46.
Lázaro morava em Betânia com duas irmãs Marta e Maria, morrera e já estava sepultado há quatro dias numa gruta tapada com uma pedra, quando Jesus, ordenando que se retirasse a pedra da gruta, (...) clamou em voz alta: Lázaro, vem para fora. Saiu aquele que estivera morto tendo os pés e as mãos ligados com ataduras, e o rosto envolto num lenço. Então lhes ordenou Jesus: desatai-o, e deixai-o ir (...)." (11)
Dos três casos citados, o de Lázaro e aquele que melhor se enquadra como catalepsia completa ou letargia. Em todos eles a morte era apenas aparente, mesmo sendo considerada real pelos homens. Através da autoridade moral e do prodigioso poder magnético de Jesus aqueles Espíritos retornaram ao corpo físico de onde tinham-se afastado temporariamente.
OBSERVAÇÃO.: Sugerimos a leitura complementar constante no Anexo 02 a fim de completar o estudo do tema: LETARGIA E CATALEPSIA.
 

ANEXO I

AVALIAÇÃO DO PAINEL
Munido do presente roteiro, o grupo deverá responder o seguinte, ao final do painel.
01. Foi satisfatória a explanação dos painelistas?
02. Permaneceram duvidas em relação ao assunto tratado? Quais?
03. A troca de idéias entre os painelistas foi clara?
04. Suscitou interesse do grupo?
05. Quais os pontos importantes que não foram abordados?
De posse dessa avaliação, o dirigente poderá se orientar quanto ao prosseguimento ou não, em aulas subseqüentes, do mesmo assunto.


A N E X O 0 2
FACULDADES EM ESTUDO
"Por melo de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?"
R— "Sem duvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tal casos, constitui, multas vezes. poderoso melo de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que Ihe falta para manter o funcionamento dos órgãos.
("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec).
*
Além desse interessante tópico do livro áureo da filosofia espírita, pedimos vênia aos prováveis leitores destas páginas para também transcrever o comentário de Allan Kardec, situado logo após a questão acima citada, uma vez que temos por norma, aconselhada pelos instrutores espirituais, basear o relatório das nossas experiências espíritas em geral no ensinamento das entidades que revelaram a Doutrina Espírita a Allan Kardec. Diz o citado comentário:
"A letargia e a catalepsia derivam do mesmo princípio, que é a perda temporária da sensibilidade e do movimento, por uma causa biológica ainda inexplicada. Diferem uma da outra, em que, na letargia, a suspensão das forcas vitais é geral e dá ao corpo todas as aparências da morte; na catalepsia fica localizada, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, de sorte a permitir que a inteligência se manifeste livremente, o que a torna inconfundível com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é por vezes magnética.(1)
Por sua vez, respondendo a uma pergunta que Ihe fizemos acerca de determinados fenômenos espíritas o venerável Espírito Adolfo Bezerra de Menezes disse-nos o seguinte, pequena lição que colocamos à disposição do leitor para observação e meditação:
—Podereis dizer-nos algo sobre a catalepsia e a letargia ? — perguntamos — pois o que conhecemos a respeito é pouco satisfatório.
E a benemérita entidade respondeu:
"Quem for atento ao edificante estudo das Escrituras Cristãs encontrará em o Novo Testamento de N. S. Jesus Cristo, exatamente nos capítulos IX, de São Mateus; V, de São Marcos; VIII de São Lucas, e XI, de São João, versão do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, a excelente descrição dos fenômenos de catalepsia (talvez os fenômenos sejam, de preferência, de letargia, segundo as análises dos compêndios espíritas acima citados) ocorridos no circulo messiânico e registrados pelos quatro cronistas do Evangelho, lembrando ainda o caso, igualmente empolgante, do filho da viúva de Naim, caso que nada mais seria do que a mesma letargia, ou catalepsia.
"A ciência moderna oficial, a Medicina, conhece a catalepsia e a letargia, classifica-as, mas não se interessa por elas, talvez percebendo não ser da sua alçada o fato de curá-las. A ciência psíquica, no entanto, assim também a Doutrina Espírita, não só as conhecem como se interessam grandemente por elas, pois que as estudam, tirando delas grandes ensinamentos e revelações em torno da alma humana, e por isso podem curá-las e até evitá-las, ao mesmo tempo que também poderão provocá-las, contorná-las, dirigi-las, orientá-las e delas extrair conhecimentos esplendentes para a instrução científica transcendente a beneficio da Humanidade. Se os adeptos encarnados dessa grande revelação celeste - a Doutrina Espírita - não curam, no presente momento, as crises catalépticas do próximo, as quais até mesmo uma obsessão poderá provocar, será porque elas são raras ou, pelo menos, ignoradas, ou porque, lamentavelmente, se descuram da instrução doutrinária necessária à habilitação para o importante certame.
~ A catalepsia, tal como a letargia , não é uma e enfermidade física, mas uma faculdade que, como qualquer outra faculdade medianimica insipiente ou incompreendida, ou a descurada e mal orientada, se torna prejudicial ao seu possuidor. Como as demais faculdades suas companheiras, a catalepsia e a letargia também poderão ser exploradas pela mistificação e pela obsessão de inimigos e perseguidores invisíveis, degenerando então em um estado mórbido do chamado perispírito, tendência viciosa das vibrações perispirituais para o aniquilamento, as quais se recolhem e fecham em si mesmas como a planta sensitiva ao ser tocada, negando-se às expansões necessárias ao bom funcionamento do consórcio físico - psíquico, o que arrasta uma como neutralidade do fluido vital, dando em resultado o estado de anestesia geral ou parcial, a perda da sensibilidade, quando todos os sintomas da morte e ate mesmo o início da decomposição física se apresentam, e somente a consciência estará vigilante, visto que esta, fagulha da Mente Divina animando a criatura, jamais se deterá num aniquilamento, mesmo temporário.
"Tanto a catalepsia como a letargia, pois elas são faculdades gêmeas, se espontâneas (elas poderão ser também provocadas e dirigidas, uma vez que a personalidade humana é rica de poderes espirituais, sendo, como foi, criada à imagem e semelhança de Deus), se espontâneas, serão, portanto, como um vicio que impõe o acontecimento, como os casos de animismo nas demais faculdades mediúnicas, vício que, mais melindroso que os outros lembrados, se a tempo não for corrigido, poderá acarretar conseqüências imprevisíveis, tais como a morte total da organização física, a loucura, dado que as células cerebrais, se atingidas freqüentemente e por demasiado tempo, poderão levar à obsessão, ao suicídio ao homicídio e a graves enfermidades nervosas: esgotamento, depressão, alucinações , etc. . Mas , uma vez contornadas por tratamento psíquico adequado, transformar-se-ão em faculdades anímicas importantes, capazes de altas realizações supranormais, consoante a prática o tem demonstrado, fornecendo aos estudiosos e observadores dos fatos mediúnicos vasto campo de elucidação cientifica-transcendental.
"Entretanto, se os adeptos da grande doutrina da imortalidade — os espíritas — não sabem, conscientemente, ou não querem resolver os intrincados problemas oferecidos pela catalepsia e sua irmã gêmea, a letargia (eles, os espíritas, não se preocupam com esses fenômenos), sem o quererem e o saberem corrigem a sua possibilidade de expansão com o cultivo geral da mediunidade comum, visto que, ao contato das correntes vibratórias magnéticas constantes, e o suprimento das forças vitais próprias dos fenômenos mediúnicos mais conhecidos, aquele vício, se ameaça, será corrigido, podendo, não obstante, a faculdade cataléptica ser orientada inteligentemente para fins dignificantes a bem da evolução do seu possuidor e da coletividade. De outro modo, o tratamento magnético através de passes, em particular os passes ditos espirituais, aplicados por médiuns idôneos e não por magnetizadores, e a intervenção oculta, mas eficiente, dos mestres da Espiritualidade, tem evitado que a catalepsia e a letargia se propaguem entre os homens com feição de calamidade, daí advindo a relativa raridade, espontânea' de tais fenômenos nos dias presentes. E essa nossa assertiva também revela que todas as criaturas humanas mais ou menos possuem em germe as ditas faculdades e as poderão dirigir à própria vontade, se conhecedoras dos seus fundamentos, uma vez que nenhum filho de Deus Jamais foi agraciado com predileções ou menosprezado com desatenções pela obra da Criação.
"Dos casos citados nos Evangelhos cristãos, todavia, destaca-se o de Lázaro pela sua estranha particularidade. Aí vemos um estado cataléptico superagudo, porque espontâneo, relaxamento dos elos vitais pela depressão causada por uma enfermidade, fato patológico, portanto, provando o desejo incontido que o espírito encarnado tinha de deixar a matéria para alçar-se ao infinito, e onde o próprio fluido vital, que anima os organismos vivos se encontrava quase totalmente extinto' e cujos liames magnéticos do perispírito em direção à carne se encontravam de tal forma frágeis, danificados pelo enfraquecimento das vibrações e da vontade (Lázaro já cheirava mal, o que é freqüente em casos de crises catalépticas agudas, mesmo se provocadas quando o paciente poderá até mesmo ser sepultado vivo ou antes, não de todo no estado de cadáver), que fora necessário, com efeito, o poder restaurador de uma alma virtuosa como a do Nazareno para se impor ao fato, substituir células já corrompidas, renovar a vitalidade animal, fortalecer liames magnéticos com o seu poderoso magnetismo em ação. Na filha de Jairo, porém, e no filho da viúva de Naim as forças vitais se encontravam antes como que anestesiadas pelo enfraquecimento físico derivado da enfermidade, mas não no mesmo grau do sucedido a Lázaro. Neste, as mesmas forças vitais se encontravam já em desorganização adiantada, e não fora o concurso dos liames magnéticos ainda aproveitáveis e as reservas vitais conservadas pelo perispírito nas constituições físicas robustas (o perispírito age qual reservatório de forcas vitais e os laços magnéticos são os agentes transmissores que suprem a organização física ~ e se não fossem aquelas reservas Jesus não se abalaria à cura porque esta seria impossível. Muitos homens e até crianças assim têm desencarnado. E se tal acontece antes da época prevista pela programação da lei da Criação, nova existência corpórea os reclamará para o cumprimento dos deveres assumidos e, portanto, para a continuação da própria evolução.
"Perguntará, no entanto, o leitor:
"Porque então tal coisa é possível sob as vistas da harmoniosa lei da Criação ? Que culpa tem o homem de sofrer tais ou quais acidentes se não é ele quem os provoca e que se realizam, muitas vezes, a revelia da sua vontade ?
"A resposta será então a seguinte:
"Tais acidentes são próprios do carreiro da evolução, e enquanto o homem não se integrar de boamente na sua condição de ser divino, vibrando satisfatoriamente no âmbito das expansões sublimes da Natureza, mecanicamente estará sujeito a esse e demais distúrbios. Segue-se que, para a lei da Criação, a chamada morte não só não existe como é considerada fenômeno natural absolutamente destituído da importância que os homens Ihe atribuem, exceção feita aos casos de suicídio e homicídio. A morte natural, então, em muitos casos será um acidente facilmente reparável e não repercutirá com os foros de anormalidade como acontece entre os homens. De outro modo, sendo a catalepsia e a letargia uma faculdade, patrimônio psíquico da criatura e não propriamente uma enfermidade, compreender-se-á que nem sempre a sua ação comprova inferioridade do seu possuidor, pois que, uma vez adestradas, ambas poderão prestar excelentes serviços à causa do bem, tais como as demais faculdades mediúnicas, que, não adestradas, servem de pasto a terríveis obsessões, que infelicitam a sociedade, e quando bem compreendidas e dirigidas atingirão feição sublime. Não se poderá afirmar, entretanto, que o próprio homem, ou a sua mente, a sua vontade, o seu pensamento, se encontrem isentos de responsabilidade no caso vertente, tanto na ação negativa como na positiva, ou seja, tanto nas manifestações prejudiciais como nas úteis e beneméritas.
