Onde anunciavam o Evangelho.
Nos instantes de vida interior, permitidos pelas lutas que se renovam dia a dia, volve o homem o olhar para o futuro, cheio de esperança, na certeza de que a Terra conhecerá dias melhores, quando vier a se inundar das sublimes vibrações da Fraternidade Legítima.
O homem crê nesse futuro.
Nessa era de compreensão e paz entre as criaturas.
Por isso, luta e sofre, confia e espera...
Luta e sofre, confia e espera o advento de uma fase áurea, rica de Espiritualidade, com inteira ausência dos sentimentos inferiores que emolduram, indiscutivelmente, a fisionomia do mundo atual.
Ausência do Ódio que provoca a guerra.
Ausência do orgulho — que favorece a prepotência.
Ausência do ciúme — que acende o fogo do desespero.
Ausência da inveja — que estimula a discórdia
Ausência da ambição que abre caminho à loucura.
Esse mundo melhor não pertencerá, exclusivamente, aos nossos filhos e netos, como asseguram os que crêem, apenas, na unicidade das existências.
Pertencerá a nós mesmos, às nossas individualidades espirituais empenhadas hoje, na construção desse mundo feliz.
Desse mundo onde o mal não terá acesso, onde não haverá lugar para a sombra, porque o bem e a luz lhe serão magnífica constante.
Pela Reencarnação estaremos amanhã, de novo, no cenário terrestre, aqui ou em qualquer parte, utilizando outros corpos, prosseguindo, destarte, experiências evolutivas iniciadas em remotos milênios.
Amanhã, na ceifa, colheremos o fruto do nosso plantio de hoje.
Assim como participáramos, ontem, de redentoras lutas, que se ocultaram, momentâneamente esquecidas, na poeira dos milênios, na atualidade estamos, igualmente, contribuindo para a edificação do porvir.
As conquistas de ordem material prosseguem, deslumbrantes, em acelerado ritmo.
Temos a certeza de que, pelo esforço da Ciência e pela sublimidade da Arte, desfrutaremos, mais tarde, o bem-estar e o conforto, com absoluta exclusão do egoísmo.
No entanto, na atualidade, uma série de indagações invadem o nosso Espírito.
De que valem imponentes cidades e pontes maravilhosas, interligando continentes; naves maravilhosas, cruzando o espaço, em todas as direções, e soberbos empreendimentos de Medicina, se, apesar de todo esse arrojo e toda essa audácia do pensamento humano, continuamos, em maioria, deficientes de Espiritualidade?
Permanecemos, em verdade, mendigos de amor.
Indigentes de bondade.
Maltrapilhos de compreensão.
Estátuas vivas do egoísmo.