"Um espírito encarnado, por exemplo, já evoluído, ou apenas de boa vontade, senhor das próprias vibrações, poderá cair em transe letárgico, ou cataléptico, voluntariamente (2), alçar-se ao Espaço para desfrutar o consolador convívio dos amigos espirituais mais intensamente, dedicar-se a estudos profundos, colaborar com o bem e depois retornar a carne, reanimado e apto a excelentes realizações. Não obstante, homens comuns ou inferiores poderão cair nos mesmos transes, conviver com entidades espirituais inferiores como eles e retornar obsidiados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao homicídio e ao suicídio. Um distúrbio vibratório poderá ter varias causas, e uma delas será o próprio suicídio em passada existência. Um distúrbio vibratório agudo poderá ocasionar um estado patológico, um transe cataléptico, tal o médium comum que, quando esgotado ou desatento da própria higiene mental ou moral (queda de vibrações, e, portanto, distúrbio vibratório), dará possibilidade às mistificações do animismo e à obsessão. Neste caso, no entanto, o transe cataléptico trará feição de enfermidade grave, embora não o seja propriamente, e será interpretado como ataque Incurável, indefiníveis, etc. O alcoólatra poderá renascer predisposto à catalepsia porque o álcool Ihe viciou as vibrações, anestesiando-as, o mesmo acontecendo aos viciados em entorpecente, todos considerados suicidas pelos códigos da Criação. Em ambos os casos a terapêutica psíquica bem aplicada, mormente a renovação mental, Influindo poderosamente no sistema de vibrações nervosas, será de excelentes resultados para a corrigenda do distúrbio, enquanto que a atuação espírita propriamente dita abrirá novos horizontes para o porvir daquele distúrbio, que evolverá para o seu justo plano de faculdade anímica. E tudo isso, fazendo parte de uma expiação, porque será o efeito grave de causas graves, também assinalará o estado de evolução, visto que, se o indivíduo fosse realmente superior, estaria isento de padecer os contratempos que acima descrevemos. Todavia, repetimos, tanto a catalepsia como a letargia, uma vez bem compreendidas e dirigidas, quer pelos homens quer pelos Espíritos Superiores, transformar-se-ão em faculdades preciosas, conquanto raras e mesmo perigosas, pois que ambas poderão causar o desenlace físico do seu paciente se uma assistência espiritual poderosa não o resguardar de possíveis acidentes. A letargia, contudo, presta-se mais à ação do seu possuidor no plano espiritual. Ao despertar, o paciente trará apenas intuições às vezes úteis e preciosas, das instruções que recebeu é sua aplicação nos ambientes terrenos. ~ faculdade comum aos gênios e sábios, sem contudo constituir privilégio, agindo sem que eles próprios dela se apercebam, porque se efetivam durante o sono e sob vigilância de Espíritos propostos ao caso.
·A provocação desses fenômenos nada mais é que a ação magnética anestesiando as forças vibratórias até ao estado agudo, e anulando, por assim dizer, os fluidos vitais, ocasionando a chamada morte aparente, por suspender-lhe, momentaneamente, a sensibilidade, as correntes de comunicação com o corpo carnal, qual ocorre no fenômeno espontâneo, se bem que o fenômeno espontâneo possa ocupar um agente oculto, espiritual, de elevada ou inferior categoria. Se, no entanto, o fenômeno espontâneo se apresentar freqüentemente e de forma como que obsessiva, a cura será inteiramente moral e psíquica, com a aproximação do paciente aos princípios nobres do Evangelho moralizador e ao cultivo da faculdade sob normas espíritas ou magnéticas legitimas, até ao seu pleno florescimento nos campos mediúnicos.
"Casos há em que um consciencioso experimentador remove a possibilidade, ou causa de tais acontecimentos, e o paciente volta ao estado normal anterior. Mas o desenvolvimento pleno de tal faculdade é que conscienciosamente restituirá ao indivíduo o equilíbrio das próprias funções psíquicas e orgânicas. O tratamento físico medicinal, atingindo o sistema neuro-vegetativo, fortalecendo o sistema nervoso com a aplicação de tônicos reconstituintes, etc., também será de importância valiosa, visto que a escassez de fluidos vitais poderá incentivar o acontecimento, emprestando-lhe feição de enfermidade. Cumpre-nos ainda advertir que tais faculdades, relativamente raras porque não cultivadas, na atualidade, agem de preferência no plano espiritual, com o médium encarnado sob a direção dos vigilantes espirituais, campo apropriado, o mundo espiritual, para as suas operosidades, tornando-se então o seu possuidor prestimoso colaborador dos obreiros do mundo invisível em numerosas espécies de especulações a beneficio da Humanidade encarnada e desencarnada. Entre os homens a ação de tais médiuns se apresentará de menor vulto, mas, se souberem atentar nas intuições que com eles virão ao despertar, grandes feitos chegarão a realizar também no plano terreno.
"Os ensinamentos contidos nos códigos espíritas, a advertência dos elevados Espíritos que os organizaram e a prática do Espiritismo demonstram que nenhum indivíduo deverá provocar, forçando-o, o desenvolvimento das suas faculdades mediúnicas, porque tal princípio será contraproducente, ocasionando novos fenômenos psíquicos e não propriamente espíritas, tais como a auto-sugestão ou a sugestão exercida por pessoas presentes no recinto das experimentações, a hipnose, o animismo, ou personismo, tal como o sábio Dr. Alexandre Aksakof classifica o fenômeno, distinguindo-o daqueles denominados "efeitos físicos". A mediunidade deverá ser espontânea por excelência, a fim de frutescer com segurança e brilhantismo, e será em vão que o pretendente se esforçará por atraí-la antes da ocasião propícia Tal insofridez redundará, inapelavelmente, repetimos, em fenômenos de auto-sugestão ou o chamado "animismo", ou "personismo.", isto é, a mente do próprio médium criando aquilo que se faz passar por uma comunicação de Espíritos desencarnados. Existem mediunidades que do berço se revelam no seu portador, e estas são as mais seguras, porque as mais positivas, frutos de longas etapas reencarnatórias, durante as quais os seus possuidores exerceram atividades marcantes. assim desenvolvendo forças do perispírito, sede da mediunidade, vibrando intensamente num e noutro setor da existência e assim adquirindo vibratilidades acomodatícias do fenômeno. Outras existem ainda em formação (forças vibratórias frágeis, incompletas, os chamados "agentes negativos"), que jamais chegarão a se adestrar satisfatoriamente numa só existência, e que se mesclarão de enxertos mentais do próprio médium em qualquer operosidade tentada dando-se também a possibilidade ate mesmo da pseudo-perturbação mental, ocorrendo então a necessidade dos estágios em casas de saúde e hospitais psiquiátricos se se tratar de indivíduos desconhecedores das ciências psíquicas. Por outro lado, esse tratamento será balsamizamte e até necessário, na maioria dos casos, visto que tais impasses comumente sobrecarregam as células nervosas do paciente, consumindo ainda grande percentagem de fluidos vitais, etc., etc.
"Possuindo na minha clínica espiritual fatos interessantes cabíveis nos temas em apreço, consignados neste livro, patrocinarei aqui a exposição de alguns deles para estudo e analises dos fatos espíritas, convidando o leitor à meditação sobre eles, pois o espírita necessita profundamente de instrução geral em torno dos fenômenos e ensinamentos apresentados pela ciência transcendente de que se fez adepto, ciência imortal que não poderá sofrer o abandono das verdadeiras atenções do senso e da razão.
(a) — Adolfo Bezerra de Menezes..
Por nossa vez, conhecemos pessoalmente. faz alguns anos, na cidade fluminense de Barra Mansa, ao tempo em que ali exercia as funções espiritistas o eminente médium e expositor evangélico Manoel Ferreira Horta, amplamente conhecido pela alcunha de "Zico Horta", a médium cataléptica «Chiquinha». Tratava-se de uma jovem de 19 anos de idade, filha de respeitável família e finamente educada. Sua faculdade apresentou-se, inicialmente, em feição de enfermidade, com longos ataques que desafiaram o tratamento médico para a cura. Observada, porém, a pedido da família, e habilmente dirigida por aquele lúcido espírita, a jovem tornou-se médium de admiráveis possibilidades com a insólita faculdade cataléptica, que Ihe permitia até mesmo o fenômeno da incorporação de entidades sofredoras e ignorantes, a fim de serem esclarecidas. Em vinte minutos a médium apresentava os variados graus da catalepsia, inclusive o estado cadavérico após as vinte e quatro horas depois da morte, e os sintomas do inicio da decomposição, com as placas esverdeadas pelo corpo e o desagradável almíscar comum aos cadáveres que entram em decomposição. De outras vezes, no primeiro ou no segundo grau do transe, transmitia verbalmente o receituário que ouvia das entidades médicas desencarnadas que a assistiam, obtendo, assim, excelentes curas nos numerosos doentes que procuravam a antiga "Assistência Espírita Bittencourt Sampaio", dirigida por Zico Horta. Narrava fatos que via no Espaço, transmitia instruções de individualidades espirituais sobre diversos assuntos, penetrava o corpo humano com a visão espiritual, e seus diagnósticos eram seguros, visto que os reproduzia verbalmente, ouvindo-os, em espírito, dos médicos espirituais. O tom da voz com que se exprimia era pausado e grave, e sua aparência física reproduzia o estado cadavérico: rigidez impressionante, algidez, arroxeamento dos tecidos carnais, inclusive as unhas, fisionomia abatida e triste, própria do cadáver, olheiras profundas. O mesmo sucedia, como é sabido ao médium Carlos Mirabelli, que, em poucos minutos, atingia o grande decomposição, a ponto de as pessoas presentes às sessões, em que ele trabalhasse, só muito penosamente suportarem o fétido que dele se exalava, até que o transe variasse de grau, em escala descendente, fazendo-o despertar. Ao que parece, a catalepsia ai era completa. Ambos de nada recordavam ao despertar.
Urna vez de posse das indicações que ai ficam, animada nos sentimos a descrever nestas páginas alguns acontecimentos supranormais de que também temos sido paciente na presente vida orgânica. Que o suposto leitor ajuíze e por si mesmo deduza até onde poderá chegar o intricado mistério da mediunidade, porque a mediunidade ainda constitui mistério para nós outros, que apenas Ihe conhecemos os efeitos surpreendentes, isto é, apenas a primeira parte dos seus estranhos poderes.
Devemos declarar, de início, que, para a descrição dos fenômenos ocorridos conosco, usaremos o tratamento da primeira pessoa do singular, e para a primeira parte de cada capitulo, ou seja, para as análises e exposições obtidas pelas intuições do dirigente espiritual da presente obra, Adolfo Bezerra de Menezes, usaremos o tratamento da primeira pessoa do plural, assim destacando as duas feições do presente volume.
PEREIRA, Yvone A. Faculdades em: estudo. In: recordações da Mediunidade Pelo Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 11-22.

(1) ). A bibliografia espírita é copiosa nas referências às experiências sobre a catalepsia e a letargia e Interessante será o seu estudo para o aprendiz dedicado
2) Esses transes são comuns à noite durante o repouso do sono, e multas vezes o próprio paciente não se apercebe deles. Ou se apercebe vagamente. Entre os espiritualistas orientais torna-se fato comum, conforme é sabido, dado que os mesmos cultivam carinhosamente os poderes da própria alma.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 35

 

FENÔMENOS DE EMANCIPAÇÃO DA ALMA.
SONAMBULISMO, ÊXTASE E DUPLA VISTA

Em Roteiros anteriores estudamos e emancipação da alma que se observa durante o sono natural, bem como, nos estados letárgico e cataléptico.
Mas ela ocorre ainda em muitos outros, notadamente naqueles a que se convencionou chamar sonambulismo e êxtase, e também no singular fenômeno da dupla vista. Estudaremos os três últimos fenômenos, a seguir;
SONAMBULISMO - O que caracteriza este estado é que nele indivíduo, embora dormindo, se movimenta e procede como se estivesse acordado
Levanta-se, caminha e pratica atos próprios de sua vida habitual com absoluta segurança e perfeição. Caracteriza-se ainda por perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo. Gabriel Delanne, em sua obra "O Espiritismo Perante a Ciência", refere "(.') a história de um jovem padre que se levantava todas as noites, ia à escrivaninha, compunha sermões e tornava a deitar. ( .)
(...) Quando ele terminava uma página, lia-a alto, de princípio a fim. (Se se pode chamar leitura esta ação sem o concurso dos olhos). (...)" (11)
Que o padre não via nem lia com o auxilio dos olhos ficou provado por alguns de seus amigos que, querendo verificar se ele de fato dormia, puseram-se a vigiá-lo e, numa certa noite em que ele se levantara e estava escrevendo, interpuseram entre seus olhos e o papel um grosso cartão, o que o não impediu de continuar escrevendo, nem de ler depois tudo o que escrevera. O que acontece, pois, no sonambulismo, analogamente ao que ocorre no sono comum, é que o Espírito do sonâmbulo se desprende, sua alma se emancipa e passa a ver com os olhos do Espírito; com a particularidade de que, embora fora dele, continua exercendo uma forca sobre o corpo caído em repouso, e que se manifesta por uma ação diretora totalmente fora dos sentidos corporais, isto é, a alma vela enquanto o corpo dorme
E o faz com grande segurança, como provam os fatos - relatados por vários autores - de sonâmbulos que sobem a telhados, andam beirando precipícios, sem se acidentarem; outros que praticam atos profissionais, que exigem delicadas manipulações técnicas e sólidos conhecimentos científicos. O fato seguinte é muito interessante, extraído da obra citada de Gabriel Delanne: Um farmacêutico de Pavia durante o sono levantava-se todas as noites e ia ao laboratório de sua farmácia continuar o preparo de receitas não acabadas durante o dia. Nesse labor noturno acendia fornos, preparava alambiques, retortas, vasos, manejava tubos de ensaio, tudo com a maior prudência e perícia e sem que nunca lhe acontecesse qualquer acidente. As receitas, mandadas pelos médicos e não preparadas, buscava-as na gaveta fechada onde estavam, abria-a, colocava as receitas na mesa, empilhava-as, e procedia uma a uma ao preparo das mesmas. Tomava a balança de precisão, escolhia os pesos e pesava com exatidão farmacêutica as doses mínimas das substâncias, que triturava, misturando-as com veículos adequados e punha-as em frascos ou pequenos pacotes, conforme a sus natureza, colocava os rótulos e dispunha tudo nas prateleiras, em ordem, a fim de serem entregues aos clientes. (12)
Como explicar, perguntamos, que esse homem fizesse tudo isso dormindo, de olhos fechados, lendo as receitas e executando-as com a maior precisão, senão admitindo-se que era sua alma emancipada que lia, fora do corpo, com a visão do Espírito, como também era ela que dirigia as mãos em todas as manipulações feitas? O mais espantoso ainda, e que dá vigoroso reforço a esta tese, é que o sonâmbulo pensa e raciocina claramente, ao agir em estado de desprendimento, conforme explicação dada pelo Dr. Esquirol, e reproduzido na citada obra de Gabriel Delanne: "(...) um farmacêutico se levantava todas as noites e preparava as poções cujas fórmulas se encontravam na mesa. Para verificar se havia discernimento por parte do sonâmbulo, ou apenas movimentos automáticos, um medico colocou no balcão da farmácia a nota seguinte:

Sublimado corrosivo 2 oitavas
água destilada 4 onças
Para tomar de uma vez.

O farmacêutico levantou-se durante o sono e, como de hábito, desceu ao seu laboratório; apanhou a receita, leu-a várias vezes, pareceu muito espantado e entabulou o seguinte monólogo, que o autor da ,narrativa, oculto no laboratório, escreveu palavra por palavra:
-impossível que o doutor não se tenha enganado nesta fórmula; 2 grãos seriam bastantes; mas há aqui visivelmente escrito 2 oitavas, que são mais de 150 grãos. Isto é mais do que suficiente para envenenar 20 pessoas. Ele enganou-se indubitavelmente.
Não preparo esta poção
Tomou em seguida diversas prescrições que estavam na mesa, preparou-as, rotulou-as e as colocou em ordem para ser entregues no dia seguinte. (...)" (12)
Esse fato mostra de modo exuberante que durante o estado de sonambulismo a alma do sonâmbulo vela com a mais ampla lucidez.
Nos fatos do sonambulismo tem-se, pois, a mais evidente prova da existência da alma humana como ser independente, causa real de todas as atividades psicológicas do homem; em suma, da alma humana como Espírito encarnado, para o qual o corpo físico é apenas o instrumento para as suas relações com o mundo material.
Teria o sonambulismo natural alguma relação com os sonhos? (0l)
Segundo os Espíritos da Codificação "(...) ~ um estado de independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito (...)." (01)
Todos os fatos e considerações feitas ate aqui se referem ao sonambulismo natural; isto é, aquele que se manifesta espontaneamente em alguns indivíduos. Há, porem, o sonambulismo induzido artificialmente, pelos magnetizadores, através do magnetismo animal. O sonambulismo magnético, como então é chamado, foi introduzido na França pelo medico austríaco Franz Anton Mesmer, atendendo a finalidades curadoras. Foi um dos discípulos de Mesmer, o Marquês de Puysegur que descobriu o sonambulismo em indivíduos magnetizados. (13)
Apesar de os sonâmbulos enxergarem com os olhos da alma, nem sempre vêem tudo, podendo se enganar a respeito. Isto ocorre conforme nos falam os Espíritos Superiores, porque "(. .) primeiramente,. aos Espíritos imperfeitos não é dado verem tudo e tudo saberem. (...) Depois, quando unidos à matéria, não gozam de todas as suas faculdades de Espírito. (...)" (04)
É preciso considerar que os sonâmbulos podem entrar em relação com outros Espíritos "(...) que lhes transmitem o que devem dizer e suprem a incapacidade que denotam. Isto se verifica principalmente nas prescrições medicas. O Espírito do sonâmbulo vê o mal, outro lhe indica o remédio. (...)" (05)
Neste caso, agindo o sonâmbulo sob orientação de outros Espíritos, caracteriza-se uma ação mediúnica, porque ele (o sonâmbulo) é instrumento de outras inteligências. É passivo e o que diz não vem de si. Em resumo, o sonâmbulo revela um fato anímico quando exprime o seu próprio conhecimento, enquanto que o médium sonambúlico expressa o conhecimento de outrem. (10)
Com o passar do tempo, pesquisadores se dedicando ao estudo do sonambulismo descobriram que havia sonâmbulos lúcidos que liam através de corpos opacos; que postos em contato com uma pessoa doente, não só viam os órgãos internos enfermos, como ainda manifestavam os mesmos sintomas mórbidos; que viam com outras partes do corpo; as mãos, a barriga, etc., em suma o que se chamou a transposição dos sentidos, mas que na verdade eram os sentidos da alma emancipada, em funcionamento. Enfim, sonâmbulos surgiram, pela ação magnética, que viam a distância, realizavam "viagens", em que muitas vezes percebiam paisagens mais belas e admiráveis que as da Terra. O magnetismo deixou de ser um simples processo curativo e passou a ser também uma porta aberta para o que, então, se considerava como sobrenatural; tanto mais que muitos sonâmbulos percebiam também os Espíritos desencarnados, entravam em relação com eles e deles recebiam instruções morais e indicações terapêuticas, que transmitiam aos homens. Sob este aspecto, o sonambulismo foi verdadeiramente precursor do Espiritismo.
Vejamos agora o que se encontra em "O Livro dos Espíritos ".
O chamado sonambulismo magnético tem alguma relação com o sonambulismo natural?
"É a mesma coisa, com a diferença só de ser provocado." (02)
"Qual a causa da clarividência sonambúlica?
Já o dissemos: é a alma que vê." (03)
'Qual a origem das idéias inatas do sonâmbulo e como pode falar com exatidão de coisas que ignora quando desperto, de coisas que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?
É que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que os que lhe supões. Apenas, tais conhecimentos dormitam, porque, por demasiado imperfeito, seu invólucro corporal não lhe consente rememorá-lo. Que é, afinal, um sonâmbulo? Espírito, como nós, e que se encontra encarnado na matéria para cumprir a sua missão, despertando dessa letargia quando cai em estado sonambúlico. (...)" (05)
ÊXTASE - A ação magnética não se limita, como vimos, à produção de curas de enfermidades físicas.
Seu alcance é muito maior, desatando os laços que prendem a alma ao corpo, favorecendo a sua pene tração no mundo invisível. Mas há diversos graus no estado magnético, que vão dos mais leves estados de sono, passando pelo sonambulismo lúcido ate um estado de quase total desprendimento da alma, que paira então em planos etéreos e felizes, estado esse que se chama êxtase. Consultemos, sobre o assunto, O Livro dos Espíritos.
"Que diferença há entre o êxtase e o sonambulismo?
O êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do extático ainda é mais independente." (06)
E Kardec acrescenta ainda sobre este palpitante assunto: "(...) No sonho e no sonambulismo, o Espírito anda em giro pelos mundos terrestres. No êxtase, penetra em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o prendem ao corpo. Cerca-o, então, resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade. (...) (08)
DUPLA VISTA. Posto que raro, há também, inteiramente fora de qualquer influência magnética, casos em que certos indivíduos, em perfeito estado de vigília conseguem perceber, no instante mesmo em que ocorrem, cenas e fatos passados a distância. É o fenômeno da dupla vista.
Haveria, pois, alguma relação entre sonho, sonambulismo e o fenômeno de dupla vista? (07)
"(...) Tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é ainda resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido. A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma." (07)
Como exemplos dessa faculdade são comumente citados os casos de Swedenborg que, em Estocolmo, assistiu e descreveu com precisão e em todo o seu desenvolvimento a um incêndio que ocorria em localidade muito distante, bem como o de Apollônio de Tyana que, estando a ensinar seus discípulos em praça publica, estes o viram de repente interromper-se, na atitude ansiosa de quem espera alguma grave ocorrência e em seguida anuncia o assassinato de Domiciano, que caia sob o punhal de um liberto.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 36

OBSESSÃO
CONCEITO, CAUSAS E GRAUS DE OBSESSÃO
 - 1A PARTE


Como conseqüência da inferioridade moral da população do nosso Planeta, são muito numerosos os Espíritos inferiores que habitam o plano dos desencarnados. A ação desses Espíritos, capazes de influenciar os nossos pensamentos e os nossos atos, constitui parte integrante das dificuldades enfrentadas pela humanidade. Um dos resultados dessa ação negativa e a obsessão, que pode ser definida como ;'(...) o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. (...)' (02) Em A GÊNESE, Kardec conceitua obsessão como '(...) a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. (...)' (01) Essa ação pode variar desde uma simples influencia moral ate uma perturbação completa do organismo, inclusive de ordem mental. As faculdades mediúnicas, particularmente, tornam-se bastante prejudicadas pela obsessão. Os Espíritos obsessores são sempre de natureza inferior, pois os bons Espíritos não se preocupam em constranger ou dominar alguém. Os Espíritos obsessores agem, inicialmente de maneira sutil, interferindo gradativa e progressivamente na mente do Espírito encarnado, podendo atingir situações extremas de completo domínio. Essa ação pode ser reconhecida, no inicio, como uma forca psíquica interferindo nos processos mentais, uma vontade dominada por outra vontade, ou uma inquietação crescente sem motivo aparente (04). ~
Da mesma forma que as enfermidades orgânicas se instalam onde existe carência nos mecanismos de defesa, a obsessão se manifesta nas mentes cujas imperfeições morais do pretérito e do presente deixam marcas profundas no Espírito. Alguns vícios, entretanto, devem ser alinhados entre os fatores que favorecem a obsessão, por se constituírem em dano para o corpo e para a mente:
O alcoolismo, pelas conseqüências orgânicas, morais e sociais que acarreta, e veiculo de obsessões cruéis, permitindo a alcoólatras desencarnados, o vampirismo, com serias lesões na organização fisio-psiquica.;
As drogas, atuando no sistema nervoso, permitem o ressurgimento de impressões do pretérito que, misturadas às frustrações do presente, desequilibram a emotividade, oferecendo vasto campo de atuação para os desencarnados em desespero emocional.
A sexualidade desequilibrada permite a sintonização de consciências desencarnadas que vivem em indescritível aflição, e que se hospedam nas mentes encarnadas, absorvendo energias vitais e gerando obsessões degradantes.
A glutonaria, a maledicência, a ira, o ciúme, a inveja, a avareza e o egoísmo, são igualmente estradas de acesso para Espíritos de inferior que num processo de sintonia. Banqueteiam-se com as nossas imperfeições, influenciando os nossos pensamentos e as nossas ações. Essa influência, não sendo combatida ou neutralizada, torna-se cada vez mais persistente, constituindo-se em processo obsessivo.
NOTA: Alem das obras citadas nas Referências Bibliográficas sugerimos a leitura da serie André Luiz para maiores informações sobre o tema obsessão.

A N E X O - PROGRAMA V - ROTEIRO N° 36

Após a leitura dos itens 45 a 49, capítulo 14, de "A Gênese", de Allan Kardec, responda:
01. Quais as principais causas das obsessões?
02. Como se caracteriza a ação malfazeja dos Espíritos obsessores sobre os, obsidiados?
03. Que perigos os vícios, tais como, alcoolismo, toxicomania, luxuria' entre outros, podem trazer para o Espírito?
04. De que maneira um Espírito desencarnado age sobre os encarnados, provocando desde as simples indisposições orgânicas as doenças graves; desde alterações de humor até sérios desvios do comportamento? Justifique a resposta dada.
05. A loucura poderia ser considerada sinônimo de obsessão? Por que?
06. Existem obsessões coletivas? Responda e justifique a resposta.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 37
 

OBSESSÃO
CONCEITO. CAUSAS E GRAUS DA OBSESSÃO - 2A PARTE

Vimos que a obsessão pode ser entendida como o domínio que alguns Espíritos de natureza inferior podem exercer sobre certas pessoas. Esse domínio apresenta graus variáveis, resultando dai, efeitos também variáveis, em grau e em complexidade. As principais variedades de obsessão são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. No estudo da mediunidade, Kardec conceituou, como segue, as variedades de obsessão: - Obsessão simples - verifica-se quando um Espírito moralmente inferior se impõe a um médium, intromete-se nas comunicações contra a vontade do médium, impede que este se comunique com outros Espíritos, e substitui os Espíritos que são evocados. Qualquer médium, principalmente quando lhe falta experiência, pode ser enganado por Espíritos mal intencionados. Entretanto, o que caracteriza a obsessão simples é a persistência de um Espírito em perturbar as comunicações, e a dificuldade que o médium encontra para livrar-se desse inconveniente. (02) - Fascinação - e entendida como uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium, e que inibe o seu discernimento ou a sua capacidade de Julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado, O Espírito obsessor consegue impedi-lo de reconhecer o engano, mesmo quando a mistificação é grosseira e ridícula. As conseqüências da fascinação são mais graves, uma vez que ~ obsessor dirige a vitima, fazendo-a aceitar teorias e idéias as mais absurdas. Nos casos de fascinação, os Espíritos obsessores são, geralmente, bastante espertos e ardilosos. (03) - Subjugação - é um envolvimento que anula a vontade da pessoa -fazendo-a agir de acordo com a vontade do obsessor. O obsidiado fica subordinado a um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, a pessoa é obrigada a tomar decisões quase sempre absurdas e comprometedoras; no segundo caso, o Espírito age sobre a organização física, provocando desde movimentos involuntários simples até lesões graves no corpo do encarnado.
Entendendo a obsessão como o domínio de uma mente sobre outra mente, ou seja, um processo de transmissão mental, compreender-se-á que ela pode apresentar outras características alem daquela até aqui focalizada, ou seja, a atuação de um Espírito desencarnado sobre um encarnado
Existem, em grande número, pessoas obsidiando pessoas (06); caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem como vitimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão ou ânsia de poder, e é exercido, muitas vezes, de maneira tão sutil, que a pessoa dominada julga-se extremamente amada, e ate mesmo protegida. É uma obsessão de encarnado para encarnado. O marido que subjuga a esposa, a esposa que tiraniza o marido, são expressões desse tipo de obsessão. (06)
Espíritos desencarnados também obsidiam Espíritos desencarnados; o mesmo drama de domínio de uma mente sobre outra mente desenrola-se também no plano espiritual. É a obsessão de desencarnado para desencarnado. Situações que ocorrem na erraticidade são, muitas vezes, reflexo daquelas que ocorrem na crosta terrestre, e vice-versa. (06)
Embora possa parecer difícil, a obsessão também acontece de um Espírito encarnado para um desencarnado
fato mais freqüente do que se pensa, pois muitas criaturas humanas vinculam-se, obstinadamente, aos entes amados que as precederam no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo levam à fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre, não lhes permitindo o equilíbrio necessário para enfrentar a nova situação na vida espiritual. Idêntico processo verifica-se quando o sentimento que do mina o encarnado e de ódio, revolta, etc. (06)
Finalmente, a obsessão pode assumir ainda a expressão de obsessão recíproca. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, assim também existem criaturas que permutam vibrações de natureza inferior, com as quais se comprazem. É uma espécie recíproca, que tanto pode ocorrer entre encarnados quanto entre desencarnados, ou ainda entre estes e aqueles. (06)

NOTA: Alem dos livros citados na Referência Bibliográfica, sugerimos a leitura, em especial, das seguintes obras de Francisco Cândido Xavier, ditadas pelo Espírito André Luiz.
01. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Ditado pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de .Janeiro, FEB, 1982.

02. -. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978.
03.-. No Mundo prior. Ditado pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979.
04.- . & VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino. Ditado pelo Espírito André Luiz. 9. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.

AS VÁRIAS EXPRESSÕES DE UM MESMO PROBLEMA
'( . . . ) existem problemas obsessivos em várias expressões, como os de um encarnado sobra outro; de um desencarnado sobro outro; de um encarnado sobre. um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele." — Manoel Philomeno de Miranda.
(Sementes de Vida Eterna, Autores Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, cap. 30.)

Obsessão — um problema a expressar-se de virias maneiras. Alem das relacionadas por Manoel P. de Miranda, acrescentaremos: a obsessão recíproca e a auto-obsessão.

ENCARNADO PARA ENCARNADO
Pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem corno vítimas.
Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, ~ vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo protegido.
Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, demasiadamente possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro.
É, por exemplo, o marido que limita a liberdade da esposa, mantendo-a sob o jugo de sua vontade; é a mulher que tiraniza o companheiro, escravizando-o a os seus caprichos ; são os pais que se julgam no direito de governar os filhos, cerceando-lhes toda e qualquer iniciativa; são aqueles que, em nome da amizade, influenciam o outro, mudando-lhe o modo de pensar, exercendo sempre a vontade mais forte o domínio sobre a que se apresentar mais passiva.
São ainda as paixões escravizantes que, desequilibrando emocionalmente os seres, podem ocasionar dramas dolorosos, configurados em pactos de suicídio, assassínios' etc.
A dominação mental acontece não só no plano terrestre, isto é nas ocorrências do dia a dia. mas prossegue principalmente durante o sono físico, quando os seres assim comprometidos se defrontam em corpo astral, parcialmente libertos do corpo carnal, dando curso em maior profundidade ao conúbio infeliz em que se permitiram enredar.
O mesmo sucede sob o império do ódio ou quaisquer outros sentimentos de ordem inferior. Até mesmo dentro dos lares, na mesma família, onde se reencontram antigos desafetos, velhos companheiros do mal, comparsas de crimes nefandos, convocados pela Justiça Divina ao reajustamento. Entretanto, escravizados ao passado deixam-se levar por antipatia e aversão recíprocas, que bem poucos conseguem superar de imediato. Surgem dai muitas das rixas familiares, já que esses Espíritos agora unidos pelos laços da consangüinidade, prosseguem imantados às paixões do pretérito, emitindo vibrações inferiores e obsidiando-se mutuamente.
São pais que recebem , como filhos, antigos obsessores. ~ o obsessor de ontem que acolhe nos braços, como rebento de sua carne, a vitima de antanho.
E esses seres se entrelaçam nos liames consangüíneos para que tenham a preciosa ensancha de modificar os próprios sentimentos, vencendo aversões, rancores e mágoas.
Reduzido, porem, ainda é o número dos que conseguem triunfar, conquistando o vero sentimento de fraternidade' tolerância e amor. Sem embargo, a experiência vivida, à custa de sacrifícios e lágrimas, será para todos o passo inicial da longa e bela escalada, em busca do Pai que nos aguarda em Sua Infinita Misericórdia.

DESENCARNADO PARA DESENCARNADO
Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarnados que dominam outros desencarnados, são expressões' de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual Inferior.
As humanidades se entrelaçam: a dos seres incorpóreos e a dos que retomaram a carne. Situações que ocorrem na Crosta são, em grande parte, reflexo da odisséia que se desenvolve no Espaço. E vice-versa.
Os homens são os mesmos: carregam os seu vícios e paixões, as suas conquistas e experiências onde quer que estejam.
Por isso há no Além-Túmulo obsessões entre Espíritos. Por idênticos motivos das que ocorrem na face da Terra.
Em quase todos os processos obsessivos desencadeados pelo que já desencarnou, junto ao que ainda está preso ao veículo físico, o obsessor cioso da cobrança costuma, em geral, aliciar outros Espíritos para secundá-lo em sua Vingança. Tais "ajudantes" são invariavelmente inferiores e de Inteligência menos desenvolvida que a de seu chefe. A sujeição mental a que se submetem tem suas origens no temor ou até em compromissos ou dívidas existentes entre eles, havendo casos em que o "chefe" os mantém sob hipnose - processo análogo, aliás, ao utilizado com as vitimas encarnadas.
O jugo dos obsessores só é possível em razão da desarmonia vibratória de suas presas, que só alcançarão a liberdade quando modificarem a própria direção mental. Certamente recebem, tanto quanto os obsessores, vibrações amorosas e equilibradas dos Benfeitores Espirituais, que Ihes aguardam a renovação. Espíritos endividados e comprometidos entre si mesmos, através de associações tenebrosas, de idêntico padrão vibratório, se aglomeram em certas regiões do Espaço, obedecendo à sintonia e à lei de atração, formando hordas que erram sem destino ou se fixam temporariamente, em cidades, colônias, núcleos, enfim, de sombras e trevas. Tais núcleos tem dirigentes, que se proclamem Juízes, julgadores, chamando a si a tarefa do distribuir "justiça " aos Espíritos Igualmente culpados e também devotados ao. mal, ou endurecidos pela revolta e pela descrença. Na obra " Libertação ", de André Luiz, encontramos a descrição de uma dessas cidades e no livro "Nos Bastidores da Obsessão", de Manoel P. de Miranda, temos notícia também de um desses núcleos trevosos.
Aí, nesses redutos das sombras, comete-se toda sorte de atrocidades e os Espíritos aferrados ao mal são julgados e condenados por outros ainda em piores condições. Torturas inimagináveis, crueldades, atos nefandos são praticados por esses seres que se afastaram, deliberadamente do bem. Esses agentes do mal, todavia, não estão abandonados pela misericórdia do Senhor, e sempre que ofereçam condições propícias são balsamizados pelas luzes divinas a ensejar-lhes a transformação. Um dia retornarão ao aprisco, porque nenhuma das ovelhas se perdera...

DE ENCARNADO PARA DESENCARNADO
A primeira vista, a obsessão do encarnado sobre o desencarnado pode parecer difícil ou mais rara de acontecer. Mas, ao contrário, é fato comum, já que as criaturas humanas, em geral por desconhecimento, vinculam-se obstinadamente aos entes amados que as prece. deram no túmulo.
Expressões de amor egoísta e possessivo, por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre. Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recém-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhes permitindo alcançar o equilíbrio de que carece para enfrentar a nova situação.
A inconformação e o desespero, pois, advindos da perda de um ente querido, podem transformar-se em obsessão que irá afligi-lo e atormentá-lo.
Idêntico processo se verifica quando o sentimento que domina o encarnado é o do ódio, da revolta, etc.
É bastante comum, também, que herdeiros insatisfeitos com a partilha dos bens determinada pelo morto se fixem mentalmente neste, com seus pensamentos de inconformação e rancor. Ac disputas de herança afetam dolorosamente os que já se desprenderam dos liames carnais, se estes ainda não conquistaram posição espiritual de equilíbrio. E, mesmo neste caso, a disputa entre os herdeiros em torno dos bens irá confrangê-los e preocupá-los.
Ah! se os homens pensassem um pouco mais na vida além da ida transitória, se dedicassem mais atenção às coisas espirituais, se dessem mais valor aos bens eternos que constituem o verdadeiro tesouro, se relembrassem os sublimes ensinamentos do Cristo, certamente haveria menos corações infelizes a transitarem entre os dois planos, hesitando entre a espiritualidade que Ihes acena com novas perspectivas e as solicitações inferiores que os atraem e os imantam à retaguarda.

DE DESENCARNADO PARA ENCARNADO
É a atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado.
O processo obsessivo entre os seres invisíveis e os que estão encarnados parece ser o de maior incidência.
Evidentemente, por ser mais fácil ao desencarnado influenciar e dominar a mente daquele que está limitado pelo veículo somático.
Agindo nas sombras, o obsessor tem, a seu favor o fato de não ser visível e nem sempre percebido ou pressentido pela sua vítima. Esta, incauta, imprevidente, desconhecendo até a possibilidade da sintonia entre os seres do Plano Espiritual e os da Esfera Terrestre deixa-se induzir, sugestionar e dominar pelo perseguidor, que encontra em seu passado as "tomadas" mentais que facultarão a conexão. Estas "tomadas" são os fatores predisponentes, como a presença da culpa e do remorso. Nem sempre, contudo o Espírito está consciente da sua influência negativa sobre o encarnado. Não raro, desconhecendo a sua situação, pode, sem o saber, aproximar-se de uma pessoa com a qual se, afinize e assim prejudicá-la com suas vibrações. Outros o fazem intencionalmente; a maioria, com o intuito de perseguir ou vingar-se, como veremos nos capítulos seguintes.

OBSESSÃO RECÍPROCA
A obsessão pode assumir ainda, em qualquer de suas expressões até agora mencionadas, a característica de obsessão recíproca.
Na vida real é fácil encontrar casos que confirmem isto. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, na qual buscam 0 enriquecimento espiritual que as possa nutrir e confortar, assim também, sob outro aspecto, as criaturas se procuram para locupletar-se das vibrações que permutam e nas quais se comprazem. Apenas, uma vez mais, uma questão de escolha.
André Luiz, observando o caso de Libório— que obsidiava a mulher por quem sentia paixão, vampirizando-lhe o corpo físico— esclarece a respeito: "O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca. (. . .) enquanto não Ihes modificamos as disposições espirituais (. . . ) jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros." (Grifo nosso.) (3)
Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento enervante.
São as paixões avassaladoras que tornam os seres totalmente cegos a quaisquer outros acontecimentos e interesses, fechando-se ambos num egoísmo a dois, altamente perturbador. Esses relacionamentos, via de regra, terminam em tragédias se um dos parceiros modificar o seu comportamento em relação ao outro.
Não raro, encontramos em nossas reuniões casos de obsidiados que estão sendo tratados e que afirmam desejar livrar-se do jugo do obsessor. Quando este, entretanto, comunica-se gaba-se de que o encarnado o chama insistentemente e diz precisar dele (obsessor), não se podendo separar, pois necessitam um do outro. Alguns chegam mesmo a proclamar que entre ambos existe paixão, razão pela qual têm de permanecer juntos.
Se o encarnado diz que pretende libertar-se, isto se deve ao fato de que fisicamente ele sofre com tal situação. No Intimo, todavia, tem prazer em situar-se como vítima. Durante o sono, por certo, basca a companhia do outro, comprazendo-se com a permuta de vibrações e sensações.
(3) Nos caminhos da Mediunidade, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, cap. 14. 10 ed. FEB
 

A AUTO-OBSESSÃO
"O homem não raramente é o obsessor de si mesmo" (4), é o que assevera o Codificador.
Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julguem, de maiores responsabilidades.
Kardec vai mais longe e explica: "Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo." (5)
Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não consegues fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vítimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora.
Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vítimas ou os comparsas a Ihes baterem às portas da alma.
Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente.
Um médico espírita disse-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males - para os quais não existem medicamentos eficazes - e que são tipicamente portadores de auto-obsessão. São cultivadores de "moléstias fantasmas". Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia-a-dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vitimas de si próprios, atormentados por si mesmos.
Esse estado mental abre campo para os desencarna dos menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se ai sim, o desequilíbrio por obsessão.
(4) Obras Póstumas, Allan Kardec, Primeira Parte, "Manifestações dos Espíritos", Item 58, 17.a ed., FEB.
(5) Id., id.
SCHUBERT, Suely Caldas. As várias expressões de um mesmo problema. In Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p 34-41

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 38

OBSESSÃO
O PROCESSO OBSESSIVO: O OBSESSOR E O OBSIDIADO
- 1A PARTE

O problema da obsessão, sob qualquer aspecto, envolve obsessor e obsidiado. Quase sempre, evocações do passado estabelecem ligação entre o desencarnado e o encarnado. A influência que este último recebe e, inicialmente, sutil, mas aos poucos o envolvimento cerebral se acentua, ate atingir um estágio de verdadeira vampirização, em que obsessor e obsidiado se completam. As causas da obsessão localizam-se, portanto, em processos morais lamentáveis, em que o perseguidor e a vitima deixaram-se envolver no Pretérito. Reencontrando-se agora, e imantados pela Lei da Justiça Divina, iniciam-se as trocas mentais, muitas vezes já na vida intra-uterina, intercâmbio vibratório que se acentua a partir do nascimento, durante a nova encarnação do obsidiado. Sob qualquer forma, desde a mais simples até a subjugação, a obsessão exige tratamento difícil, pois ambos, obsessor e obsidiado, são enfermos do Espírito. (02, 06)
Na intensificação do processo obsessivo, justapõe-se subtilmente "(...) cérebro a cérebro, mente a mente, vontade dominante sobre vontade que se deixa dominar, órgão a órgão", através do corpo espiritual. A cada concessão feita pelo hospedeiro, mais coercitiva se faz a presença do hóspede, que se transforma em parasita insidioso, estabelecendo, muitas vezes, a simbiose através da qual o poder da vontade dominadora consegue apagar a lucidez do dominado. (02). Em toda a obsessão, o encarnado conduz em si mesmo os fatores predisponentes (débitos morais a resgatar) que permitem o processo. Encontrando em sua vítima os condicionamentos, a predisposição e as defesas desguarnecidas, disso tudo se vale o obsessor para instalar a sua onda mental na mente da pessoa visada, (06) A interferência dá-se por processo semelhante ao que acontece no rádio, quando uma emissora clandestina passa a utilizar determinada freqüência operada por outra, prejudicando-lhe a transmissão. O perseguidor age com persistência para que se estabeleça a sintonia mental, enviando seus pensamentos numa repetição constante, hipnótica, à mente da vitima que, invigilante, assimila-os, deixando-se dominar pelas idéias intrusas. Acrescenta Kardec que na obsessão o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o perispírito do encarnado, ficando este constrangido a proceder contra a sua vontade. (01)
Perante os obsessores, é imperioso que se cultive a oração com carinho e devotamento. O Espírito encarnado tem necessidade de comunhão com Deus através da prece tanto quanto, o corpo físico necessita de ar para conservar a saúde. Na Terra, somos o que pensamos, permutando vibrações que se harmonizam com outras vibrações afins . É indispensável, pois, cultivar bons pensamentos a fim de neutralizar as influencias negativas dos que nos cercam na experiência diária. No exercício da oração, habituamo-nos também a meditar sobre as inadiáveis necessidades de libertação ,e de progresso.
Ante os seres perturbadores do mundo espiritual, é necessário cultivar a bondade, abrindo o coração ao perdão e a indulgência, de modo a alcançar a fraternidade e compreensão. É preciso renovar a disposição íntima para que, ao conversarmos com esses seres de mente em desalinho, através do pensamento ou da palavra, saibamos compreendê-los, ajudando-os quanto possível, com amor e humildade.
O trabalho incansável pelo bem comum, inspirado no ensino trazido pelos Espíritos, superiores, conserva-nos a mente e o coração em Jesus, sintonizados com as esferas mais altas onde sorveremos as forças para vencer as agressões de que somos vítimas. Orando e ajudando, conservamos a nossa paz.
Quando solicitado a auxiliar um obsidiado, não nos deve faltar a paciência, a compreensão, bem como a caridade da boa palavra e do passes. É imperioso, entretanto, contribuir para seu próprio esclarecimento, insistindo para que ele próprio se ajude. Ele deve entender que, com o seu progresso, contribuirá para o aprimoramento do outro ser que, ligado a ele por imposição da Justiça Divina, tem necessidade de evoluir também. ( 05, 06, 07 )
 

A N E X O 0 1

O OBSIDIADO
"As Imperfeições morais do obsidiado constituem, freqüentemente, um obstáculo a sua libertação."
(o Livro doa Médiuns, Allan Kardec, Item 2s2.)
Obsidiado—Obsesso: Importunado, atormentado, perseguido. Indivíduo que se crê atormentado, perseguido pelo Demônio. (14)
Obsidiados—todos nós o fomos ou ainda somos
Desde que não conseguimos a nossa liberdade completa; desde que ainda não temos a nossa carta de alforria para a eternidade; desde que caminhamos sob o guante de pesadas aflições que nos falam de um passado culposo e que ressumam sombras ao nosso redor; desde que ainda não temos a plenitude da paz de consciência e do dever cumprido; desde que somos (orçados, cerceados, limitados em nosso caminhar e constrangidos a suportar presenças que nos causam torturas, inquietações, lágrimas e preocupações sem conta, é porque, em realidade, ainda somos prisioneiros de nós mesmos, tendo como carcereiros aqueles a quem devemos. Estes que hoje se comprazem em nos observar —a nossa "nuvem de testemunhas" —, manter e forçar a que permaneçamos no cárcere de sombras que nós mesmos construímos.
Prisão interior. "Cela pessoal" - nos diz Joanna de Ângelis - , onde grande maioria se mantém sem lutar por sua libertação, acomodada aos vícios, cristalizada nos erros. Cela da qual o Espiritismo veio nos tirar, com seus ensinamentos que consolam, mas, sobretudo, que libertam.
Obsidiados! Cada um deles traz consigo um infinito de problemas que não sabe precisar.
Necessitam de nossa compreensão. Pedem-nos ouvidos atentos e caridosos, ansiando desabafar os seus conflitos.
Chegam aos magotes em nossas Casas Espíritas. Vem em busca de alívio e conforto. Quando apresentam lucidez suficiente, procuram explicações e respostas. Devemos estar preparados para recebê-los. E não apenas isto, mas acolhê-los e tratá-los com a caridade legítima, orientando, encaminhando, clarificando os seus caminhos com as bênçãos que a Terceira Revelação nos proporciona.
É nosso dever esclarecer a esses irmãos que o combate mais renhido que deverão travar não é contra o obsessor - pois a este é mister conquistar através do amor e do perdão -, mas, sim, contra si mesmos. Peleja em que devem empenhar-se, no intuito de se modificarem, no anseio de moralização, até que dêem ao verdugo atual a demonstração efetiva de sua transformação.
Nestas condições, ele pode conseguir a conquista do obsessor que hoje o subjuga. Conquista esta progressiva, demorada, mas sublime, pois ao final encontrar-se-ão frente a frente, já agora, intimamente renovados e redimidos. Esse o único caminho para a libertação
O obsidiado é o algoz de ontem e que agora se apresenta como vitima. Ou então é o comparsa de crimes, que o cúmplice das sombras não quer perder, tudo fazendo por cerceá-lo em sua trajetória. As provações que o afligem representam oportunidade de reajuste, alertando-o para a necessidade de se moralizar, porquanto. Sentindo-se açulado pelo verdugo espiritual, mais depressa se conscientizará da grandiosa tarefa a ser realizada: transformar o ódio em amor, a vingança em perdão, e humilhar-se, para também ser perdoado.
Voltando-se para o bem, conquistando valores morais, terá possibilidades de ir-se equilibrando, passando a emitir novas vibrações - e atraindo outras de igual teor - que lhe trarão saúde e paz.
A sua transformação moral, a vivência no bem, o cultivo dos reais valores; da vida verdadeira irão aos poucos anulando os condicionamentos para a dor, enquanto favorecerão a sua própria harmonização interior, que é, sem dúvida, fator de melhor saúde física.
Patenteia-se aí a perfeição da Justiça Divina que possibilita ao infrator redimir-se pelo bem que venha a realizar, adquirindo créditos que facilitarão a sua caminhada, abrindo-lhe novos horizontes.
Por isto que é a Doutrina Espírita a terapêutica completa para obsidiados e obsessores, como de resto para todos os seres humanos . Desvendando o passado, demonstra o porquê de dores e aflições e abre perspectivas luminosas para o futuro.
Nesta visão panorâmica de passado-presente-futuro desponta o Amor de Deus a sustentar todas as criaturas no carreiro da evolução. A Justiça do Pai é equânime e ninguém fica impune ou marginalizado diante de Suas Leis, mas, ela é, sobretudo, feita de Amor e Misericórdia, possibilitando ao faltoso renovadas ensanchas de redenção e, desde que ele desperte para essa realidade, encontrar-las-á em seu caminho, e, se souber aproveitá-las, aliviara seus débitos, trazendo-lhe simultaneamente melhores condições espirituais. Sabendo que pode amenizar a dor, não só pela compreensão de suas causas, mas também por intermédio de todo o bem que possa fazer, mais fácil se torna para o ser humano a caminhada. Embora profundamente vinculado ao pretérito e experimentando provações amargas, terá na consoladora mensagem do Espiritismo esperanças novas e novo alento para prosseguir.

(14) Novo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
SCHUBERT, Suely Caldas. Obsidiado. In Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p.61-63
 
 

A N E X O 0 2
QUEM É O OBSESSOR?
" Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos "
(seara dos Médiuns, Emmanuel, psicografia do Francisco Cândido Xavier, "Obsessores".)
Obsessor—Do latim obsessore. Aquele que causa a obsessão; que importuna. (15)
O obsessor é uma pessoa como nós.
Não é um monstro teratológico saído das trevas, onde tem a sua morada para todo o sempre.
Não é um ser diferente, que só vive de crueldades, nem um condenado sem remissão pela Justiça Divina.
Não é um ser estranho a nós. Pelo contrário. É alguém que privou de nossa convivência, de nossa intimidade, por vezes com estreitos laços afetivos. É alguém, talvez, a quem amamos outrora. Ou um ser desesperado pelas crueldades que recebeu de nós, nesse passado obumbroso, que a bênção da reencarnação cobriu com os véus do esquecimento quase completo, cm nosso próprio beneficio
O obsessor é o irmão, a quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram, certamente com a nossa participação.
Muitos, por desconhecimento, transferiram para o obsessor os atributos do próprio demônio, se este existisse.
Entretanto, quantos de nós já não cometemos essas mesmas atrocidades que ele comete agora? Quantos de nos já não alimentamos ódios semelhantes? Quem está livre de trazer nos escaninhos da consciência a mesma inimaginável tortura de um amor desvairado, doentio, que se fez ódio e se converteu em taça de fel? Quem pode dizer qual seria a nossa reação se vivêssemos as tormentas que Ihe corroem as profundezas da alma?
O ódio só no amor tem cura. É o antídoto que anula os efeitos maléficos, que neutraliza, e, sobretudo, transforma para o bem. Geralmente, É o ódio que impulsiona o ser humano a vingança é sempre um desforço que se pretende tomar, como quem está pedindo contas a outrem de atos julgados danosos aos seus interesses.
A figura do obsessor realmente impressiona, pelos prejuízos que a sua aproximação e sintonia podem ocasionar. E disto ele tira partido para mais facilmente assustar e coagir a sua vítima. E esta, apresentando, em razão do seu passado, os condicionamentos que facilitando a sintonia, traz, no mais recôndito do seu ser. o medo desse confronto inevitável e a certeza da própria culpa, tornando-se presa passiva do seu algoz de agora.
Não é fácil ao obsidiado amar o seu obsessor. Não é fácil perdoá-lo. Mas, é o que se torna necessário aprender.

(15) Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda
 

O Espiritismo, mostrando-nos toda a trajetória por nós percorrida e as vinculações e compromissos que adquirimos no decorrer de sucessivas reencarnações; descortinando para nossas almas o que fomos, somos e poderemos ser mediante o uso do livre-arbítrio; desvendando as intrincadas questões do ser através da fé racional, lúcida e ativa, torna possível o que a ignorância fazia parecer impossível: perdoar e até aprender a amar ao obsessor.
A Doutrina Espírita nos veio ensinar a Verdade e esta nos faz enxergar por dentro de nós mesmos. Ela nos desnuda perante a nossa própria consciência, pois o verdadeiro espírita não teme o auto-exame, a auto-análise, que Ihe possibilitará conhecimento mais profundo de deficiências, das sombras que existem dentro de cada um.
Diante dessa conscientização é que nos lançamos à reforma intima. Primeiro, o mergulho dentro do nosso eu, o reencontro doloroso mas essencial, quando contemplamos os escombros, as ruínas em que transformamos o que tínhamos de melhor. Depois dessa constatação, a Doutrina estimula a reconstrução e, atém disso, muito mais: possibilitamos e facilita a reedificação do universo interior.
Essa é uma façanha notável, que unicamente o Consolador Prometido consegue proporcionar ao ser humano.
Fato interessante acontece com o obsessor. Quando surge em nosso caminho, ele nos enxerga tal qual fomos ou somos. Ele nos conhece de longa data e não se iludirá se hoje nos apresentam os com outra capa, outra face. Ele nos vê tal como nos viu, quando nos defrontamos no pretérito. Para ele, o tempo parou no instante em que foi ferido mortalmente, no momento em que teve os seus sonhos destruídos e quando se sentiu traído ou injustiçado. O tempo parou ali e, conseqüentemente, aquele que está sendo perseguido é também a mesma criatura, para a qual não haveria nenhum modo de mascarar-se, caso tentasse.
Mas, em se aproximando, com o tempo, ainda que nos observando através das lentes do rancor, ele acabará por notar as mudanças que ocorreram em nosso modo de ser. de pensar e de agir —se estas existirem realmente. E só através dessa constatação é que se conseguirá alguma coisa no sentido de conquistá-lo e motivá-lo igualmente a uma transformação.
Aquele que possui o conhecimento espírita terá enormes possibilidades de aprender a exercitar o perdão e o amor pelos seus inimigos. Tanto melhor quanto mais se lembrar de que o perseguidor assim se apresenta por ter sido levado, por quem hoje é a vítima aos sofrimentos que deram origem ao ódio e à vingança.
O obsessor é, em última análise, um irmão enfermo e infeliz. Dominado pela idéia fixa (monoideísmo) de vingar-se, esquece-se de tudo o mais e passa a viver em função daquele que é o alvo de seus planos. E, na execução desses, o seu sofrimento ir-se-á agravando proporcionalmente às torturas que venha a infligir ao outro, o que acarretará para os seus dias futuros pesado ônus do qual não conseguirá escapar senão pela reforma intima.
Nenhuma etapa de sua desforra Ihe dará a almejada felicidade e alegria, nem trará a paz por que tanto anseia, pois o mal é geratriz de desequilíbrios, frustrações e insuportável solidão.
Existem obsessores de grande cultura e que, por isto mesmo exercem amplo domínio sobre Espíritos ignorantes e igualmente perversos ou endurecidos, que a eles se vinculam. São os comparsas de que carecem para a execução de seus planos, estando sintonizados na mesma faixa de interesses.
Os obsessores, entretanto, não são totalmente maus, é preciso que se diga. Como ninguém é absolutamente mau. São, antes, doentes da alma. Possuem sementes de bondade, recursos positivos que estão abafados, adormecidos.
Os obsessores e obsidiados são assim pessoas como nós. São seres que sofrem porque se desmandaram entre si. São carentes de afeto compreensão e amor. Seres infelizes, para os quais o Espiritismo veio trazer o consolo e a esperança de uma vida nova de amor e paz.
Para eles, para toda a Humanidade ecoa a amorosa assertiva do Mestre: "Eu não vim para o justo, mas para o pecador..."
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Nem todo obsessor tem consciência do mal que está praticando. Existem aqueles que agem por amor, por zelo, pensando ajudar ou querendo apenas ficar junto do ser querido.
O caso da Sra. O... demonstra isto
A Sra. O... viu-se de um instante para outro acometida de uma tristeza inexplicável, seguindo-se-lhe um desânimo também difícil de ser entendido, por mais pesquisasse as causas. Sentia-se sem forças, tendo que permanecer quase o dia todo no leito, em repouso. Chorava muito e não conseguia atinar com a razão de tanto abatimento. Foi examinada por vários médicos, que não acharam nenhum mal que justificasse o seu estado.
Resolveu, em conseqüência disso, procurar "Casa Espírita" para orientação e passes. Verificou-se estar sob influência espiritual muito forte—a entidade que a acompanhava era a sua própria irmã, desencarnada há algum tempo, de maneira repentina e que havia sido pessoa muito boa, havendo inclusive entre elas uma afeição muito grande.
Foi feito o esclarecimento da irmã desencarnada, na reunião apropriada, e o resultado foi imediato. A Sra. O.. . curou se, passando a levar uma vida normal.
Casos como este existem em grande número e evidenciam o total despreparo das criaturas para a morte.

UM OBSESSOR "SIMPÁTICO"

Alguns obsessores apresentam interessante faceta para os estudos do assunto.
Foi o caso de certa entidade que se comunicou na reunião do Centro Espírita Ivon Costa. Muito educado, distinto, tratava ao esclarecedor com toda calma e gentileza. Dizia-se, na verdade, perseguindo a uma pessoa a quem odiava, mas não tinha raiva de mais ninguém e inclusive compreendia o nosso papel ao tentarmos beneficiar a sua vítima. Acreditava em Deus, em Jesus, no amor, mas não tinha vontade de abandonar o seu intento.
Mesmo com todos esses dados positivos de caráter, o seu esclarecimento foi demorado, rendendo-se por fim à evidência do amor, diante de aproximação de um Espírito a quem muito amava e que foi por ele visto durante os trabalhos.

SCHUBERT, Suely Caldas, Quem e o obsessor? In: -. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. b7-71.

A N E X O 0 3
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MODO DE AÇÃO DO OBSESSOR
"Sutilmente, a principio, em dedicado processo de hipnose, a idéia obsidente penetra a mente do futuro hóspede que, desguardado das reservas morais necessárias (...) começa a dar guarida ao pensamento infeliz, Incorporando-o às próprias concepções, e traumas que vêm do passado, através de cujo comportamento cede lugar à manifestação Ingrata e dominadora da alienação obsessiva." — Manoel Philomeno de Mlranda.
(Sementes de Vlda Eterna, Autores Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, cap. 30.)

Consciente ou inconscientemente, usando ou não de artifício e sutilezas, o obsessor age sempre aproveitando-se das brechas morais que encontra em sua vítima. Os condicionamentos do pretérito são como Imãs a atraí-lo, favorecendo a conexão imprescindível ao processo obsessivo, que tanto pode começar no berço como na infância ou em qualquer fase da existência daquele que é alvo de seu interesse.
Obsessões existem que, apenas, dão prosseguimento, na Terra, à obsessão preexistente no plano espiritual.
Há casos, em grande número, em que a ação do verdugo espiritual tem inicio em determinada época, apresentando-se de maneira declarada, ostensiva ou de modo sutil, quase imperceptível, que vai num crescendo até o ponto em que se caracteriza perfeitamente o problema.
Agindo na "surdina", o obsessor se utiliza de todos os recursos ao seu alcance. Sabe que o domínio que exerce sobre a sua vitima tem as suas raízes nos dramas do passado, em que ambos se enredaram, gerando compromissos de parte a parte. Sente, mesmo que não tenha cultura, Instintivamente, que poderá interferir com o seu pensamento na mente daquele a quem persegue e também que a constância, a repetição exercerão uma espécie de hipnose que o medo e o remorso favorecem, conseguindo assim uma sintonia cada vez maior, até a subjugação ou possessão, dependendo da gravidade do caso e das dividas que envolvem os personagens.
Nem sempre, porém, a ação do obsessor é fria e calculista. Nem sempre ele age com premeditação e com requintes de crueldade. Há obsessões, sim, que apresentam essas características, mas nem todas. Existem aquelas outras em que o algoz atua como que enlouquecido pela dor, pela angustia e sofrimentos. Não tem condições de raciocinar com clareza e sofre até mais que o obsidiado. Sua ação é desordenada, irrefletida e ele; sabe apenas que deve ou tem de pedir contas ou se vingar daquele que o tornou infeliz. Não tem noção de tempo, de lugar, às vezes, esqueceu-se do próprio nome, ensandecido pelas torturas que o vitimaram.
Muitos não tem consciência do mal que estão praticando. Podem estar sendo usados por obsessores mais inteligentes e mais cruéis, que os atormentam, enquanto os obrigam a, por sua vez, atormentarem os que são objeto de vingança ou ódio. Obsessores que também são obsidiados, conforme comentamos no capítulo 5.
Via de regra, os obsessores chefiam outros obsessores, que tanto podem ser seus cúmplices por vontade própria ou uma espécie de escravos, dominados por processos análogos aos usados com os obsidiados encarnados.
Esses Espíritos são empregados para garantir o cerco, intensificar a perturbação não só da vítima como dos componentes do seu círculo familiar. Permanecem ao lado destes, acompanham-lhes os passos, vigiam-lhes os movimentos e têm a incumbência de ocasionar -Ihes problemas, mal-estar, confusões, o que conseguirão desde que a criatura visada não se defenda com a luz da prece e o reforço de uma vida edificante, voltada para a prática da caridade e para o desejo constante do bem.
Nos casos mais graves, utilizam-se dos ovóides para vampirização, o que resulta numa questão bastante dolorosa e complexa de ser solucionada.
Os obsessores valem-se dos instantes do sono físico de suas vitimas para intensificarem a perseguição. Nestas ocasiões, mostram-se como realmente são, no intuito de apavorar e exercer com Isso maior domínio. Quando já há uma sintonização bem estreita, facilitada sobretudo pela culpa, o remorso e o medo, o obsessor age como dono da situação, levando o perseguido a sítios aterrorizantes, visando desequilibrá-lo emocionalmente, deixando plasmadas na sua mente as visões que tanto amedrontam. Envolvem a vítima com seus fluidos morbíficos e, em certos casos, chegam à posse quase completa desta através de complicadas intervenções no seu perispírito. Manoel Philomeno de Miranda narra que, em um paciente atormentado por obsessores cruéis, foi implantada "pequena célula fotoelétrica gravada, de material especial, nos - centros da memória" (16). Operando no perispírito, realizou o implante, induzindo a vítima a ouvir continuamente a voz dos algozes ordenando-lhe que se suicidasse.
Tais processos denotam imensa crueldade, mas não devem ser motivo de surpresa para nós, pois sabemos que na esfera física quanto na espiritual os homens são os mesmos. Não há também entre nós processos de tortura inconcebíveis? O que vem fazendo o homem em todos os tempos, em todas as guerras e até em tempo de paz, senão tentar aperfeiçoar os métodos de suplicio, de modo a torná-los mais requintados, com o fito de provocar dores cada vez mais acerbas em seus semelhantes ?

Temos acompanhado os mais diversos casos de obsessão. E sentimos de perto os dramas que se desenrolam nas sombras, nos círculos íntimos de tantas criaturas que padecem esse afligente problema, porque semanalmente os ouvimos, sentimos, recebemos, durante a reunião de desobsessão, quando nos inteiramos de casos que nos comovem e surpreendem pela complexidade e o inusitado das situações.
Grande número de entidades se manifestam dizendo estar em determinado local, ao lado de certa pessoa e que ai são constrangidas a permanecer, tendo inclusive medo de sair, de desobedecer, de serem retiradas, porque o "chefe castiga", "não deixa", etc.
Outras se comunicam confessando abertamente que foram encarregadas de assustar determinada criatura ou família, e para isto provocam brigas, intrigas, confusões, insuflando idéias desse teor naqueles que se mostram receptivos, envolvendo-os com seus fluidos perturbadores, rindo-se dos resultados, zombando do medo e das preocupações que acarretam. Zombam declaradamente das pessoas, revelando o modo de ação que empregam com a finalidade de se vangloriarem da própria esperteza e infundirem o temor entre os participantes da reunião, visto que também os ameaçam de usar em seus lares os mesmos métodos.
(16) Nos Bastidores de Obsessão, Manoel Philomeno do Miranda, psicografia do Divaldo Pereira Franco, cap. 8, 2.a ed. FEB.

Certa vez, na reunião em que colaboramos, sentimos a presença de um grupo de Espíritos desencarnados entre 15 e 18 anos. Tinham a aparência desses que vemos nas ruas, denominados "pivetes" ou "trombadinhas". Dentre eles comunicou-se uma mocinha desencarnada aos 17 anos, maltrapilha e extremamente zombeteira. Cantou-nos que andavam ao léu, pelas ruas, tal como faziam antes, dedicando-se especialmente a entrarem nos lares cujas portas estivessem abertas (e aqui no duplo sentido: físico e espiritual), com a finalidade de provocar desordens e brigas entre os moradores. Isto descrito num linguajar peculiar, com a gíria comumente empregada Também contou que tinham prazer em usufruir do conforto dessas casas, refestelando-se nas poltronas macias e desfrutando de comodidades que não tiveram em vida. Obviamente isto só era possível nos lares em que, embora havendo conforto material, o ambiente espiritual não diferençava muito do que era próprio a esses "pivetes" desencarnados.
Foi preciso muito amor e carinho de toda a equipe para conscientizá-los de que existia para todos uma vida bem melhor, se quisessem despertar para ela. Que havia ao lado deles pessoas que os amavam e que desejavam aproximar-se para auxiliá-los. E que acima de tudo estava Jesus, o Amigo Maior, que não desampara nenhuma de suas ovelhas.
Como a carência de amor dessas almas fosse bem maior que toda a revolta que os abrasava, aos poucos emocionaram-se com os cuidados e carinho de que foram alvo e, ao final, sob a liderança da jovem que se comunicou - uma espécie de porta-voz do grupo - e que foi também a primeira a se sentir amorosamente confortada, o grupo foi levado, após a prece comovente feita pelo doutrinador.
Durante a Comunicação foi-nos possível divisar alguns quadros da vida dessa quase menina, que nasceu, cresceu e viveu em locais que os homens habitualmente denominam " na sarjeta". Sua desencarnação foi trágica, vitimada pelos maus tratos de um homem.
Esse pequeno grupo de Espíritos não tinha consciência completa do mal que causavam, embora desejassem fazê-lo, vingando-se da sociedade que sempre os desprezara. Viviam de modo quase semelhante ao que levavam quando na vida material, apenas sentindo-se mais livres e com mais facilidade de ação. Não tinham ciência de que poderia haver para eles um outro tipo de existência, revelando-se-lhes, na reunião, aquele outro caminho: o das bênçãos do Alto em forma de trabalho digno e edificante.
O obsessor poderá valer-se, se for do seu interesse, de grupos semelhantes, visando a acelerar a consecução dos seus planos.
Na quase totalidade dos casos que observamos, o obsessor não age sozinho. Sempre arregimente companheiros, comparsas que o ajudam e outros que são forcados a colaborar, cientes ou não do plano urdido pelo chefe.
Várias obras da literatura mediúnica espírita narram obsessões complexas, mostrando detalhadamente os meios e técnicas empregados pelos verdugos. Em "Ação e Reação" e "Libertação", encontramos, respectivamente, o caso Antônio Olímpio e seu filho Luís, e o de Margarida. Em ambos, atuavam grandes falanges de obsessores. Igualmente no caso da família Soares, da obra "Nos Bastidores da Obsessão".
Para que se atenda ao obsidiado, imprescindível socorrer simultaneamente toda a falange de algozes que o cerca. Aos poucos essas entidades menos felizes são atraídas para a reunião de desobsessão, num trabalho de grande alcance e profundidade. Geralmente, quando o chefe se comunica, quase todos os seus prepostos já foram atendidos e encaminhados, o que o torna enfurecido ou desesperado, tentando arregimentar novas forças e ameaçando os membros da reunião, que ele culpa e para os quais transfere parte do seu ódio.

Dai, porque é fundamental que a reunião seja toda ela estruturada na fé inabalável, no mais acendrado amor ao próximo, na firmeza e na segurança que une todos os seus integrantes e, especialmente, sob a amorosa orientação de Jesus e dos Mentores Espirituais - que são em verdade o sustentáculo de todo o abençoado ministério socorrista.
Frente a um obsessor cruel e vingativo, que ameaça não só os da equipe encarnada, mas que diz estender o seu ódio aos familiares dos que ali estão presentes, desafiando-os com todos os tipos de agressões verbais (evidentemente sofrendo a necessária censura do médium, que as transmite e que só deixa passar aquilo que o bom senso permita), mas que ainda assim são de molde a atemorizar os menos afeitos a esses serviços (17), unicamente resistem aqueles que estão preparados para tal mister. Os que tenham fé e experiência; que amem esse trabalho e, por conseguinte, tenham amor para doar a esses Irmãos infortunados que a dor marcou profundamente; e tenham a mais absoluta convicção no amparo de Jesus através da direção espiritual que orienta todas as ocorrências. E - por que não dizer? - estejam preparados para sofrer e chorar pela dor que asselvaja esses corações e os transforma em seres quase irracionais.
Tão amargurado ódio, tão angustiantes conflitos nos ferem também o coração, que se repleta de amor por eles, verdugos e vítimas, já que também, um dia, perdido nas brumas do passado, padecemos as mesmas inenarráveis torturas, que hoje a Doutrina Espírita veio consolar, explicar e ensinar-nos a curar.
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(17) É bom que se esclareça que, apesar de a maior parte do trabalho ser efetivada pela equipe espiritual, o obsessor vai voltar-se contra os encarnados por serem os mais vulneráveis, já que não podem fazer o mesmo com os guias e trabalhadores espirituais.

SCHUBERT, Suely Caldas. Modo de ação do obsessor. In: -. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. 72-77

A N E X O 0 4
PARASITOSE ESPIRITUAL
"(. . . ) vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias."
(Missionários da Luz, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier cap. 4.1

Existe vampirização em larga escala, desde os tempos imemoriais. Sempre existiram criaturas que vivem a expensas de outrem, absorvendo-lhes as energias das mais diferentes maneiras, tanto no plano físico quanto no espiritual.
Assim, os que se encontram muito apegados às sensações materiais prosseguem, após o túmulo, a buscar sofregamente os gozos em que se compraziam. Para usufruí-los, vinculam-se aos encarnados que vibram em faixa idêntica, instalando-se então o comércio das emoções doentias. Por outro lado, os obsessores, por vingança e ódio, ligam-se às suas vítimas com o intuito de absorver-lhes a vitalidade, enfraquecendo-as e exaurindo-as, para conseguirem maior domínio. Idêntico procedimento tem os desencarnados que se imantam aos seres que ficaram na Terra e que são os parceiros de paixões desequilíbrantes. Ressalte-se que existem aqueles que, já libertos do corpo físico, ligam-se, inconscientemente, aos seres amados que permanecem na crosta terrestre, mas sem o desejo de fazer o mal. E, mesmo entre os encarnados, pessoas existem que vivem permanentemente sugando as forças de outros seres humanos, que se deixem passivamente dominar. Essa dominação não fica apenas adstrita à esfera física, mas, tal como mencionamos no capítulo 5, que se refere à obsessão entre encarnados, intensifica-se durante as horas de sono. Quanto mais profunda for essa sintonia maior será a vampirização (18)
Em qualquer dos casos configura-se perfeitamente a parasitose espiritual.
No livro "Evolução em dois Mundos", André Luiz compara os parasitas existentes nos reinos inferiores da Natureza aos "parasitas espirituais", visto que os meios utilizados pelos desencarnados, que se vinculam aos que permanecem na esfera física, obedecem aos mesmos princípios de simbiose prejudicial.
Reportando-se aos ectoparasitas (os que limitam a própria ação às zonas de superfície) e aos endoparasitas (os que se alojam nas reentrâncias do corpo a que se impõem), traça o autor um paralelo entre estes e a ação dos obsessores.
Realmente encontramos muitos desencarnados que agem como ectoparasitas, ou seja, "absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizem, aqui e ali", como são os que se aproximam eventualmente dos fumantes, dos alcoólatras e de todos aqueles que se entregam aos vícios e desregramentos de qualquer espécie.

(18) Também aqueles que se aproveitam do trabalho alheio - em regime de quase escravidão - pagando e essas criaturas salários de fome, que as colocam, em condições. subumanas, exercem, de carta forma, a parasitose.

E como endoparasitas conscientes os que, "após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vitimas", assenhoreiam-se de se u campo mental "impondo-lhes ao centro coronário a substância dos próprios pensamentos, que a vitima passa a acolher qual se fossem os seus próprios. Assim, em perfeita simbiose, refletem-se mutuamente , estacionários ambos no tempo, até que as leis da vida Ihes reclamem, pela dificuldade ou pela dor, a alteração imprescindível" (19)..
Agem dessa forma os obsessores que pretendem subjugar a sua vitima num processo lento, continuo e progressivo.
Observe-se, todavia, com relação aos seres humanos, que aquele que age como ectoparasita pode passar a atuar como endoparasita, caso queira e encontre campo para tanto.
O parasitismo espiritual (ou vampirismo) é um processo grave de obsessão que pode ocasionar sérios danos àquele que se faz hospedeiro (o obsidiado), levando-o à loucura ou até mesmo à morte.
O quadro das aflições e degradações humanas é bastante deplorável, daí por que a missão do Espiritismo avulta a cada instante, pois que ele traz a única terapêutica possível para esses dramas pungentes.
(19) Evolução em dois Mundos, André. Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira, cap.. XIV a XV, 5.. ed. FEB.
SCHUBERT, Suely Caldas. Parasitose espiritual. In. Obessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, l981 p. 78-80

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 39
 

OBSESSÃO
O PROCESSO OBSESSIVO: O OBSESSOR E O OBSIDIADO - 2A PARTE

A CRIANÇA OBSIDIADA
Tal como acontece com outras enfermidades que afetam as crianças, um quadro obsessivo desperta em todos nós um sentimento profundo de comiseração e o ímpeto de aliviar e proteger a criança. A criança obsidiada apresenta-se inquieta; irritada, com problema de comportamento impossíveis de serem explicados pela Psicologia. Na verdade, as crianças nessas condições quase sempre já encarnaram aprisionadas pelas reminiscências de vidas anteriores, ou por recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no Plano Espiritual. A nova existência atenua bastante os seus sofrimentos, constituindo se em oportunidade de refazimento para o Espírito que poderá exercitar a paciência, a resignação e a humildade.
As instituições espíritas podem prestar valioso auxílio às crianças obsidiadas, através do passe e da água fluidificada, mas é imprescindível que elas sejam tratadas com muito carinho e atenção. Para as crianças em geral, carinho e atenção constituem necessidades psicológicas básicas. Entretanto, aquelas que padecem na obsessão, justamente por estarem combalidas pelo sofrimento, tem maior necessidade de serem amadas.
É fundamental, nesses casos, a orientação espírita aos pais, para que entendam melhor as dificuldades próprias da situação, e para que adquiram melhores condições de ajudar o filho e a si próprios, pois muito provavelmente são todos cúmplices ou desafetos do passado, agora reunidos em provação redentora. Os pais devem ser orienta dos no sentido de fazerem o Culto do Evangelho no Lar, a fim de beneficiarem o ambiente domestico com recursos advindos da espiritualidade superior. As aulas de evangelização ministradas nos Centros Espíritas poderão também proporcionar a criança esclarecimentos e conforto necessários a superação das dificuldades que enfrenta. (05, 06)

EFEITOS DA OBSESSÃO E DA AUTO - OBSESSÃO.
A transformação do corpo espiritual num corpo ovóide pode ocorrer nos seguintes casos. (02)
01. O homem selvagem: quando retorna, após a morte do corpo físico, ao plano espiritual, sente-se atemorizado diante do desconhecido. Sendo primitivo, só tem condições de pensar em termos da vida tribal a que se habituou. Refugia-se, por isso, na choça que lhe serviu de moradia terrestre. Anseia por voltar ao convívio dos seus, e alimenta-se das vibrações dos que lhe são afins. .Nestas condições, estabelece-se o monoideísmo, isto é, a idéia fixa, abstraindo-se de tudo o mais. O pensamento que lhe fluida mente permanece em circuito fechado, continuamente. ~ o monoideísmo auto hipnotizante (04). Não havendo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, tal como acontece aos órgãos do corpo físico quando paralisados. Aos poucos, esses órgãos transubstanciam-se quais implementos potenciais de um germe vivo entre as paredes de um ovo. Diz-se então que o desencarnado perdeu seu corpo espiritual, transformando-se num corpo ovóide. Esta forma guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto no plano espiritual quanto no terrestre, tal como a semente que traz em si a árvore do futuro.
02 . Espíritos desencarnados, em profundo desequilíbrio, fixados em desejos de vingança ou em apegos doentios, envolvem ou influenciam aqueles que lhes são objeto de perseguição ou atenção, e auto-hipnotizam-se com as próprias idéias, que se repetem indefinidamente. É novamente o monoideísmo auto-hipnotizante. Em conseqüência, o corpo espiritual se retrai, assemelhando-se eles a ovóides imantados às próprias vitimas que, em geral, aceitam-lhes a influenciação por serem portadores de sentimento de culpa, remorso ou ódio, fatores predisponentes ao fenômeno obsessivo
03. Grandes criminosos, ao desencarnar, poderão ver-se atormentados pela visão repetida e constante dos próprios erros, em alucinações que os tornam dementados. O pensamento vicioso pode resultar no monoideísmo auto-hipnotizante e, tal como nos casos anteriores, o corpo espiritual contrai-se, consubstanciando-se em ovóides.
Entende-se, portanto, por ovóide, a atrofia ou retração do corpo espiritual (perispírito) provocada pelo pensamento fixo-depressivo, em circuito fechado, no qual o Espírito desencarnado abstrai-se de tudo o mais para deter-se exclusivamente num desejo ou numa idéia de natureza inferiorizante.
Os obsessores desencarnados utilizam-se desses ovóides para intensificar o cerco às suas vítimas, imantando-os a elas. Instala-se então o chamado parasitismo espiritual, através do qual o obsidiado passa a viver o clima criado pelos obsessores e agravado pelas ondas mentais altamente perturbadoras dos ovóides.
É uma subjugação gravíssima que pode lesar o cérebro ou outros órgãos que estejam sendo visados. Só através da reencarnação é que os ovóides poderão plasmar outra vez o perispírito, juntamente com a nova forma carnal .
 

NOTA: Sugerimos, em especial, a leitura da obra " Libertação", de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, para maiores detalhes sobre ovóides.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 40

OBSESSÃO
OBSESSÃO E LOUCURA

A obsessão e capaz de provocar a loucura.
A Ciência Medica, entretanto, sequer leva em consideração este fato. Mesmo porque não admite, ainda, a sobrevivência do Espírito. Esta relutância na admissão do fenômeno obsessivo leva a sociedade cientifica a considerar o problema da loucura limitadamente. Segundo Bezerra de Menezes" (...) até hoje, a Ciência só conhece a loucura que resulta, de um modo permanente, da perturbação do pensamento, com sua sede no cérebro.
Podem variar causas e formas, mas o estado patológico do indivíduo é sempre o mesmo: a loucura caracterizada pela perturbação mental e pela sede no cérebro.
Sem que o cérebro sofra, não pode haver, para a Ciência, o fenômeno: psíquico-patológico da loucura. (...) (04)
Ainda que dentro da sociedade científica exista a constatação de loucura sem o comprometimento cerebral, tal fato não é admitido claramente. E é justamente neste ponto que os diagnósticos e prognósticos médicos se tornam falhos.
Quando os profissionais de medicina conseguem detectar lesões no cérebro podem estabelecer uma conduta clinica, seja terapêutica, seja cirúrgica. Quando porem, a loucura se manifesta e não se encontra lesões físicas no sistema nervoso, torna-se difícil, senão impossível, de se estabelecer um tratamento medico.
A loucura, pois, se manifesta de duas maneiras distintas; com e sem lesão cerebral. Bezerra, sugere na obra A Loucura sob Novo Prisma, citada anteriormente, que para casos distintos haja, naturalmente, tratamentos diferentes: os problemas orgânicos-cerebrais devem ser tratados com os cuidados que requerem, por médicos. Já nos casos em que o problema não e físico, deve-se proceder de forma a levar em conta as causas extra-físicas atuantes. Ora, o cérebro como órgão físico não é o centro da inteligência humana, Visto ser ele a penas mais um instrumento de que se serve a alma. É, pois, ela quem pensa, raciocina, imagina, servindo-se do cérebro. Portanto, estando ele com alguma perturbação, ou lesão, é natural que o desempenho da alma seja também afetado por não poder se manifestar adequadamente com um instrumento que se encontre danificado.
A obsessão, contudo, traz complicações que dificultam e tornam mais complicado o caso em si. Não que ela seja por si só a loucura, mas sua progressão para estágios mais adiantados como a subjugação, e sem o devido tratamento, podem levar a casos de loucura.
É o que nos transmite Kardec em O Livro dos Médiuns '(...) Entre os que são tidos como loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral espiritual, enquanto que com os tratamentos corporais os tornam verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes (...).' (01)
Nos casos de obsessão, portanto, o que vai determinar a perturbação na transmissão do pensamento, é a interposição dos fluidos do Espírito obsessor, entre o agente (alma) e o instrumento (cérebro), de modo que fica interrompida a comunicação regular dos dois.
A alma pensa mas seu pensamento só se manifesta de maneira truncada, imperfeitamente, em razão da barreira imposta pelo obsessor. (05)
"(...) Temos, portanto, que tanto na loucura, como na obsessão, o Espírito é lúcido, e que, tanto num como noutro caso, o mal consiste na irregularidade da transmissão ou manifestação do pensamento.
E temos mais, que tal irregularidade é devida, num caso, à incapacidade material do cérebro para receber e transmitir fielmente as cogitações do Espírito, e noutro caso tudo se limita a não poderem aquelas cogitações chegar integralmente ao cérebro. (...)'' 06
Devemos considerar, ainda, que a ação persistente e malfazeja de um Espírito sobre outro poderá, com o passar do tempo, produzir lesões físicas, às vezes, irreversíveis.
As obsessões estão também referenciadas no Novo Testamento com o nome de possessões. Em alguns casos narrados a obsessão está bem evidenciada.
Citemos alguns exemplos, a título de ilustração.
Em Marcos, 1:21-27 e Lucas, 4:31-37, está narrada a cura que Jesus proporcionou a "um endemoniado em Cafarnaum". O endemoniado, Espírito imundo ou demônio imundo são maneiras de nominar o que hoje chamamos de obsessor.
Mateus, 10:32-34, há um relato da "cura de um mudo endemoniado ". Neste exemplo, o obsessor constrangia o obsidiado a não fazer uso da palavra.

Há outra narrativa, encontrada e~ Mateus, 12:22-28, em que o obsidiado, subjugado pelo obsessor, fica mudo e cego.
Em todas estas narrativas destaca-se a figura ímpar de Jesus que com sua bondade e força moral libertava obsessores e obsidiados, curando-os, porque "(...) A imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, chamados então demônios, que lhe bastava ordenar se retirassem para que não pudessem resistir a essa injunção (...) (02)

A N E X O 0 1
QUESTIONÁRIO
(GRUPOS PARES)
RESPONDA AS PERGUNTAS:
01. Em que situação a obsessão pode levar à loucura?
02. A loucura e sempre resultado de alguma lesão cerebral? Justifique sua resposta.
03. Que relação existe entre subjugação e possessão?
04. A ação persistente de um obsessor pode provocar lesões no organismo físico do obsidiado. Estas lesões são reversíveis ou irreversíveis? Justifique a resposta.
05. Dê exemplos de lesões orgânicas causadas por obsessões.
0ó. Por que Jesus conseguia, com um simples comando verbal, desfazer os casos de obsessores relatados pelos evangelistas?

A N E X O 2

QUESTIONÁRIO
(GRUPOS IMPARES )

RESPONDA ÀS PERGUNTAS:

01. Qual a relação existente entre subjugação e possessão
02. As narrativas do Evangelho, ora estudadas, são exemplos de obsessão simples, fascinação ou subjugação?
03. Nos relatos - evangélicos encontram-se freqüentemente as palavras: Espírito impuro ou imundo, demônio ou endemoniado, etc. A quem se referiam essas palavras?
04. Marcos, 9:13-28, nos conta a história de um "epiléptico endemoniado" desde a infância. "Qual era a causa dessas crises?
05. Jesus libertou obsessores e obsidiados ao curar "o modo endemoniado" ou "um endemoniado cego e mudo"; no entanto, os fariseus afirmaram que ele curava por ordem de Belzebu. Interprete essas passagens evangélicas.
06. Identifique a autoridade de Jesus quando no trato com os obsessores e obsidiados.

 

PROGRAMA V

ROTEIRO 41

OBSESSÃO
OBSESSÃO: PROFILAXIA E TERAPÊUTICA

  Neutralizar a influência dos Espíritos de natureza inferior, equivale a prevenir a obsessão. Para tanto, e necessário - conforme resposta dada a Kardec em relação ã questão 469 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS - fazer o bem e colocar toda a nossa confiança em Deus. Aconselha ainda o benfeitor espiritual: "(...) Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam os maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai, especialmente, dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. (...)" (01)
A obsessão decorre sempre, como já vimos, de uma imperfeição moral que favorece a ação do obsessor, por uma questão de sintonia. Deriva dai, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar para melhorar a si próprio, o que muitas vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Este socorro, entretanto, torna-se necessário quando a obsessão progride para a subjugação ( ou possessão) pois nesse caso o obsidiado perde a vontade e o livre-arbítrio. Nos casos graves de obsessão, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um "fluído" pernicioso do qual e preciso desembaraçá-lo. Para isso faz-se necessária a atuação de um "fluido" bom, capaz de neutralizar o mau fluido, o que pode ser obtido através da terapêutica do passe. O passe, ensina-nos André Luiz, como gênero de auxilio sem qual quer contra indicação, e sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. Obsessor e obsidiado, sabemos nós, são enfermos da alma e, portanto, beneficiam-se com o passe. Dificilmente, porem, basta uma ação mecânica; é necessário atuar sobre o ser inteligente, ao qual e preciso falar com autoridade. Essa autoridade, não a possui quem não tenha superioridade moral. Quanto maior o aprimoramento moral do socorrista, maior também a sua autoridade. (02)
Mas ainda não é tudo. Para assegurar a cura do processo obsessivo, e indispensável que o obsessor seja convencido a renunciar aos seus desígnios, que se arrependa sinceramente dos prejuízos causados à sua vitima, que aprenda a perdoar e a desejar o bem. As instruções habilmente ministradas poderão auxiliá-lo na retomada do processo evolutivo. O trabalho torna-se mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a situação, procura auxiliar com a sua vontade e com a prece. As dificuldades, entretanto, serão muito grandes quando o Espírito dominado se ilude com as qualidades do seu obsessor se compraz no erro a que foi conduzido.
Em todos os casos de obsessão a prece e o mais poderoso meio, de que dispomos para demover o obsessor dos seus propósitos maléficos. Em todos os casos também, a necessidade primordial do Espírito, é cultivar o amor fraternal, para que se veja curado das enfermidades que o prejudicam. Somente o amor, tal como ensinado por Jesus, conseguirá harmonizar obsessores e obsidiados pondo fim às vinganças, aos sofrimentos, as perseguições e as dividas do passado. Eis porque os ensinos evangélicos poderão prestar excelente contribuição na terapêutica da obsessão. (02, 03, 04).

FIM DO V PROGRAMA.

Última atualização em Qua, 09 de Dezembro de 2009 12:52